Decoração

Woody: o premiado cavalo de baloiço português que “dá alma” ao quarto dos miúdos

A proposta minimalista resiste ao teste do tempo. É uma peça de autor fabricada integralmente em território nacional.
Os miúdos vão adorar.

Rui Tomás tinha 34 anos quando se apaixonou pela criação de peças de autor. Entre as “geometrias simples” e o “design inteligente”, começou a construir o seu estilo pessoal inspirado por uma série de criadores com os quais se identificava. “Gostava de coisas que pareciam elementares, mas com uma grande atenção ao detalhe”, conta à NiT.

Após quase duas décadas como designer gráfico em multinacionais, o artista, atualmente com 47 anos, decidiu mudar de rumo. Em 2012 formou-se em design de produto na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, e começou a estudar novas formas de materializar a sua visão.

Antes de lançar a primeira peça, Rui Tomás ambicionava criar algo tão simples como enigmático. E conseguiu.

“Como é que é montado?”, perguntam muitos clientes sobre o Woody, uma reinterpretação minimalista do clássico cavalinho de baloiço. Fabricado polietileno e madeira de carvalho, apresenta um design depurado que se adapta facilmente a qualquer casa.

Embora só tenha chegado ao mercado em janeiro deste ano, a criação de Rui Tomás começou a somar prémios logo em 2019, quando começou a ser idealizada. O German Design Award e o Red Dot Award — onde foi destacada a junção entre a funcionalidade e o valor estético da peça — foram duas das distinções que recebeu.

“Tinha muita vontade de reinterpretar um clássico e, com filhos e cavalinhos de brincar em casa, a ideia acabou por surgir”, recorda. “Não o desenhei para um cliente, nem para nenhuma marca. Surgiu da vontade de explorar as minhas capacidades como designer.”

O nome, definido para chegar ao mercado internacional, junta o melhor de dois mundos. Por um lado faz referência ao material usado na construção (“wood” significa “madeira”, em inglês), mas também “tem um nome mais aventureiro e personalizado”, que podia ser atribuído a uma personagem de um filme.

Combina com qualquer divisão.

O designer já tinha começado a desenhar os esboços do Woody quando foi desafiado por uma marca a trabalhar com um compósito muito usado em tampos de cozinha chamado Corian, criado pela DuPont. Quando aceitou o desafio, o cavalinho começou a ganhar o aspeto mais ligeiro que o caracteriza.

“Inspiro-me nas tecnologias com que trabalho e, neste caso, foi o material. Utilizo muito a madeira, com uma forte de componente de marcenaria, chapas metálicas e burel”, explica Rui, que trabalha como diretor criativo da marca portuguesa Burel Factory desde 2020.

Despretensioso e inspirado no estilo escandinavo, o Woody conta com linhas curvas que lhe conferem mais resistência e estabilidade. O desenho minimalista é uma reinterpretação minimalista da silhueta que todos associamos a um cavalo. Embora não inclua a tradicional representação da cabeça, é imediatamente identificável.

“A peça branca funciona como cela”, detalha Rui Tomás. “Até quem está ligado ao mundo da produção se questiona como as barras de madeira atravessam o ‘corpo’ do cavalo. Apesar da aparente simplicidade, uma análise mais detalhada aos parafusos e fixações usados para fazer os encaixes revela a complexidade da peça.”

E o que torna a peça tão especial? Além da qualidade — estão aqui investidos cerca de dois anos —, o design minimal irá perdurar no tempo. “É visualmente simples agora e daqui a 50 anos. Tem capacidade de se adaptar a qualquer divisão e, graças à durabilidade, poderá ser passado de geração em geração.”

Cada unidade é lixada à mão, uma a uma, por todo o perímetro. Embora tenha “um ar de produção em série”, envolve muito trabalho manual, uma vez que o polietileno exige muita precisão no acabamento. Os melhoramentos ao protótipo inicial só terminaram em novembro do ano passado, sendo que as primeiras fases da produção são asseguradas por uma fábrica nacional. 

Sem falsa modéstia, Rui admite que sempre considerou que o Woody tinha potencial para ser distinguido pelos seus pares. E, aos poucos, começou a candidatar-se a prémios internacionais de design. “Foi uma alegria imensa receber o reconhecimento que valida o trabalho de empresas e designers em todo o mundo. É uma honra.”

Porém, não eram apenas os técnicos que viam valor no cavalinho. “Era interpelado muitas vezes por pessoas que o queriam comprar e perguntavam-me onde o podiam encontrar à venda. E agora está disponível”, conclui. “Envolveu muito trabalho de divulgação da nossa parte e a procura está a corresponder às expetativas.”

Apesar do sucesso, o designer não quer ficar por aqui. “Tenho estado a desenvolver projetos ligados a produtos com burel, mas ainda há muito que gostava de explorar. Quero colocar no mercado outros artigos para dar alma às casas e que consigam tocar as pessoas.”

O Woody é integralmente produzido em Portugal e está disponível online. Custa 244€. 

Carregue na galeria para conhecer outras peças criadas por Rui Tomás.

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