Decoração

O apartamento dos anos 80 que se tornou um museu de obras de arte

Fica numa zona residencial do Porto, tem 110 metros quadrados e foi alvo de várias remodelações.
O apartamento foi comprado em 2019.

Uma remodelação de um apartamento dos anos 80 no Pinheiro Manso, rapidamente se tornou uma mistura de arte e design, cheia de pormenores desenhados e pensados à medida. Foi assim que surgiu o S. João Bosco, comprado em 2019, mas apenas concluído em setembro de 2020.

“O projeto tinha de ter uma essência mais masculina, destina-se a um homem solteiro, engenheiro químico de profissão. O cliente pretendia um espaço amplo, contemporâneo, depurado, um pouco minimalista e gráfico, onde se destacasse o mobiliário, a iluminação e as obras de arte”, começa por contar Paulo Cássio, o designer de interiores responsável por toda a transformação.

“A ideia foi criar um espaço atual, à medida do futuro habitante, em que a cozinha estivesse integrada na sala, mas ainda assim existisse privacidade em relação à entrada do apartamento. Isto porque originalmente a porta da cozinha era exatamente no alinhamento da porta da entrada o que além de devassar completamente o hall, conferia ao espaço um aspeto confuso.”

Estamos a falar de uma tipologia T2, com 110 metros quadrados. Inicialmente apenas tinha uma casa de banho e esse foi outro dos grandes dilemas enfrentados, “talvez o maior”. A casa de banho nova tem o objetivo de servir algum eventual convidado.

“De qualquer forma, tinha de criar algo bonito e sofisticado, mas que de uma maneira oculta pudesse ter um duche, para conseguir servir de apoio ao segundo quarto. O que fizemos foi transformar uma pequena dispensa no tal wc social pretendido, onde através de uma porta gigante, que mais parece um espelho decorativo, do chão ao teto, ocultamos a cabine de duche.”

“Tudo isto foi complicado, na verdade foi uma pequena obra de engenharia, com vários desafios, mas que resultou realmente muito bem, pois conseguimos que este pequeno espaço se tornasse pratico, estético e surpreendente”, explica.

Como o conseguiram fazer, acabaram por  transformar o quarto numa suite, ao fazer uma ligação para o wc original. Ainda assim, uma vez que o espaço da habitação principal não é enorme, não queriam roubar espaço ao lugar. “Como tal, outra das opções tomadas foi localizar toda a arrumação no corredor de acesso às habitações de dormir, numa zona que já não é propriamente social, sendo assim um corredor/closet.”

A nível de matérias há alguma variedade. “Pela casa vai encontrar lãs e linhos com um aspeto e texturas masculinas/secas e naturais. Já a nível de cores, as predominantes são o preto, os beges, azuis, cinzas e detalhes tónicos e pontuais de laranja.”

Ao longo de todo o apartamento, as paredes e rodapés são brancos, mas no meio do ser decorrer há algo que se evidencia: as portas em carvalho americano. “Têm uma velatura preta que faz a ligação perfeita com o pavimento, que é de eucalipto cortado a cutelo e que também combina com toda a aparelhagem elétrica e focos dos tetos, a preto.”

O carvalho americano, na sua cor natural, também está presente nas zonas das janelas da sala, onde foi criado um nicho que acaba por emoldurar o verde do exterior. Além disso, serve de banco de apoio à sala de estar, onde também há uma estante e zona de música e televisão.

O toque final é dado pelas peças de arte que se encontram espalhadas por todo o apartamento. A seleção foi feita por Paulo Cássio, juntamente com o cliente, tarefa facilitada pelo facto de partilharem preferências.

Na sala está um sofá dinamarquês dos anos 70, com a assinatura de Nielaus Mobler e feito com tecido da Pierry Frey. Mesmo em cima de si, está um quadro com uma fotografia Handcuffs, de Oliviero Toscani e ainda no mesmo espaço, o candeeiro de mesa Pipistrello, desenhado por Gae Aulenti, em 1965.

Na cozinha, sobre a bancada encontra-se uma fruteira, mas não uma qualquer, esta foi criada por Gio Ponti. Nesta área encontra-se também um quadro a preto e banco com a palavra Loser, feito por Luis Úrculo. Outra das peças que também se destacam são a que está na área de acesso às habitações, elaborada por Jacob Semiantin em 1960, e a da entrada, que conta com a assinatura de João Galrão.

Mas não fica por aqui, desde tapetes, bancos, esculturas, mesas, almofadas e móveis, tudo foi pensado com o maior pormenor e feito pelos melhores artistas.

Carregue na galeria para ver mais imagens desta incrível remodelação de um apartamento dos anos 80 (e todas as peças de arte que o adornam).

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