Decoração

Oh Maria: os arranjos de flores mais famosos do Instagram já têm loja em Lisboa

O projeto de Maria Figueira surgiu durante a pandemia por acaso, no dia do seu aniversário.
Tem 26 anos.

A 17 de maio, no seu primeiro aniversário depois da morte do pai, Maria Beatriz Figueira, de 26 anos, foi comprar algumas flores para fazer arranjos em casa. Não tinha nenhum objetivo além de preparar um espaço bonito para trabalhar remotamente, uma realidade a que já estava habituada bem antes da pandemia de Covid-19 forçar milhares de portugueses ao teletrabalho.

Licenciada em Relações Públicas e Comunicação Empresarial pela Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, trabalhou dois anos para a Trivago em Düsseldorf, na Alemanha, de onde regressou em dezembro do ano passado para estar mais perto da família. Foi aí que começou a trabalhar remotamente, para a empresa canadiana Van Hack.

“Antes da pandemia essa já era a minha realidade, já estava habituada a querer ter um escritório bonito”, começa por explicar à NiT. Assim, os arranjos de flores eram uma forma de tornar a sua casa num espaço mais agradável para passar os longos dias de trabalho.

oh maria
A loja abriu a 20 de setembro.

Naquele dia, o do seu aniversário, decidiu partilhar alguns stories na sua conta de Instagram para exibir os seus arranjos e o sucesso foi imediato. “Os meus amigos adoraram. No dia a seguir, uma amiga sugeriu que criasse uma página com as minhas flores e foi isso que fiz, a 18 de maio”, recorda.

Sem qualquer planeamento ou estratégia, fez uma conta para mostrar as suas flores e o projeto explodiu. Na Oh Maria, a flower designer autodidata decidiu começar a vender arranjos enquanto mantinha o seu trabalho a tempo inteiro. Montou em casa uma operação e preparou as entregas com a ajuda da mãe, a quem chama carinhosamente a sua “diretora de logística”. Cresceu tudo tão depressa que se despediu a 10 de julho para se dedicar inteiramente ao negócio.

“O Oh Maria começou porque eu não encontrava nada daquilo de que gostava em Portugal. A indústria das flores ainda é muito tradicional, para pessoas mais antigas. A malta da minha idade não encontrava uma cena mais cool”, afirma. Aquilo que diferencia este projeto dos outros é uma preferência pelo uso de flores naturais, frescas e secas, sem packagings de plástico ou fitas de aniversário.

Tudo o que faz tem um cuidado e uma atenção ao detalhe que são pouco comuns no mercado português. “A ideia é personalizar os ramos à imagem de cada cliente, peço sempre que descrevam a pessoa a quem querem oferecer as flores.” Quem quiser, pode comprar os ramos já feitos, que têm nomes de pessoas importantes na sua vida: às flores frescas deu nomes femininos e às secas, masculinos.

oh maria
Maria faz tudo com a ajuda da mãe.

À página de Instagram (onde já conta com mais de 11 mil seguidores) seguiu-se a inauguração de uma loja no dia 20 de setembro, depois de muitos clientes perguntarem onde podiam visitá-la. “No dia em que encontrei este espaço quis que fosse meu, até porque fica ao lado de uma loja de noivas”, recorda. No número 89 da Avenida João Crisóstomo, está agora com as portas abertas de segunda-feira a sábado (incluindo feriados), com a companhia da sua diretora de logística.

“Continuamos com as entregas ao domicílio e fazemos envios para todo o País. Isto é uma onda mais familiar, eu não quero mesmo abdicar de certas coisas.” Por querer manter o negócio o mais personalizado possível, não fechou ainda contratos com empresas de entregas e é a mãe que vai levar as flores à porta dos clientes.

O packaging é sempre feito à base de papel kraft e pode levar fitas de seda. Os preços dos arranjos começam nos 3,50€, mas tudo o que são pedidos especiais pode alcançar valores diferentes, sejam serviços de noiva ou decorações de espaços. “Eu não sou florista porque não vendo flores, só arranjos. É tudo muito falado comigo para ser feito à imagem de cada pessoa”, conclui.

oh maria
Usa flores naturais, secas e frescas.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm
Novos talentos

AGENDA NiT