Lojas e marcas

A Hirundo é a nova marca de sapatilhas sustentáveis feitas inteiramente em Portugal

Caso ainda restem dúvidas, sim, ela também prova que é possível fazer modelos giros que são amigos do ambiente.
As sapatilhas.

Apesar do nome parecer estranho é, na verdade, de origem latina e significa andorinha. A escolha não foi feita ao acaso, mas porque existem paralelismos entre estas aves migratórias e os fundadores da marca. Assim como estes pássaros retornam a território nacional, ano após ano, durante a primavera, também Eduardo e Filipe Serzedelo o fizeram. Depois de algum tempo a trabalhar fora, em países como o Brasil ou a Inglaterra, retornaram às origens. Agora e, em parceria com outros dois sócios, Pierre Stark e Ann Massal — os quatro com idades compreendidas entre os 36 e 50 anos— , decidiram lançar a Hirundo. Uma marca de sapatilhas feitas inteiramente em território nacional e de forma sustentável.

“Sempre gostámos muito de sapatilhas e sapatos”, começa por explicar à NiT, Eduardo Serzedelo. “A ideia de lançar a marca veio por paixão e foi crescendo quase sem estrutura nenhuma na minha cabeça. Surgiu há algum tempo, e foi um processo longo até ganhar forma. Na altura, ainda não tinha nome, mas já sabia que [em parceria com os sócios] queríamos fazer umas sapatilhas, relativamente minimalistas, com uma identidade própria, e que fossem sustentáveis. Andámos um ano à procura de fornecedores que nos pudessem dar o que nos precisávamos, aqui, em Portugal. Com a exceção de um apontamento de camurça, conseguimos. Das peles, às palmilhas, aos componentes interiores que não se veem, tudo é feito cá.”

Com uma indústria tão desenvolvida como é a portuguesa nesta área, um ano pode até parecer algum tempo. No entanto, quando se trata do lançamento de uma nova marca, especialmente, uma que só usa materiais sustentáveis essa regra não se aplica. “É fácil encontrar pele portuguesa que seja sustentável, mas é dispendiosa. Diria que esta é grande dificuldade. Produzir em Portugal com componentes estrangeiros ou que não sejam sustentáveis já é caro. Juntar a isto elementos e materiais nacionais ainda é mais caro. Mas valeu a pena.”

O modelo está disponível em 11 combinações de cores diferentes.

Eduardo era advogado no setor financeiro e não tinha qualquer tipo de experiência na área. Avançou para a criação das sapatilhas com ajuda do irmão e dos seus sócios — todos com experiência na área da beleza. No mês de agosto, apresentaram os modelos pela primeira vez através de uma plataforma de crowdfunding. “Criámos o Kickstarter por duas razões: primeiro porque nos permitiu ganhar maior visibilidade. Logo no primeiro mês vendemos 35 mil euros, o que, para uma marca que não existia e com mais de 50 por cento dessas vendas a virem do estrangeiro, não está mau. E segundo, porque em termos de sustentabilidade e de modelo negócio, faz sentido. Produzimos pares só depois de os vender e assim evitamos fabricar em excesso.”

A preocupação da marca portuguesa com a sustentabilidade é real, e não termina aqui. Com o objetivo de tornar esta indústria mais circular, querem também, futuramente, fechar o ciclo de vida das sapatilhas. Como? Reciclando as suas componentes. “É um processo no qual ainda estamos a trabalhar. Tecnicamente todos os materiais que usamos são recicláveis e podem ter uma segunda vida. A dificuldade é a logística disso. Porque se as pessoas deitarem as sapatilhas no lixo, já não dá. Então para a segunda metade de 2022, vamos tentar por em prática um sistema de recolha, sensibilizando os clientes para este problema,” avança Eduardo.

A marca conta ainda com três certificados que distiguem as boas práticas da empresa: um da Leather Working group, que garante que a pele usada é de origem “fair trade”; outra da Sociedade Ponto Verde, que assegura que todas a emissões de carbono são abatidas em plantações de árvores em Portugal. E ainda um terceiro, o B Core — que está “pendente” por ser atribuído apenas a etiquetas com mais de 12 meses de existência — que valida que em todas as ramificações da empresa, os colaboradores e fornecedores tem as condições laborais garantidas.

As sapatilhas — com um design super clean e muito cool — estão disponíveis em 11 combinações de cores diferentes no site IndieGoGo, por 99€.

Carregue na galeria para conhecer melhor este modelo unissexo da Hirundo.

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