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Lojas e marcas

A nova casa para a moda ucraniana em Lisboa mistura moda e decoração de leste

O espaço da AJ13 fica em Campolide. Para Anastasia, mostrar o trabalho destes criativos é falar sobre a guerra.

Anastasia Bilous nunca se considerou uma refugiada. No entanto, entre alertas aéreos, ataques de mísseis e apagões, foi acompanhando, de perto, todas as mudanças na moda ucraniana após o início da guerra. Nas maiores cidades, como Kiev, tornou-se comum as equipas de confeção ficarem escondidas em abrigos anti-bombas.

Hoje em dia, “continua a ser difícil planear a produção porque pode acontecer um ataque a qualquer momento”. A jornalista, de 28 anos acrescenta que “muitas marcas foram obrigadas a deixar o país e perderam o stock”. 

Graças a este cenário, Anastasia decidiu que era importante mostrar o trabalho destes criativos. Em 2024, após dois anos a viver em Portugal, começou a dedicar-se a esta missão com a inauguração do primeiro showroom dedicado exclusivamente a designers ucranianos.

Mas não se ficou por aí. O projeto cresceu tanto que, a 24 de março, cumpriu o objetivo de levar esta mostra para um espaço maior. O novo ponto de venda da AJ13 fica em Campolide, a poucos minutos do Parque Eduardo VII, em Lisboa, com uma seleção que junta moda e decoração.

“Para a nossa pequena equipa, este passo representa um marco importante”, confessa à NiT, sobre a nova conquista. “Preparámos este novo espaço com inspiração e gratidão para com nossos clientes e também com respeito pelos nossos parceiros, os melhores designers ucranianos.”

 
 
 
 
 
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A vinda para Portugal

A mudança de Anastasia não estava prevista. Veio ao nosso País em 2022 para passar o verão, mas o estilo de vida — com o “espírito amigável das pessoas” e a proximidade do mar — e o facto de ter conhecido o atual noivo levaram-na a prolongar a estadia. “Queria tratar de mim emocionalmente”.

Além das oito edições anuais que faz para versão ucraniana da revista ‘Elle’”, onde trabalha há cerca de uma década, também fez trabalhos como stylist ou relações-públicas de marcas ucranianas noutros países. Desde cedo, começou a colaborar com retalhistas e a aprender sobre o mercado.

“Sou uma grande fã e cliente destes artistas. Adoro usar as suas peças e, acima de tudo, falar sobre eles”, diz, acrescentando que sempre quis destacar estas etiquetas na página da publicação.

A ideia do projeto começou a desenhar-se há dois anos, numa edição da ModaLisboa que acolheu a iniciativa Suppport Ukranian Designers Initiative, no âmbito do protocolo entre a Associação ModaLisboa e a Ukrainian Fashion Week — que não se realiza no país desde o início da invasão russa.

A AJ13 nasceu apenas com três categorias: roupa, carteiras e acessórios, todas com produção 100 por cento ucraniana. Porém, já existe também uma oferta alargada de propostas de decoração, com destaque para a cerâmica, com opções “enraizadas nas antigas tradições ucranianas de sopro de vidro” e onde nunca há duas formas iguais.

Anatasia a usar marcas do showroom.

O resto do catálogo divide-se entre etiquetas que trabalham com a tradição, a partir de trajes típicos como as vyshyvankas, e estilistas mais contemporâneos, já representados em semanas da moda internacional. Um dos desafios de Anastasia foi encontrar este equilíbrio, mantendo o ADN ucraniano.

“A moda ucraniana é marcada por muita experiência e por esta compreensão do meio-termo entre o que é artístico e o que é comercial”. A fundadora continua: “Muitos concentram-se na criatividade e a nossa forma de trabalhar é entender como vender estes objetos únicos.”

Destacam-se etiquetas focadas no upcycling de jeans como a Kseniaschnaider, a Etnodim, conhecida pelas roupas bordadas inspiradas na herança ucraniana ou as silhuetas modernas da Gunia Project, que tem propostas casuais ou para ocasiões especiais, tanto para mulheres como para homens.

A AJ13 — que junta o número da sorte de Anastasia à sua inicial e à do noivo, Jan Cartenmayer — é também um reflexo do street style da Europa de Leste. “Os stylists gostam de combinar peças vintage com artigos mais modernos”, explica. Uma mistura que também quis trazer para a loja.

À semelhança do showroom, o novo ponto de venda é um espaço bastante simples e clean para dar destaque a estas propostas. Cada etiqueta tem o seu espaço, mas sempre com um toque ucraniano através dos tradicionais tapetes das montanhas ou dos nichos escolhidos, vistos em Kiev.

Nos próximos meses, a oferta vai continuar a aumentar e reunir outros negócios que, quatro anos após o início das invasões russas, ainda atravessam um período complicado.

“Para mim, é importante conhecer a história por trás do projeto. Todos foram criados durante a situação da guerra”.

A AJ13 ainda não tem site, mas todas as peças podem ser encontradas no espaço físico. Os preços começam nos 45€.

Carregue na galeria para conhecer algumas das propostas disponíveis.

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