Lojas e marcas

A nova loja de Lisboa presta homenagem à olaria tradicional de Barcelos

A Figurado de Barcelos expõe peças feitas à mão por artesãos locais num espaço cheio de luz e cor, bem na Baixa de Lisboa.
São 50 metros quadrados.

O número 81 da Rua de São Nicolau, bem na Baixa de Lisboa, tem uma nova loja exclusiva de peças certificadas do Figurado de Barcelos, ou não fosse esse o nome que se pode ler na fachada. Entre músicos, procissões, presépios, os tradicionais galos, santos, cabeçudos e mulheres minhotas, são centenas de artigos cheios de alma portuguesa que vai encontrar espalhados pelas prateleiras.

Quem entra por lá, descobre um espaço de 50 metros quadrados cheio de luz e cores vibrantes, animado com música da região do Minho. A ideia, explica Sónia Felgueiras, responsável pela comunicação do grupo O Valor do Tempo, é mostrar a identidade deste povo e posicionar a arte popular de Barcelos “no patamar onde realmente merece estar.” A abertura aconteceu a 6 de setembro. 

O grupo O Valor do Tempo dedica-se, há mais de duas décadas, a trabalhar “o que Portugal tem de melhor para oferecer ao mundo, porque nos fascina a História do nosso País e as muitas histórias que tem para contar”, continua a responsável. “Todas as nossas marcas têm exatamente o mesmo denominador comum, Portugal, e o grande propósito de dar o palco merecido aos tesouros portugueses, apresentando-os de forma original.

A Figurado de Barcelos é a primeira loja com este conceito, que apresenta uma produção subsidiária da olaria que, em tempos, usava os restos de barro que sobravam da produção de peças utilitárias para criar pequenas criações que coubessem nos espaços livres dos fornos.

 
 
 
 
 
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“Estas peças, na época inúteis, eram brinquedos vendidos por centavos em festas e romarias das aldeias”, explica. Mas faz o reparo: atenção que, nos dias de hoje, o Figurado não é, de todo, uma inutilidade. É, como sempre foi, na verdade, uma arte.

Ou, como Sónia o descreve: “Uma âncora da realidade, num contexto artístico e temático pleno de incursões criativas. Assim se recria artesanalmente o quotidiano minhoto, criando um imaginário em peças moldadas e pintadas à mão, geradas pelas mãos que moldam o mundo na sua interpretação da realidade.”

Para lançar este projeto, o grupo O Valor do Tempo juntou-se a artesãos locais para lhes dar um palco e colocar as suas peças num patamar de destaque em plena capital portuguesa. À porta, estão dois bonecos fardados, em tamanho real, que recebem os visitantes “com honras de banda filarmónica”. 

Os artesãos presentes dedicam-se a este ofício há vários anos, alguns deles abraçando a arte a que as gerações anteriores se dedicaram também. Nas paredes, eternizam os seus nomes para memória futura: Conceição Sapateiro, Cidália Trindade, António Ramalho, Irmãos Mistério e Júlia Côta e Maria Helena Pedro da Silva são alguns deles.

“A cada mês, a loja revelará a história de um dos artesãos num painel de rua que lhes prestará homenagem”, explica Sónia. Para o arranque, destacaram Ana Baraça, a pioneira dos Irmãos Baraça. Nasceu em 1904. Foi pela vontade de criar bonecos para os netos que começou a fazer pequenas peças em barro, que coloria com cores garridas. O ofício passou para os filhos e vai hoje na terceira geração de uma das famílias artesãs mais tradicionais e conceituadas do Figurado de Barcelos.

Os preços começam nos 12€ e podem atingir várias centenas de euros, dependendo da complexidade de cada peça. A seguir, carregue na galeria para conhecer melhor este espaço.

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