Decoração

O incrível refúgio oriental em Viseu que parece ter vindo diretamente do Japão

A moradia de luxo tem a assinatura do gabinete de arquitetura Artspazios e reflete a inspiração das viagens dos proprietários.
(Foto: Fernando Guerra | FG + SG)

A contrário do que é habitual neste tipo de projetos, a Casa CR apostou em áreas mais económicas, por oposição aos habituais luxos e exageros. “É um projeto com um equilíbrio muito interessante, sem áreas ou tipologias exageradas, bastante compacto e que cria muito conforto”, revela André Soares, responsável pela Artspazios, gabinete que assinou o projeto.

Embora esteja longe de ser uma casa pequena, também não tem apresenta uma área habitual neste tipo de projetos. O principal objetivo para os 217 metros quadrados era refletir a inspiração trazida pelo casal proprietário das suas viagens pelo mundo. O resultado foi uma moradia que conjuga traços e ideias oriundas do Oriente, sobretudo do Japão, passando também por Marrocos.

Antes que isso fosse possível, era preciso perceber de que forma o projeto poderia tirar partido do terreno existente em Viseu. Os planos começaram a ser feitos em 2017 e em 2021 a Casa CR ficou finalmente concluída.

“O terreno era muito íngreme e isso influenciou a proposta. Quem está na rua, nem consegue perceber que há ali uma casa. Vê apenas a primeira pala e toda a casa se desenvolve abaixo desse nível”, explica. “Toda a casas se desenvolve nessa plataforma à cota inferior e, portanto, há um grande espaço exterior que une os espaços interiores, seja a zona social ou a parte mais íntima.”

O local que proporciona “a imagem mais icónica” do projeto, segundo o arquitecto, fica oculto: um pequeno jardim interior na casa de banho da suite principal. Dado que a casa está parcialmente enterrada, foi criado este pátio oculto para deixar entrar luz, mantendo a privacidade. E o espaço ficou ornamentado com um pequeno jardim de inverno “que remete para o oriente”.

A suite inclui outra opção peculiar: a criação de uma base suspensa de betão para a cama. Uma “estrutura não convencional” que entusiasmou os proprietários, que aprovaram a imposição destas inspirações um pouco por toda a casa, que seria decorada com peças trazidas dessas ditas viagens.

Marrocos foi outra das influências que o arquiteto trouxe sempre ao seu lado nas escolhas que foi fazendo. “Influenciou sobretudo os tons, não só do interior, mas do exterior, além da própria textura do acabamento”, explica. “Começámos por usar um microcimento, mas depois percebemos que era demasiado bem-acabado. Então usámos uma argamassa com um pigmento, que depois cria estas texturas irregulares, estas manchas, tal como encontramos por lá.”

O conhecimento profundo dos gostos e inspirações dos clientes é, garante, uma “política do gabinete”. “Precisamos de receber informação para depois definirmos espacialmente cada projeto, até do ponto de vista do mood, dos materiais, texturas…”

Além desse microcimento que salta do interior para o exterior, promoveram-se os elementos e cores neutras, sobretudo “nos elementos planos verticais e horizontais”. “Os tons, inclusivamente da carpintaria, da cozinha, aproximam-se às paredes e ao teto, para que depois haja uma envolvente neutra comum — e para que depois possamos dar destaque a pequenas ou grandes peças como a ilha, onde assumimos um mármore escuro.”

A casa tem um total de três quartos, lado a lado com uma zona social em open space, cortada apenas por uma estante aberta que recorta a área do escritório que nunca está completamente isolado. Depois, muita da vida da casa acontece do lado de fora.

No pátio há uma pequena zona técnica fechada, mas que dá o enquadramento que justifica também o volume da piscina, também em betão, que irrompe pelo jardim até redundar num final infinito suspenso sobre o terreno íngreme e a vista da paisagem. No final do jardim há ainda uma pequena divisão, sozinha no jardim, que corresponde ao ginásio.

“Quisemos ir buscar o sentimento oriental de jardim não ortogonal. Criar uma coisa mais orgânica”, explica o arquiteto sobre a escolhas para o espaço mais natural do projeto. “Nas fotos não se vê, mas há ali uma zona de rio e nalguns dias cria-se ali uma neblina que transporta para outro mundo. Deixamos de estar em Viseu e parece que viajamos até ao Japão.”

De volta ao pátio, há ainda um fire pit e um espaço amplo. No topo da casa, estava idealizada uma pala que serviria de local de proteção do carro, mas que acabou por ser reimaginada pelos próprios residentes. “É um dos lados positivos destes projetos, quando o cliente se apodera da sua casa ou da obra em si. Aquele espaço não era uma garagem fechada, mas foi desenhada para ter ali o carro.”

Durante a obra, perceberam que aquele local específico tinha uma enorme vantagem sobre todos os outros na casa: uma vista ímpar sobre a paisagem. “Era um nível claramente funcional. Chegamos de carro, está a chover, paramos ali e entramos. Mais tarde, descobrimos que aquele recanto podia ser especial, um espaço de contemplação.” Perde-se o abrigo do carro, mas ganha-se uma nova área social.

Sobre o projeto já finalizado, André Soares enaltece sobretudo os desafios de integração no terreno, sobretudo os mais técnicos, já que parte da casa fica praticamente enterrada. “Mas o principal desafio é sempre absorver e perceber as influências que os clientes nos trazem, podem ser viagens, experiências de vida num determinado lugar, com um determinado contexto. Ver isso e trazê-lo para cima da mesa no contexto deste exercício de arquitetura.”

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