Decoração

Que sonho: aqui está a casa mais espetacular e original de Braga

O projeto é da autoria da AZO Arquitectos e esconde uma solução super criativa para iluminar as partes mais sombrias da casa.
(Foto: Nélson Garrido)

É um pequeno pormenor escondido, invisível a quem passa na rua, mas um motivo de orgulho para os donos e, sobretudo, para os criadores do projeto. Como é que uma casa incrustada num terreno em declive consegue ter duas frentes? O segredo desvenda-se do ar.

Nas traseiras da casa nasceram umas pequenas rampas que permitem que a luz entre também nas divisões interiores da casa desenhada pela AZO Arquitectos. Uma experiência que haviam repetido em dimensões mais pequenas noutros projetos e que se mostrou a solução perfeita para a moradia concluída em 2017.

“Tínhamos feito uma experiência mais pequena noutra casa, para fazer chegar a luz a uma cave usando essa geometria. Ali decidimos ampliar o uso dessa técnica e acabou por ser o conceito mais marcante do projeto, fazendo chegar a luz ao interior pelo lado menos provável”, explica à NiT Mário Sequeira, responsável pelo projeto na freguesia de Espinho, Braga.

Fora esta particularidade, o pedido inicial da família de quatro elementos foi “clássico”. Seria uma moradia instalada num terreno de 3.500 metros quadrados, com um total de quatro quartos. “Queriam uma casa com muita transparência, estavam apreensivos porque o terreno estava rodeado de árvores. Foi logo um dos maiores desafios.”

Foi outro dos elementos presentes no terreno que moldou e inspirou o projeto: uns enormes rochedos graníticos. Até para manter uma uniformidade nas cores, Mário Sequeira optou pelo betão.

“Quando vimos que os maciços rochosos eram granito cinza, sentimos que a casa devia ter uma materialidade que se lhes aproximasse. E o betão era a solução que melhor desempenhava essa função de integração”, explica. “Fazia sentido ter um elemento em betão e vidro a sair do terreno.”

A crueza do betão deu o ponto de partida para a escolha do resto dos materiais, que coincidem com a preferência do arquiteto por “materiais em estado bruto”, com acabamentos mais naturais e originais. “Foi essa a linha orientadora da parte dos materiais.”

Escolheram, portanto, o português calcário de Ataija, uma “pedra cromaticamente semelhante ao betão”, para fazer a ligação. Caixilharias de perfil “reduzido e minimalista” e, no interior, um pavimento em riga nacional. “Queríamos muita uniformidade a nível de cor, pontuar com pavimento de madeira e depois que fosse o mobiliário a desenhar o resto.”

(Foto: Nélson Garrido)

No piso superior da moradia, o mais amplo e luminoso, existe uma suite, dois quartos, um escritório e uma zona de estar, de jantar e a cozinha — num total de cerca de 300 metros quadrados. O piso inferior, mais pequeno com 150 metros quadrados, está reservado para as áreas mais utilitárias como o hall de entrada, um quarto de hóspedes, a garagem, lavandaria, zona técnica e uma sempre valiosa garrafeira.

O momento mais complicado do projeto? Mário Sequeira aponta para a dificuldade técnica na escolha do ponto certo em que a casa, em formato de paralelepípedo, deveria fazer a interseção com o terreno em declive. Pode parecer um detalhe técnico, mas é mais do que isso.

“É no encontrar desse ponto certo que permite criar as entradas de luz nas traseiras. É um ponto ideal, com pouca margem de manobra, mas é a parte mais importante. É a combinação muito prática entre a parte técnica e artística da arquitetura.”

Carregue na galeria para ver mais imagens deste projeto inspirador de arquitetura.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT