Lojas e marcas

A nova loja de Campo de Ourique tem tudo para quem gosta de bem receber à mesa

A Ginga abriu em setembro com o conceito de hosting shop. O espaço tem cerâmica pintada à mão, velas coloridas e todo o tipo de objetos para ser considerado um bom anfitrião.

Preparar a mesa pode ser muito mais do que escolher pratos e copos. Na Ginga, em Campo de Ourique, a ideia é transformar esses pequenos detalhes numa parte da experiência, seja para preparar um jantar especial ou levar qualquer coisa bonita quando se é convidado para a casa de alguém.

O espaço abriu a 10 setembro na Rua 4 de Infantaria e nasceu da parceria entre Glaucia Machado, de 31 anos, e Raquel Souza, 33, que vivem no bairro e decidiram juntar os seus universos profissionais. Glaucia vem da área da gastronomia, enquanto Raquel é a fundadora da Valsa, uma marca portuguesa de cerâmica pintada à mão que começou em 2023.

Quando Raquel viu o espaço, percebeu que podia fazer mais sentido transformá-lo em algo maior do que a Valsa. “Percebemos que daria para ser mais do que só o lugar de uma marca. Então decidimos juntar-nos”, conta.

A ideia deu origem à Ginga, uma loja pensada para tudo o que envolve preparar a mesa. O próprio conceito resume-se numa frase que as fundadoras gostam de repetir: “O anfitrião tem que estar sempre preparado e o convidado nunca pode chegar de mãos vazias.” É como se fosse um princípio para a seleção da loja, que inclui, de um lado, objetos para a mesa, e do outro produtos de mercearia, bebidas, livros, velas e flores. Tudo pode ser usado em casa ou transformado num presente.

Antes de existir a Ginga, já existia a Valsa. A marca de Raquel nasceu em 2023 com a proposta de recuperar a tradição portuguesa da cerâmica pintada à mão, mas através de desenhos mais contemporâneos e combinações menos previsíveis. “As peças são todas feitas aqui em Portugal e são pintadas à mão. O conceito da Valsa é manter a tradição de pintar à mão, mas trazer um design mais moderno”, explica.

A diferença está sobretudo na forma de combinar as peças. Em vez de criar serviços completamente iguais, a Valsa aposta em padrões que podem ser misturados, com cores diferentes e desenhos que não se repetem. “A ideia é ser mais bagunçada. É a ideia de misturar as peças. Brincamos com as cores, mas nunca repetimos os mesmos padrões, e valorizamos muito o clássico do pintado à mão, da tradição portuguesa.”

Na Ginga, quase toda a cerâmica é da Valsa, mas as peças aparecem lado a lado com outros objetos escolhidos pelas fundadoras. Há saleiros, manteigueiras, travessas, copos e diferentes artigos para a mesa, pensados para serem usados em conjunto ou combinados de forma mais descontraída.

Os pratos da Valsa são vendidos individualmente, um prato de jantar custa 41€, enquanto um prato de sobremesa fica por 36€. A lógica é que ninguém tenha de comprar um serviço inteiro para renovar a mesa, é possível começar por uma única peça e ir construindo uma coleção ao longo do tempo.

O espaço foi pensado pelas próprias fundadoras, que têm experiência em arquitetura e design de interiores, e há uma diferença bastante evidente entre os dois pisos. O andar de cima é predominantemente branco, para deixar os produtos ganharem protagonismo. Já o piso inferior foi completamente pintado de amarelo, a cor associada à identidade da Ginga. “Queríamos que fosse um ambiente mais convidativo e mais divertido”, explicam.

A mudança de ambiente é também uma das surpresas da visita. Quem entra na loja começa por ver o piso superior e só depois descobre que existe mais espaço em baixo. “Quando as pessoas entram, dizemos que há mais. Quando descem, todo mundo se surpreende, porque pintámos o andar de baixo todo de amarelo.”

