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Lojas e marcas

A nova loja-galeria de Lisboa quer ser a casa dos artistas emergentes

A antiga Apaixonarte transformou-se e deu origem à Uma. A curadoria será “mais pensada” e focada em pintura.

Durante 13 anos, foram mais de 80 exposições e 150 artistas que passaram pelo espaço da Apaixonarte, uma loja e galeria de arte em Lisboa. As portas fecharam-se, não porque a missão de promover estes criativos emergentes deixou de fazer sentido, mas porque havia necessidade de “respirar, refletir e mudar”.

“Neste momento, tínhamos de abrandar o ritmo para termos mais tempo de qualidade para dedicar aos artistas que recebemos”, explica à NiT a fundadora, Cláudia Cordeiro. “Estávamos a representar muitos nomes num espaço pequeno, o que se tornou bastante desafiante.”

De forma natural, deu-se início a uma nova etapa. O espaço continua a funcionar na mesma morada, na Rua Poiais de São Bento, mas tem agora um novo nome, Uma, com um conceito que poderá conhecer a partir de 13 de fevereiro, com a inauguração oficial do novo espaço.

“A nossa ideia é ter uma curadoria mais filtrada e pensada. [Vamos] fazer as coisas com mais calma”, acrescenta, explicando que, enquanto a Apaixonarte era mais dedicada à ilustração, nesta nova etapa do projeto irão dar prioridade à pintura.

Formada em arquitetura, Cláudia trabalhou na área durante uma década até se desiludiu com a burocracia necessária. “Eram muitos anos até ver algo a realizar-se”, explica. Seguiu-se a crise na habitação e, numa altura de redução significativa de empregos, decidiu arriscar.

De forma “muito ingénua e espontânea”, começou a idealizar a Apaixonarte, em 2013. Habituada a viajar muito, reparava que lá fora se valorizava mais os artistas locais do que acontecia por cá.

A localização da loja.

“Era nítido, na altura, que ninguém se queria afirmar como uma marca ou artista português. Havia uma lacuna enorme. Sem o turismo que temos atualmente, as pessoas identificavam-se mais com o que vinha do exterior do que com o que se fazia por cá”, continua.

Apesar das mudanças, a fundadora continua focada na promoção da cultura local. Focado exclusivamente na apresentação de peças originais, o espaço tem como principal diferença o número de artistas, agora mais reduzido.

A exposição de estreia

A primeira exposição da Uma Galeria, intitulada “Camadas”, é inaugurada a 20 de fevereiro, sexta-feira. Conta com o trabalho de oito artistas residentes em Portugal: Constança Duarte, Dylan Silva, Joana Dornellas, Joana R. Sá, Sara Atrouni, Tiago Hesp, Tomás Castro Neves e Vasco Maio.

“Camadas parte da ideia de que a transformação é a condição permanente da existência. Seja na natureza, na forma ou na individualidade, a mudança nunca acontece por substituição total, mas por acumulação, ocultação, desgaste e reconfiguração”, avançam sobre a exposição.

“Camadas” é a primeira exposição.

Em termos espaciais, a estrutura mantém-se. Após a entrada, encontramos uma sala principal, fechada, que funciona como zona de acervo. “Temos uma monta muito grande, do lado frontal, virada para a estrada. Pode ver-se tudo o que se passa cá dentro”, diz.

Na lateral, há outra montra, mais pequena, “que se vai transformar numa mini-cápsula, uma amostra do que está dentro da galeria”. A ideia é expor uma peça com o nome dos respectivos artistas.

Acabada de inaugurar, a Uma vai abrir um open call para acolher novos artistas. “Os que estão connosco, neste momento, já vinham da Apaixonarte. Quisemos mantê-los neste novo projeto, mas também é importante darmos espaço para a entrada de novas pessoas e fechar esse ciclo”.

Carregue na galeria para ver as imagens do espaço.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Poiais de São Bento 57
    1200-346 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda a sexta-feira das 11h às 19h
  • Sábados das 11h às 18h

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