“Não queremos inserir um elemento dissonante no meio da natureza, mas encontrar formas de o enquadrar na envolvente.” É sempre com a mesma mentalidade que os arquitetos Jorge e Sérgio Silva Ribeiro encaram o desafio de projetar uma casa. O espaço exterior, defendem, pode e deve ser essencial para a experiência dos anfitriões.
Há poucos projetos no portfólio do atelier Bhei Architects, fundado pelos dois irmãos, que reflitam tanto esta filosofia como a Aren House, uma moradia em Guimarães onde estas duas esferas se misturam. Com cerca de 340 metros quadrados, vive de vários contrastes — de materiais, por exemplo —, mas sempre de forma harmoniosa.
“A ideia, em qualquer casa, é virar a casa para o que existe à volta e criar um espaço de conforto entre essas duas realidades”, explicam à NiT os criativos, que defendem que é sempre feito um trabalho de arquitetura paisagística. Foi essa lógica que inspirou o formato geométrico.
Esta casa releva-se através de uma série de volumes horizontais horizontais que, discretamente, se abrem para a paisagem circundante e convidam a luz natural a entrar. Pelo menos, foi esse o pedido dos clientes, um casal com dois filhos, que queria tirar o máximo de partido do terreno adquirido.
O projeto é também definido pelo diálogo entre o betão aparente, sobretudo na fachada, e os revestimentos em madeira que equilibram o caráter brutalista com a suavidade dos interiores “Como acreditamos que as casas devem ser intemporais, os materiais nobres fazem toda a diferença”, defende Jorge.
No exterior, destaca-se uma escadaria de betão como ponto central do projeto, que guia o perfcurso até ao terraço da cobertura, oferecendo uma vista ampla sobre o entorno. Todos estes elementos conferem à casa um aspeto discreto e elegante.

Voltemos para o exterior. Um vazio circular emoldura uma única árvore, “um elemento quase poético e quase de reflexão”, segundo a dupla. “Quisemos criar um espaço de descontração que permite ao cliente ler um livro ou ficar, simplesmente, a usufruir da natureza.”
A própria vegetação, que cobre partes do edifício, é usada para “demonstrar que é um bloco interligado com a natureza”, acrescenta. “Ajuda-nos a desconstruir o betão e a dar mais leveza ao edifício. Por isso é que quisemos que a árvore fosse um espaço central.”
A distribuição do programa de forma a separar claramente as áreas sociais das áreas privativas. As zonas sociais desenvolvem-se em torno do núcleo central com piscina, enquanto os quartos se situam numa ala mais reservada, garantindo privacidade. Existe ainda um espaço dedicado a um ginásio, que complementa a habitação.
Assim que se entra, os proprietários estão virados de frente para a escada escultórica e a piscina, um hall de entrada que funciona como eixo de ligação entre as áreas. Um dos lados conta apenas com os quartos, enquanto à direita, uma porta curva dá acesso à sala de estar e à cozinha, em open space.
Entre grandes aberturas e paredes robustas, que asseguram a privacidade necessária, a Aren House reflete o princípio que a Bhei Architects tem vindo a trabalhar: no final, o que fica é “uma casa que seja para durar e não que em pouco tempo deixe de ser tendência”, concluem.
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