Foi numa viagem a Moçambique, quando tinha apenas 15 anos, que Duarte Silva teve o primeiro contacto com a capulana. Sempre que ia a um mercado, lá estavam as mulheres de Maputo com aquele pedaço de tecido colorido, tipicamente africano, muitas delas a usá-lo para carregar os filhos.
“Fiquei tão curioso que fui pesquisar mais e percebi que também eram usadas em momentos especiais, como cerimónias ou funerais”, recorda o jovem, atualmente com 18 anos. “Senti necessidade de trazer essa cultura para Portugal através de peças que criassem uma ligação entre o tecido e a pessoa.”
Nesse mesmo ano, fundou a Capubag, uma marca de moda que mistura um design minimalista a esta herança moçambicana. Começou como um trabalho da escola no qual Duarte imaginou dois sacos de pano, mas rapidamente cresceu para camisas e outros acessórios.
“Quando a professora de Educação Tecnológica nos pediu para idealizarmos sacos ecológicos, tentei relacionar as duas coisas”, recorda o jovem, estudante de primeiro ano no curso de gestão industrial. Em 2023, após a época de exames, começou logo a tentar materializar esta ideia.
Os primeiros sacos variavam entre as versões 100 por cento capulana e outras que alternavam entre tecido cru e uma metade com diferentes edições do padrão. “Fomos ouvindo os nossos clientes. Diziam que sentiam necessidade de sacos maiores e lançámos o nosso modelo de praia, o Ephareya.”

Todos os tecidos usados nos produtos têm origem em Moçambique. Duarte conseguiu contactar um fornecedor local na capital, Maputo, para ter acesso a algum stock em pequenas quantidades. O objetivo é tornar as peças mais exclusivas e autênticas.
A produção, feita “de forma ética” em Lordelo, Paredes, também é limitada e preza pela atenção ao detalhe. Duarte trabalha na fábrica do tio, que disponibilizou um espaço para que o sobrinho pudesse desenvolver os seus produtos.
Desde 2022, a Capubag já enviou mais de meia centena de encomendas. “Na primeira semana, principalmente na região, as pessoas aderiram imenso. Só não cresce mais rápido porque fico mais inativo durante a época escolar e só volto a reforçar durante as férias, no verão.”
O maior sucesso da marca, no entanto, são as camisas. Batizadas de Ekamiza, são peças com um corte relaxed e com um design 100 por cento capulana, cada uma coberta na totalidade por um dos padrões escolhidos pelo jovem. Juntam-se aos lenços quadrados Nleso, que também têm chamado à atenção.
Embora não tenha formação em moda, o design é sempre pensado por Duarte. “É algo que gosto de fazer, aplicar visualmente aquilo que gosto a um produto novo.”
Para 2026, o jovem empreendedor já está a desenvolver novos produtos. Um dos modelos em desenvolvimento é uma necessaire, que surge da combinação de imitação de pele e capulana, mas também está a tentar arranjar fornecedores para acrescentar toalhas de praia ao catálogo cada vez mais diverso.
“Queremos trazer tudo o que o cliente nos pede”, conclui o fundador que, para 2026, quer sobretudo sair do mercado regional e atingir outras zonas do País. “Apesar de termos alguns clientes espalhados por outras cidades, consolidar a nossa presença no mercado nacional é a grande prioridade.”
Todas as peças podem ser compradas através da página de Instagram da Capubag, por mensagem privada. Os preços vão dos 8,99€ até aos 39,99€.
Carregue na galeria para ver algumas das peças mais recentes lançadas pela marca.

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