Decoração

Primeira casa portuguesa impressa em 3D vai ser construída a meia hora de Lisboa

A empresa consegue produzir 45 metros quadrados de paredes em 20 horas. Os preços começam nos 400 mil euros.
Vai poder viver numa casa assim.

Há poucos anos ainda poderia parecer uma ideia saída de um filme de ficção-científica. Quando o engenheiro norte-americano Chuck Hall criou uma máquina para prototipar produtos rapidamente, em 1984, ninguém pensou que a tecnologia continuaria a evoluir até permitir criar uma habitação inteira em tempos recorde.

A verdade é que já vimos esta realidade lá fora e, agora, vai chegar ao nosso País. A primeira casa portuguesa criada com recurso a uma impressora 3D está a ser construída em Portela da Villa, em Torres Vedras, pela Litehaus. A empresa quer usar a tecnologia para produzir até 45 metros quadrados de paredes em apenas 20 horas — e chegar às 100 casas por ano.

“Vivo em Portugal há seis anos e fiz uma série de projetos imobiliários de luxo. É uma paixão minha porque venho de uma família no setor, mas queria algo mais inovador e sustentável”, conta à NiT a gestora Simi Launay. “Tenho interesse na habitação acessível, comecei a pesquisar formas de otimizar um terreno.”

Uma das grandes vantagens das casas impressas em 3D e modulares está na relação entre a velocidade de construção e o custo por metro quadrado. O objetivo é construir residências “70 por cento mais rápido e 20 por cento mais baratas”, ao mesmo que contribuem para redução das emissões e um menor consumo de energia no seu fabrico.

“Outra mais-valia é o design, porque é possível ter construções mais interessantes do ponto de vista arquitetónico, devido à forma como se imprime as paredes”, sublinha. “Queremos erguer residências que simbolizam a elegância e o minimalismo harmonizados com a beleza de Portugal.”

Para criar a primeira unidade residencial, o processo começou pelo recurso a tecnologias, como a inteligência artificial, para renderizar a imagem. Do ponto de vista técnico, as fundações para a impressão 3D “são as mesmas para qualquer casa”, refere. “É preciso ter um terreno e uma base sólida para fazer a obra.”

“Depois, temos uma máquina de impressão 3D visível que imprime de forma quase instantânea os elementos”, acrescenta. Atualmente, as estruturas em 3D da Litehaus são construídas numa fábrica em Valência, em Espanha, enquanto a estrutura modular vem de uma fábrica no norte de Portugal. O objetivo é concentrar tudo no nosso País até ao final do ano.

A nível dos materiais, as escolhas são muito semelhantes às de uma moradia tradicional. As paredes são feitas com um cimento oriundo de França, escolhido especificamente por implicar uma pegada carbónica menor, e exige uma preocupação com um isolamento térmico superior à média devido ao uso de capoto.

A localização do projeto-piloto foi uma escolha estratégica. “Fica a 40 minutos do centro de Lisboa, que se tornou densamente povoada. Durante a pandemia, vimos um fenómeno de pessoas a quererem mudar-se de apartamentos para casas na periferia e Torres Vedras está a desenvolver-se, tem boas comunidades e a qualidade do ar é fantástica”, frisa.

Contudo, explica Simi, está prevista a construção de um complexo com 13 casas na mesma cidade, seguindo os mesmos moldes. Os preços vão variar entre os 400 e os 700 mil euros, consoante a tipologia escolhida — vão de T1 a T4, sendo que as casas com um só piso podem ficar abaixo destes valores.

A previsão da Litehaus é que a primeira casa em 3D fique concluída no segundo semestre deste ano. Porém, a equipa já está “a explorar oportunidades no que toca a identificar terrenos em todo o País”, como no Algarve, no Porto ou em Melides. “Estamos a trabalhar com proprietários de terrenos para parcerias em terrenos que podem chegar aos 100 hectares”, conclui.

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