As peças também não estão organizadas de forma rígida por categorias. As fundadoras preferem criar pequenas combinações que façam sentido juntas. Uma massa aparece perto do molho que já foi testado com ela e uma zona dedicada ao pequeno-almoço junta chávenas, chá, porta-ovos e outros acessórios. “Está tudo misturado, mas com sentido”, explicam.

Glaucia e Raquel, as duas fundadoras do Ginga.

Entre os artigos que mais têm despertado a curiosidade dos clientes estão precisamente aqueles que não parecem imediatamente aquilo que são. Um dos sucessos da loja é um equipamento de abrir garrafas em forma de mão, que custa 22€. Também chamou a atenção um espremedor de limão em formato de peixe. “As pessoas ficam obcecadas por esses objetos”, contam. “Os que têm formatos ou padrões mais inusitados acabam por funcionar como objetos de decoração, mas são utilitários.”

Na Ginga, a mesa deixa de ser apenas funcional. Os próprios utensílios passam a fazer parte da decoração. Os talheres de mesa da marca custam 8€ por unidade, enquanto o conjunto de talheres para ceviche, com colher e garfo de salada, custa 31€.

As próprias fundadoras também quiseram criar produtos que sentiam estar em falta. É o caso das velas longas da Ginga, produzidas na Dinamarca e disponíveis em 12 cores. “A vela é um clássico. É fundamental nas mesas, principalmente agora que vamos entrar no outono e no inverno”. A intenção era encontrar cores que conversassem com a cerâmica e com o restante universo visual da loja. Existem dois tamanhos, podendo escolher entre 35 e 45 centímetros.

A versão mais comprida é a favorita das fundadoras e foi pensada para ter uma presença forte na mesa. “É uma vela superlonga e fica mesmo um statement na mesa. Fizemos os 35 centímetros para quem não quer ser tão ousado e quer começar mais devagar.” As velas são vendidas em conjuntos de duas. A versão de 45 centímetros custa 16€, enquanto a de 35 centímetros custa 14€.

Apesar de a decoração ter um papel central, a ideia de bem receber estende-se àquilo que é servido à mesa. Na mercearia encontram-se molhos, massas, azeitonas, conservas, azeites, bebidas e vinhos. A seleção não é exclusivamente portuguesa, as fundadoras procuram marcas de vários países, incluindo França, Itália, Dinamarca, Espanha, Letónia e Estados Unidos.

Existe uma regra para todos os produtos. “Tudo o que está aqui na loja experimentámos. Brincamos que tudo tem de ser bonito, mas também tem de ser gostoso.” Segundo as fundadoras, já houve produtos com embalagens bonitas que acabaram por não entrar na seleção porque o sabor não correspondia às expectativas.

Entre os artigos disponíveis estão produtos da italiana Materia, com molhos e pastas para servir como entrada, a cerca de 8€ a 9€ cada. Há também vinhos portugueses da Vadio, com um preço médio de 19€ por garrafa, e azeite da Oleapia, a 15,80€.

Na Ginga, a mesa não termina nos pratos, existe uma seleção de livros relacionados com gastronomia, incluindo livros de receitas e obras dedicadas à culinária de diferentes países e restaurantes. As flores também fazem parte do conceito, para as fundadoras, são outro elemento essencial de uma mesa bem preparada. A partir das próximas semanas, a loja deverá disponibilizar flores frescas às sextas-feiras e aos sábados.

Desde a abertura, a reação dos vizinhos de Campo de Ourique tem sido uma das partes mais importantes para as fundadoras. “É unânime, toda a gente diz: ‘que giro, é diferente’.”

O conceito de hosting shop ainda provoca alguma curiosidade, algo que as fundadoras veem como positivo. Querem que as pessoas entrem precisamente para perceber o que significa e descubram produtos que gostam. “Adoramos quando as pessoas se surpreendem com a ideia ser diferente, quando se surpreendem com a casa toda colorida e com a curadoria de produtos.”

Carregue na galeria para conhecer o novo espaço da Ginga.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua 4 de Infantaria 62A
    1350-274 Lisboa
  • HORÁRIO
  • De terça a sexta-feira das 11h às 19h e sábado das 11h às 17h

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