Lojas e marcas

A gravidez como obra de arte. Esta marca eterniza as barrigas com esculturas personalizadas

A Forma Viva cria peças a partir do corpo das grávidas, com diferentes materiais e acabamentos em bronze, cobre e estanho.

Joana Gouveia e Alexandre Serra vivem, há vários anos, nos Países Baixos mas decidiram voltar para Portugal em breve. Na bagagem, trazem a saudade de casa, a experiência de morar fora e um projeto que pretendem continuar por cá. Chama-se Forma Viva e inspira-se nos momentos mais importantes das famílias. O conceito passa por desenvolver esculturas do corpo feminino durante a gravidez, em bronze, cobre ou outros acabamentos.

“A minha primeira gravidez foi super tranquila, mas senti que não tenho recordações, ou seja, não tirei muitas fotografias, não fiz nada e depois do nosso filho nascer senti falta disso”, conta Joana à NiT. Assim, a marca parte do arrependimento da própria fundadora por não ter eternizado o tamanho da barriga e a transformação do corpo, para conseguir dar essa possibilidade a outras grávidas.

“Tive uma segunda gravidez mais complicada, o que influenciou ainda mais procurar formas de registar e recordar”, recorda. Nos Países Baixos, Joana descobriu a possibilidade de criar uma estátua do próprio corpo durante o último mês de gestação. A experiência marcou-a e inspirou o casal a pensar num negócio próprio para desenvolver em Portugal. “Adorei a experiência. Sinto que é uma memória muito forte, que tenho em casa, da minha gravidez”, conta. 

A ideia avançou quando perceberam que este tipo de serviço ainda não existia no mercado português. “Pensámos: vamos levar isto para Portugal e ver se as pessoas também estão interessadas numa escultura assim”, explicou o casal, com 33 anos.

Como é feita a escultura?

O processo de criação da peça decorativa começa com uma sessão personalizada, durante a qual é feito um scan tridimensional do corpo. A tecnologia permite criar um mapa em 3D através de uma volta de 360 graus, registando as formas da mulher naquela fase específica da gravidez. A cliente pode optar por reproduzir apenas determinadas partes do corpo ou uma figura mais completa, consoante aquilo que pretende guardar.

Mas o encontro não serve apenas para fazer o scan. A sessão demora cerca de uma hora e é também o momento em que as futuras mães conhecem alguns exemplos físicos e começam a escolher os detalhes da futura escultura.

O projeto terá algumas as primeiras sessões presenciais em Portugal entre 14 e 19 de setembro. Joana virá ao País, durante esses dias, de propósito para realizar os scans e reunir-se com as clientes, com deslocações previstas para Coimbra, Porto, Lisboa e Algarve.

A opção das visitas ao domicílio não foi escolhida por acaso. Além de muitas clientes estarem numa fase avançada da gravidez, sem facilidade para grandes deslocações, o casal acredita que a experiência deve acontecer num ambiente confortável. “É uma parte da vida muito especial e um momento muito privado”, explica Alexandre.

As clientes podem decidir como querem ser registadas e não há uma única forma certa de viver a experiência. Podem estar vestidas ou sem roupa, consoante aquilo que lhes fizer mais sentido.

Depois de recolhido o scan, Joana trata da edição digital e aperfeiçoa os últimos detalhes do modelo, antes de seguir para produção numa oficina situada nos Países Baixos onde uma equipa especializada dá forma às peças. O processo completo demora entre dois e quatro meses, dependendo do tamanho, material e acabamento escolhidos. “Há toda a parte da produção feita à mão. Desde o momento em que a estátua é feita, depois tem de ser lixada, pintada e tudo isso é feito manualmente”, sublinha Alexandre.

Apesar de a produção física da peça ficar a cargo da oficina, Joana e Alexandre acompanham todo o processo e mantêm o contacto direto com as clientes. “Vamos acompanhando a criação das esculturas e informando o cliente quanto ao progresso”, explica o fundador à NiT.

Cada peça passa ainda por vários testes de controlo de qualidade, incluindo uma última verificação antes de ser entregue ao casal. Só depois de aprovada é enviada ou entregue às clientes. No fundo, procuram “garantir a produção de qualidade, mas também dar importância à relação com o cliente”, dando a conhecer o negócio. 

Loja em Portugal abre em novembro

As sessões realizadas setembro têm um objetivo estratégico, uma vez que cada escultura demora vários meses a ser produzida, permitindo que as primeiras clientes recebam as peças pouco tempo depois da abertura oficial da Forma Viva em Portugal. 

O espaço físico da marca abre a 19 de novembro, em Coimbra, e funcionará como estúdio e espaço de exposição. Além de poder receber clientes para realizar novas sessões, permitirá mostrar presencialmente as esculturas já desenvolvidas. Será também uma oportunidade para conhecer os diferentes tamanhos, materiais como resina e o metal, e ainda os acabamentos coloridos, brilhantes ou mate, antes de avançar com uma encomenda. Aspetos importantes num projeto que depende de várias decisões.

“Depois de pegarem numa estatueta, verem o detalhe, a forma e o peso e perceberem como se sente aquilo na mão, é uma experiência completamente diferente”, diz Alexandre.

O espaço permitirá ainda que cada cliente perceba melhor as diferentes possibilidades de personalização e combine os vários elementos disponíveis para criar uma peça ao seu gosto. O modelo continuará, no entanto, a ser híbrido. As sessões poderão acontecer em Coimbra, mas Joana e Alexandre pretendem manter as visitas ao domicílio, sobretudo para facilitar o processo às grávidas.

A possibilidade de personalização começa logo na escolha da escultura e continua nos materiais e acabamentos disponíveis no site. No topo da oferta está o bronze fundido (679€), uma peça totalmente produzida neste material e pensada como a opção com mais durabilidade da Forma Viva. “É um material que evolui ao longo do tempo. Com a exposição ao ar, a cor vai mudando ao longo dos anos”, explica Alexandre.

Existe também uma categoria premium (369€), em que a escultura não é totalmente fundida em metal, mas recebe um revestimento exterior. Há opções inspiradas em materiais como cobre, bronze ou estanho, permitindo alcançar uma aparência semelhante às versões mais exclusivas com um valor mais acessível.

A terceira categoria é a clássica (229€), que inclui diferentes pinturas. Algumas peças recebem um tratamento mais simples, enquanto outras são trabalhadas à mão e podem apresentar efeitos brilhantes, dourados, prateados ou outros acabamentos decorativos.

É precisamente essa variedade que permite à Forma Viva criar diferentes combinações e packs, adaptados às preferências de cada mãe. Para Joana e Alexandre, o objetivo nunca foi apenas criar um objeto decorativo. O projeto nasceu da vontade de transformar uma fase temporária numa memória física que pode permanecer durante décadas.

Ainda há vagas para as sessões entre 14 e 19 de setembro. A inscrição faz-se através do site da marca. 

Carregue na galeria e descubra algumas das esculturas já desenvolvidas e acabamentos possíveis. 

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