Decoração

Uma das casas mais cool de Portugal fica em Celorico de Basto

A Casa do Vale dos Sobreiros é um projeto do arquiteto local Hugo Pereira — que é também o sortudo dono da moradia.
Foto: Ivo Tavares Studio

Qual é o maior desafio que um arquiteto pode enfrentar? Para Hugo Pereira, a resposta está na ausência de limites. Foi o obstáculo que teve que ultrapassar quando decidiu projetar a sua casa de sonho.

Sem os habituais pedidos e restrições dados pelos clientes, era necessário preencher a tela branca — neste caso, um terreno desnivelado, marcado por sobreiros e por uma vista sobre a Serra do Marão. Só com muita contenção é que o projeto se fez.

“Nós, como arquitetos, temos várias influências e por vezes queremos transportar muita coisa para o papel, mas acabamos por ter que minimizar a coisa, senão atingirmos um ponto absurdo”, explica à NiT o responsável pelo projeto da Casa do Vale dos Sobreiros, em Celorico de Basto.

Hugo e a mulher já andavam de olho no terreno há algum tempo. Decidiram avançar e coube ao arquiteto de 38 anos desenhar o projeto. O primeiro limite foi traçado à partida: manter a envolvência intocada, até porque estavam proibidos de derrubar quaisquer sobreiros.

A inspiração nasceu sobretudo nos pequenos apontamentos do terreno, nos desníveis dinâmicos, nos tons e na textura dos sobreiros. Mas antes de acertarem na fórmula final, foram necessários alguns avanços e recuos.

Apaixonados por pés direitos duplos e triplos, rapidamente perceberam que a sua construção seria inviável. “Começamos por dar altura à habitação, a desenvolver mezaninos, mas percebemos depois que aquele terreno pedia algo mais calmo, mais baixo, que passasse mais despercebido”, recorda. “Fizemos uma transformação radical ao projeto.”

Foto: Ivo Tavares Studio

O telhado adotou a ondulação do terreno e passou a replicar as linhas ascendentes e descendentes. Nos tons e nas texturas, Hugo quis replicar “a cor do sobreiro”, através do betão cofrado e pigmentado que reveste as paredes da casa.

A rasgar a opção por uma altura mais baixa, está a divisão única que se suspende sobre a entrada, com duas das fachadas totalmente envidraçadas para dar “uma visão panorâmica”. “O terreno faz, nessa zona, um pequeno avanço e inclina bastante. Embora esse corpo esteja mais alto, vai buscar a cota do terreno posterior. Visto lateralmente, segue o terreno”, nota o sócio da Hugo Pereira Arquitetos.

Além do betão, uma das grandes paixões de Hugo, apostou-se também na madeira de ébano e em tons mais escuros. Do plano inicial caiu também a vontade de usar microcimento para o chão. “Tive receio que fosse um exagero”, confessa. A escolha recaiu sobre a cerâmica antracite.

No exterior, salta à vista a comprida piscina que acompanha o jardim exterior, delineado pela casa em duas fachadas: de um lado, as três suites; do outro, o open space que compreende as salas de estar, de jantar e a cozinha. No centro de tudo isto, com vista desafogada, está o jardim.

Foto: Ivo Tavares Studio

O espaço social da casa fica também marcado por um apontamento especial: o móvel comprido que adota também ele o movimento dinâmico da casa e, por conseguinte, do terreno. “Nas madeiras, optamos por lacados brancos em zonas de mais calma, e dois móveis de madeira de ébano para funcionarem como peças decorativas”, conta.

De todas as exigências que fez a si próprio, revela que apenas fez questão de manter alguns detalhes mais rústicos, menos “perfeitinhos”. Aponta para o betão: “Pedi ao construtor para nem sequer se preocupar muito com ele. Queria poder ver os buracos, queria algo o mais natural possível.”

Com uma dimensão total de 330 metros quadrados, a casa em Celorico de Basto começou a ser projetada em 2015. Foi concluída cinco anos depois, já em 2020, e ficou assim: uma casa digna de um filme. Carregue na galeria para ver mais imagens.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT