Na Peanut Blu, em Lisboa, ninguém precisa de chegar com experiência artística ou sequer saber desenhar. Pode fazer um mosaico, pintar uma tote bag, experimentar aguarelas ou simplesmente escolher alguns materiais e descobrir o que acontece.
A ideia começou muito antes de o atelier abrir portas. Roxi Blu, de 30 anos, nasceu na África do Sul e passou vários anos a viver em diferentes países. Durante esse período, encontrou na arte uma forma de ocupar o tempo e começou a reparar que outras pessoas também gostavam de criar, mas sentiam vergonha de o fazer em público.
“Ia para cafés e desenhava. E tinha sempre pessoas a vir ter comigo e a dizer que gostavam de ter a minha coragem”, conta a fundadora à NiT. A partir daí, começou a imaginar um espaço onde não fosse preciso ter coragem para pegar num pincel.
“Pensei: ‘porque é que não temos estes espaços criativos, onde há materiais de arte disponíveis, toda a gente entra sem ser preciso ser bom nisso e simplesmente sentamo-nos e criamos o que quisermos?’”, explica.
Foi assim que a Peanut Blu abriu, 27 de maio, no número 18A da Rua Marcos Portugal, depois de quase dois anos de procura pelo espaço certo. Roxi chegou a Portugal há três anos, trabalhou como professora de inglês e depois educadora de infância, mas manteve a ideia de abrir um espaço próprio. Quando fez 30 anos, decidiu finalmente avançar.
O conceito divide-se em duas partes. Existem os workshops, que têm datas e horários definidos e exigem reserva, e os momentos de walk-in, em que basta aparecer no atelier sem marcação. Não existe um público único na Peanut Blu. Roxy diz receber muitas famílias, incluindo pais e filhos, que chegam para experimentar sem marcar antes. Já nos workshops, aparecem mães e filhas, irmãs, grupos de amigos e turistas.
Nestes últimos, há três packs criativos, com preços de 12€, 17€ e 23€. Cada um inclui diferentes materiais e dá acesso a uma hora e meia de criação livre. Não é preciso seguir um modelo nem terminar uma peça específica. Podem surgir colagens, pinturas, ímanes, porta-chaves ou qualquer outra peça que o visitante queira criar ou técnica que queira experimentar.
“Não estão limitados na quantidade que fazem ou no que fazem. Têm uma hora e meia para explorar, divertir-se e ser criativos”, explica Roxi. E o tempo também não tem um limite rígido. A fundadora explicou que se alguém estiver a terminar um projeto, pode ficar mais tempo para acabá-lo.
Por outro lado, nos workshops Roxi acompanha os participantes passo a passo e procura que todas as atividades sejam acessíveis a iniciantes. Todos os meses, a fundadora pergunta aos seguidores das redes sociais o que gostariam de fazer, recolhe sugestões e deixa que votem em algumas das propostas. O objetivo é criar atividades diferentes das que já existem em Lisboa.
Entre todas, o workshop de mosaicos tornou-se o mais popular. Foi, aliás, o primeiro que Roxi organizou e acabou por esgotar rapidamente. Desde então, regressa todos os meses. A razão para o sucesso pode estar no próprio processo, onde há cimento, peças pequenas e bastante trabalho manual. “Gosto do mosaico porque fica sujo, tens cimento por todo o lado e estás realmente a trabalhar com as mãos.”
Mas não é o único de que Roxi guarda boas memórias. Um dos favoritos recentemente foi um workshop de pintura de sacos. A atividade era mais simples, mas permitiu aos participantes desenharem os próprios padrões. “Gostei de ver muitas pessoas a criarem os próprios desenhos nos sacos e a divertirem-se com a pintura. E depois vê-las a sair com o saco que fizeram foi divertido.”
Ao longo dos últimos meses, já foram realizadas no espaço atividades como pintura de sacos, vasos, bolas de espelhos, pintura com parceiros e trabalhos com eco-resina. Algumas são organizadas em colaboração com outros projetos e artistas locais, como a So Sister Studio.

Ainda em agosto, o calendário inclui um workshop para criar brinquedos para cães, no dia 27, por 20€, e dois dias dedicados a suportes para velas em eco-resina, a 29 e 30 de agosto, por 25€.
Em setembro, há uma Sip & Paint Date Night a 2 e 30 de setembro, por 25€, e uma noite de Collage & Sip todas as quintas-feiras, por 15€. Também estão previstos workshops de bordado de cadernos e sacos de pano, renovação de molduras, estampagem de panos de cozinha, tapeçaria com missangas e eco-resina. Os preços variam entre os 20€ e os 27€.
O mosaico regressa a 19 de setembro, por 25€, enquanto a Mini Disco Ball Workshop, em colaboração com a So Sister Studio, acontece a 13 de setembro e custa 50€.
Mais do que ensinar técnicas, Roxi quer combater a ideia que encontra frequentemente entre os adultos de que não são suficientemente bons para fazer arte. “Há muitas pessoas que vêm ao estúdio porque estão curiosas e depois vão embora porque dizem que não são boas em arte”. Para a fundadora, essa é precisamente uma das maiores barreiras que quer quebrar.
A experiência enquanto professora ajudou-a a perceber a diferença entre crianças e adultos. “Se deres qualquer coisa a uma criança para fazer arte, ela simplesmente faz. Experimenta e explora.”
É uma liberdade que, segundo Roxi, se perde com a idade. “Como adultos, dizemos a nós próprios que não vamos ser bons em alguma coisa e então não fazemos.”
Há ainda uma história pessoal por detrás do nome do espaço. Roxi Blu cresceu numa pequena aldeia na África do Sul e, quando era criança, tinha cabelo ruivo. A família começou a chamá-la de “Peanuts”, uma alcunha que ficou ao longo dos anos.
“Até hoje é o mesmo nome que a minha família e algumas das pessoas mais próximas da minha vida me chamam”, explica. Foi assim que decidiu juntar a alcunha ao próprio nome e chamar ao projeto Peanut Blu.
Por enquanto, Roxi está satisfeita com a dimensão do atelier, que considera confortável e adequada para esta primeira fase. No futuro, porém, gostava de ter uma área maior. “Gostava de ter um espaço muito maior onde pudesse ter diferentes artistas a fazer projetos ao mesmo tempo, enquanto também tenho walk-ins”, explica. A ideia seria criar diferentes zonas para diferentes tipos de criatividade.
Carregue na galeria para conhecer o espaço e alguns dos trabalhos feitos na Peanut Blu.








