É o efeito BTS. Em 2023, quando um dos membros da famosa banda de K-Pop, Suga, lançou o videoclipe de “People Pt.2”, um detalhe surpreendeu os fãs. A presença de uma unidade da pasta dentífrica da marca portuguesa Couto deu origem a um fluxo de visitantes asiáticos à procura do mesmo produto.
O fenómeno foi oposto aquele a que assistimos atualmente no nosso País. Enquanto, nos últimos tempos, basta abrir uma rede social para percebermos que o mundo ocidental está rendido à K-Beauty, do outro lado do Pacífico, as propostas com selo “made in Portugal” também chamam à atenção.
Enquanto a tendência da cosmética coreana “tem a ver com a inovação e com a complexidade”, por outro lado, procuram a simplicidade das fórmulas da Couto. “Estão habituados à modernidade, mas gostam da história de algo no mercado há tantos anos”, explica à NiT a farmacêutica e diretora técnica da empresa, Cláudia de Sousa França.
Começou por observar-se um aumento significativo na procura da Pasta Dentífrica Couto após o lançamento do videoclipe, confirma a marca. No mesmo ano, registou–se um crescimento de cerca de 50 por cento na compra de outros produtos clássicos da marca, como a vaselina ou o creme de mãos.
Em parte, acrescenta a especialista, a curiosidade destes turistas tem a ver com a imagem dos artigos. “Não temos aquelas embalagens muito elaboradas. É um packaging retro e bastante simples.”

Muitos deles olham para a cosmética portuguesa como uma espécie de souvenir. Muitos clientes sul-coreanos afirmam que conheceram os produtos através de amigos, das redes sociais ou pelos próprios terem recebido anteriormente. Quando chegam ao nosso País, procuram lojas que comercializam os bestsellers.
“O crescimento foi sempre orgânico. O mais interessante é que chegam à loja, já com telemóvel em riste e sabem exatamente o que querem”, continua Cláudia. “O produto não existe na Coreia, vêm especificamente para os comprar e já aparecem informados graças ao que veem online.”
Normalmente, são sobretudo casais jovens, com idades entre os 20 e 30 anos, que “não compram à unidade, mas levam às dúzias” vários destes produtos. “Temos coreanas que fazem publicações no Instagram a usar os nossos produtos. As fotografias mostram bisnagas usadas até à última gota.”
A história da Couto
Já lá vai mais de um século desde as primeiras embalagens e o público coreano sabe e estuda esta história. Chegou ao mercado em 1918, com o nome de Flôres e Couto, passando a chamar-se, 13 anos depois, apenas Couto, quando passa a ser administrada exclusivamente por Alberto Ferreiro Couto.
É precisamente ele que, em 1932, cria, em conjunto com um amigo dentista, aquele que se viria a tornar no produto mais famoso da marca. A “Pasta Medicinal Couto, criada para combater os problemas nas gengivas provocados pela sífilis. Hoje considerada vintage, continua a ser produzida, entre outros artigos de higiene e cosmética.
Na última década, a Couto decidiu então apostar em produtos como cremes de rosto, sabonetes, água de colónia, entre outros. Nesta tentativa de se reinventar, tem chegado a novas gerações.
Como resultado, a marca registou, em 2024, o melhor ano de sempre da empresa com um volume de negócios superior a 1,3 milhões de euros. Os resultados conseguidos em 2025 ainda não foram revelados, mas espera-se um crescimento em cerca de 10 por cento face ao período anterior.

Quais são os artigos mais vendidos?
Se a atenção dada à famosa pasta dentífrica (2,07€) do videoclipe se “deve sobretudo à história da marca e ao seu carácter tradicional”, está longe de ser a única opção nas listas de compras das coreanas. Há outros bestsellers que “são valorizados pela praticidade e pela facilidade de transporte.”
A vaselina (1,77€), por exemplo, já ocupa um lugar de topo nas vendas da Couto e mostra que “pode coexistir com outros produtos inovadores” das marcas asiáticas. “É um ingrediente muito antigo, mas que apresenta resultados muito bons a nível da hidratação.”
Além das utilizações mais comuns e que todos conhecemos, como proteger os lábios e o nariz, ou hidratar zonas mais secas do corpo, como joelhos, podem ser também usada para suavizar a aparência de olheiras, ser misturado com blush ou até como base para sombra de olhos.
A farmacêutica acrescenta à NiT que, junto do público sul-coreano, também tem sido usado “para ampliar o efeito de um perfume, tornando-o mais duradouro”, ou para soluções mais tradicionais, como impedir que os pés fiquem gretados na altura do inverno. É visto como um multifunções.
Uma das principais surpresas, ainda assim, foi o creme de mãos (5,44€). “Quando lançámos e anunciámos nas nossas redes sociais, os coreanos foram os primeiros a aparecer para o comprar”, acrescenta Cláudia, sublinhando que “tem muito a ver com a composição” do produto.
“Muitos deles percebem bastante desta área. Notam que não usamos ingredientes de origem animal, valorizam a fórmula e a experiência sensorial que recebem. É o cheiro, a forma de aplicar e como se penetra na pele. Acho que, para eles, é uma mais valia”, continua.
Ainda discretos nas prateleiras da Couto (que tem loja física apenas na Rua da Cedofeita, no Porto), estão os bálsamos labiais (6,28€), chegados há pouco tempo ao mercado. Mas não será assim por muito tempo, segundo as previsões dos profissionais da marca, que já lançaram versões em morango e caramelo.
“Recentemente, começaram a ter muita aceitação por parte do público. Um é mais natural, para hidratar e dar brilho, enquanto o outro tem uma tonalidade muito suave”, conclui. “O público jovem gosta disso e da imagem tão clássica da lata de alumínio, com um formato tão compacto.”
Os produtos da Couto estão disponíveis no site da Couto, assim como na loja física marca. Os preços começam a partir de 1,77€.
Carregue na galeria para conhecer alguns dos produtos mais vendidos.

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