Decoração

Maria começou a pintar quadros com a ajuda dos avós. Rita Pereira tornou-os virais

A Mestiça foi lançada em abril, durante o confinamento. A avó Lena emprestou os materiais e o avô Carlos ajuda com os embrulhos.
Tem 28 anos.

Em finais de março, num dos dias mais aborrecidos do confinamento, Maria Casas, de 28 anos, recebeu uma chamada da avó Lena, de 85, a dizer-lhe que tinha uma ideia para a ajudar a distrair-se. Nesse mesmo dia, ofereceu-lhe uma pasta preta grande, com todo o seu material de pintura, cheia de paletes de pastéis secos.

Maria começou a pesquisar fotografias e imagens gráficas e a delinear um estilo, focado em ilustrar mulheres exóticas em tons quentes, com cabelos negros e brincos grandes. A inspiração foi tanta que acabou mesmo por lançar em abril uma conta no Instagram para vender a sua arte, num projeto a que chamou Mestiça.

“Olhei para o chão de minha casa, onde tinha colocado as pinturas e pensei que eram todas de mulheres, de pele morena, brincos grandes. Mulheres exóticas, mulheres mestiças. Um nome com uma sonoridade muito carinhosa para mim”, conta à NiT.

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Quadro MARIA pintado a pastel seco ✨ 40 x 50 moldura

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Os quadros são todos feitas a pastel seco, pigmentos em pó que esbate e mistura até encontrar a cor perfeita. Já os preços vão dos 20€ aos 45€ — pode encomendá-los pelo site ou através da conta de Instagram, onde também é possível pedir um quadro personalizado.

Um dos momentos definitivos do projeto aconteceu a 7 de setembro, quando Rita Pereira partilhou a história da Mestiça na sua conta de Instagram. “Na verdade, identificava-a e à sua fisionomia ao tipo de mulheres que pintava e desenhava, e perguntei-lhe pelo Instagram se gostava de ter uma Mestiça”, começa por explicar Maria. Foi a própria atriz quem lhe deu a ideia de começar a desenhar as clientes a partir de fotografias. Maria enviou-lhe uma ilustração personalizada e criou esse novo segmento no seu negócio. 

Ao mesmo tempo, Rita Pereira quis partilhar o projeto com os seus mais de 1,4 milhões de seguidores e decidiu dar destaque ao avô de Maria, que a ajudou a embrulhar a encomenda. Carlos Leal, de 88 anos, teve uma empresa de revenda de artigos de roupa interior e tinha por hábito sair de casa todos os dias para apanhar o autocarro e ajudar familiares, além de ser também administrador do condomínio onde mora.

“Tinha uma vida tão ativa que ninguém acredita na idade que tem”, acrescenta Maria. Durante a pandemia, as filhas e netos pediram aos avós que ficassem por casa, o que os obrigou a parar. À medida que a neta começou a publicar as suas ilustrações e a receber encomendas, os avós ofereceram-se sempre para ajudar.

Mestiça
O avô Carlos, de 88 anos, em ação.

“O meu avô sugeriu ser ele a fazer os embrulhos dos quadros. Veio a uma entrevista e foi contratado, passagem a contrato direto efetivo”, recorda Maria divertida. Ao fim do dia, o avô Carlos vai ter a sua casa e ajuda-a a embrulhar os quadros para seguirem para os correios no dia seguinte. “É um funcionário empenhadíssimo”, revela Maria.

A história da Mestiça, na verdade, não seria a mesma sem os avós. É um exemplo de superação de um dos grupos de maior risco ao isolamento durante a pandemia. “O momento decisivo para que os meus avós me começassem a ajudar e a sentir-se novamente úteis e ativos foi quando uma vez os apanhámos no supermercado às escondidas em pleno mês de abril, quando deveriam estar em casa. Percebi aí que a solução não podia ser protegê-los ficando em casa todo o dia. As saídas começaram a ser para ir ter comigo para me ajudar nos embrulhos”, conta.

Maria estudou na Faculdade de Direito da Universidade do Porto e trabalha em gestão — a Mestiça, explica, é um segundo trabalho. “Desde pequena que sempre gostei de pintar com a minha avó, ela puxava muito por mim nesse sentido”, recorda. Nunca teve formação nessa área, mas acabou por herdar um jeito de família, que também veio do outro lado, o do pai, por culpa do avô Francisco. “Era catalão de gema e tinha um jeito inacreditável para desenhar”.

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