Decoração

O “bloco de betão branco” em Barcelinhos que esconde uma moradia de sonho

A casa foi erguida na margem do Cávado e tem vista para o centro histórico de Barcelos. Soma prémios de arquitetura.
A piscina dá vida à casa.

O terreno era muito “comprido, estreito e limitado”. À primeira vista, parecia ter pouco para oferecer e o cliente comprou-o apenas para investimento pessoal. No entanto, a cada visita que fazia ao lote numa encosta em Barcelos, sentia-se cativado pela forma como se abria para a cidade. A certa altura, decidiu que queria erguer ali a sua casa.

Assim nasceu uma moradia de sonho na freguesia de Barcelinhos, na margem esquerda do rio Cávado, com vista desafogada para a zona histórica. A RiscoWhite, como é chamado o projeto, tem 339 metros quadrados e nada mais é do que “um bloco de betão branco listado” que rasga a envolvente.

A verdade é que não passou despercebida à crítica especializada. O projeto do atelier Risco Singular foi distinguida na categoria de Arquitetura Residencial – Unifamiliar na edição de 2023 dos prémios The Architecture Masterprize. O projeto português distinguiu-se entre milhares de submissões provenientes de 81 países.

A forma do terreno e o declive que apresentava foi o ponto de partida do edifício. “Tentámos implementar a construção para aproveitar as plantas que já existiam no terreno e para limitar ao máximo os elementos terra. É por isso que está implantada a nascente”, explica o arquiteto Paulo Costa à NiT.

A premissa era clara: não podia ser demasiado grande, nem “ter muitas extravagâncias”. O T1 nasce em duas plataformas de cota elevadas, “sustentadas por altos muros em granito e gaviões de onde emergem pequenas flores”. É aqui que os volumes perpendiculares ganham vida através da paisagem verde.

As condicionantes acabaram por ditar o desenho geométrico. “Só temos uma frente de entrada para o terreno. A partir daí, o desenvolvimento do programa que tínhamos definido tornou-se intuitivo”, acrescenta.

Uma obra vanguardista.

Quanto à planta, tentaram que fosse o mais funcional possível. A casa desenvolve-se em dois pisos com a zona social de um lado e a área privada do outro. Não existe um corredor principal, apenas um hall que dá acesso aos quartos.

A passagem entre a sala de jantar, estar e a cozinha não implica atravessar espaços de transição. O imóvel inclui ainda um espaço para receber os amigos e fazer festas de aniversário, com ligação à piscina que domina o pátio. Segue-se um escritório, a casa de banho e a suite principal.

Os arquitetos optaram pelo betão branco em contraste com os apontamentos de madeira. “Trabalhamos com a matéria-prima para criar um ripado que muda consoante a luz. É ela que cria as sombras e dá efeito.”

O objetivo era obter o melhor resultado possível, seguindo uma lógica sustentável, limitando ao máximo a diversidade dos materiais utilizados.

 “Já tínhamos recebido vários convites para concorrer ao prémio, mas na altura estávamos com bastante trabalho e prazos apertados. No entanto, a equipa do gabinete insistiu que devíamos tentar e, desta vez, avançamos”. E, no final, trouxeram o ouro sobre branco para Portugal.

Carregue na galeria para ver as fotografias da casa tiradas por Ivo Tavares.

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