Decoração

Margarida Shiroi: a Marie Kondo portuguesa que organiza os closets dos famosos (e não só)

Desde miúda que adora arrumar. E em jantares em casas de amigos já acabou a organizar as despensas. Atualmente, é a sua profissão.
Já trabalhou com Carolina Patrocínio.

Se antes da pandemia passávamos maior parte do nosso tempo fora de casa, com os sucessivos confinamentos tudo mudou. Passamos a viver fechados entre quatro paredes todos os dias. A (des)organização que antes apenas nos incomodava começou a perturbar-nos. Muitos tentaram resolver o problema recorrendo aos tutoriais do YouTube e foi aí que, quem não a conhecia, descobriu a Marie Kondo.

A japonesa especialista em arrumação ganhou uma nova relevância, graças à harmonia que nos ajudou a trazer à nossa vida, através da organização. Em Portugal não temos Kondo mas sim Margarida Shiroi, que oferece a quem a procura a mesma tranquilidade no lar.

Tem 45 anos e formou-se em arquitetura, tendo já trabalhado em remodelação de edifícios e em design de interiores. Durante as vagas de Covid-19 começou a preocupar-se com a ordem da casa, algo que faz parte de si desde a infância. “Sempre tive um pouco de OCD neste aspeto, desde que me lembro que as coisas tinham de estar organizadas e arrumadas. Lembro-me de ir jantar a casa de amigos e começar a arrumar a despensa. Durante a pandemia apercebi-me que o que funcionava antes já não tinha o mesmo efeito”, conta à NiT.

Em 2020 fez um curso online com uma pessoa que já tinha trabalhado com Marie Kondo. Queria ter alguma formação antes de se dedicar profissionalmente àquela nova área. O seu background anterior foi complementado por esta nova paixão. “Começo com projetos de organização e depois pedem-me para fazer o design de interiores ou vice-versa”, aponta. O que tenta fazer sempre é melhorar a qualidade de vida dos clientes — e tem conseguido: “o feedback é muito bom”.

O serviço começa com uma visita técnica à casa, onde Margarida fala com os moradores para saber o que funciona e o que precisa de melhorar. “Tento perceber como a família vive e como posso ajudar. É muito importante conhecer as rotinas, os horários, aquilo que corre pior e o que é importante mudar”, afirma. Este processo pode ser demorado, porque os clientes apegam-se a hábitos difíceis de alterar e a objetos que nem sempre têm utilidade. A designer de interiores ajuda a fazer uma espécie de triagem, para saberem se algo é necessário ou não.

Enquanto a abordagem de Marie Kondo nos faz questionar se determinado objeto nos traz felicidade, Margarida Shiroi questiona se gastaríamos dinheiro nele novamente. “Muitas vezes nem se apercebem das coisas que têm e até encontram artigos que não viam há anos. Também sentem vergonha porque muitas coisas estão desarrumadas.” Depois desta primeira fase, passam à organização.

Margarida avalia sempre o espaço útil que tem, bem como o que é preciso arrumar. Com o seu método, organiza os artigos de acordo com a utilidade que têm no dia a dia. Aquilo que as pessoas usam menos, como malas ou sapatos de festa, ficam numa zona mais escondida (mas fácil de aceder). Por outro lado, as coisas que são usadas todos os dias ficam mais visíveis e facilmente alcançáveis. “Já aconteceu ter clientes que queriam retomar os treinos após uma longa pausa, mas era tão difícil irem buscar a roupa desportiva que desistiam. Depois da mudança começaram a ir ao ginásio outra vez”, recorda.

Isto acontece em todas as divisões e não só no closet. Quando faz a remodelação de uma cozinha há algumas perguntas que faz sempre: “toma o pequeno almoço em casa? O que é que come todos os dias? Torradas, batidos?” A lógica é a mesma — os produtos mais usados têm de ficar todos no mesmo sítio e facilmente alcançáveis. Já no quarto dos miúdos, segmenta os brinquedos. Os bonecos vão para um lado, e a roupa dos mesmos para outro. “Isto ensina-os a serem mais autónomos e os pais não precisam estar todos os dias a arrumar. Vai criando um método”.

Já trabalhou com celebridades e figuras públicas portuguesas. Algumas, pediram para que as imagens do antes e depois não fossem publicadas. Outras, aceitaram e até as partilharam, como é o caso de Carolina Patricínio. “É amiga de uns amigos e houve um interesse mútuo. Ela tinha interesse em organizar o closet e outras áreas da casa, e eu também tinha interesse em publicitar”, explica. “Em relação aos restantes clientes, normalmente sou contactada através do Instagram”. Acrescenta, contudo, que o “passa a palavra” também é muito importante na sua área.

Não gosta de se comprometer com valores e datas de conclusão dos projetos, porque cada caso é singular. Normalmente demora entre um dia e meio a dois. “Depende da quantidade de roupa que é preciso organizar e ser triada, saber se vai ou fica”, explica-nos. No entanto, o objetivo é sempre o mesmo: “Ajudar alguém a ter um dia a dia melhor” e provar que um espaço “prático também pode ficar agradável ao olhar.”

Carregue na galeria para ver o antes e depois do closet de Carolina Patrocínio (e não só).

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