Lojas e marcas

Aos 24 anos, criou a nova marca de óculos de sol nacionais — são todos feitos à mão

Luís Moreira é o fundador da WxW, que conta já com seis modelos em várias cores. Uma coleção que junta "tradição e modernidade".
A marca foi fundada em março.

Óculos feitos a mão são, nos dias de hoje, uma espécie em vias de extinção. “Há alguns anos havia 15 fábricas espalhadas pelo País que faziam este trabalho à mão. Hoje resta uma, que infelizmente também se está a extinguir aos poucos”, explica Luís Moreira, que apenas com 24 anos viu neste mercado uma oportunidade de negócio. 

A WxW é a nova marca portuguesa de óculos, que aposta na venda de exemplares feitos à mão e que “juntam tradição e modernidade”. Percebeu cedo que este era um nicho apetecível, sobretudo graças à experiência que trazia de casa. A mãe é optometrista e dessa forma teve contacto com a realidade. E a realidade mostrava que a industrialização praticamente acabara com o mercado artesanal. 

A primeira visão surgiu em 2021, altura em que estava no segundo ano de engenharia e gestão industrial, na Universidade do Minho. “Sabia que queria criar algo relacionado com a moda, que honrasse o artesanato português, mas durante um estágio de seis meses acabei por estar numa das fábricas que fazia este trabalho e depois também tive mais uma temporada em Itália a aprender melhor o ofício”, recorda.

“O nome escolhido significa winners against winners, uma vez que o objetivo da marca é representar a vitória e ser utilizada por vitoriosos, sendo que nós também nos consideramos vitoriosos, uma vez que estamos a retomar algo que estava esquecido.”

É Luís quem desenha e faz todos os protótipos na oficina que criou de raiz. “No início era um processo muito caseiro, mas depois arranjei um espaço para trabalhar mais à vontade e com maior qualidade. Desenvolvo tudo aqui, cerca de dois a três protótipos por dia, para que depois cada par possa ser produzido na fábrica em Gondomar.”

Cada um dos óculos demora em média uma semana até ficar totalmente pronto, sendo que podem ser fabricados 100 de cada vez. No futuro, o fundador espera vir a conseguir montar a sua própria fábrica para que esta tradição não desapareça de vez. O objetivo será, posteriormente, que outras marcas possam criar as suas armações no local.

Até agora foram lançados seis modelos oficiais, sendo que só cinco estão disponíveis para venda. Cada proposta pode ser comprada em oito cores diferentes, entre tons mais neutros e opções mais coloridas. “Outra das nossas características é darmos muita importância também às lentes que utilizamos. Estou há algum tempo nesta indústria, tenho os contactos de todos os bons fornecedores e por isso também conseguimos uma grande variedade neste campo.”

“Estamos a começar a voltar a ver as lentes coloridas e por isso temos desde verde, a laranja, até azul, não nos ficamos apenas pelos básicos do preto e do castanho. O interessante é que cada sugestão é diferente e foi criada com um propósito especial. Por exemplo, no caso dos Kojirō, foram desenhados porque o meu pai tinha uns óculos que gostava imenso e acabou por perder, então eu decidi recriá-los para lhe oferecer”, explica.

O material utilizado é sempre o acetato mazzucchelli, o produto italiano de referência nesta área. “Conseguimos manter a qualidade por enquanto, embora esta matéria-prima tenha subido muito de valor.”

O modelo Leonildas (320€) é o best seller até ao momento. “Embora sejam uns óculos mais arrojados, o facto de podermos escolher diversos tons faz com que se adaptem a qualquer faixa etária. Temos pessoas desde os 20 e poucos anos até aos 60 a comprá-los.”

Atualmente os óculos da WxW já estão disponíveis em mais de 20 lojas espalhadas pelo País. O site está para breve. Cada par custa 320€, um valor que Luís decidiu que por agora seria fixo, independentemente de qual seja o modelo escolhido pelo cliente, uma vez que os custos de produção são bastante semelhantes.

Carregue na galeria para ver as sugestões da nova marca artesanal.

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