Em outubro do ano passado, Roger Kelly e Robert Carr confessavam à NiT o sonho de abrir uma segunda loja em Lisboa, depois do sucesso do primeiro espaço da Moss Vintage, nos Anjos. O plano concretizou-se mais depressa do que esperavam. Os irlandeses acabam de reforçar a presença na capital com uma nova loja, desta vez em Santos.
A segunda morada abriu portas a 11 de junho, na Rua de Marcos Marreiros, e mantém a identidade que conquistou os fãs de roupa em segunda mão. O novo espaço reúne uma oferta ainda mais ampla de peças vintage e continua a apostar numa curadoria muito própria, onde cada artigo é escolhido individualmente pelos fundadores.
Com um ambiente mais amplo e luminoso, as paredes com acabamento em betão aparente, os expositores metálicos e a iluminação linear criam um ambiente industrial e contemporâneo, contrastado por apontamentos em madeira, plantas e mobiliário vintage. A roupa surge organizada por cores e categorias, num layout amplo que convida a percorrer calmamente cada secção.

A ideia de criar a Moss Vintage nasceu depois de Roger passar uma década a trabalhar numa loja de roupa em segunda mão em Dublin. Queria abrir um projeto próprio, com uma seleção mais pessoal e um conceito diferente. Juntou-se ao amigo de infância Robert Carr e começaram a procurar uma cidade onde pudessem dar vida ao negócio.
A escolha acabou por recair sobre Lisboa quase por acaso. Roger veio passar um fim de semana à cidade para conhecer alguns bairros e saiu convencido de que era ali que queria começar uma nova etapa. “Fiz uma pré-seleção de algumas cidades a visitar. Vim a Lisboa num fim de semana, para conhecer os bairros, e apaixonei-me imediatamente. Achei que havia espaço para novos conceitos vintage por cá, porque não senti que o mercado estivesse saturado.”
A primeira loja abriu nos Anjos e rapidamente conquistou uma comunidade de clientes graças a uma abordagem pouco comum no universo vintage. Em vez de comprar roupa em grandes quantidades, Roger viaja regularmente por mercados e armazéns europeus para selecionar cada peça. “Viajo uma vez a cada seis semanas. Vou a mercados em Itália ou França, por exemplo, e escolho cada item. É um processo muito seletivo e exclusivo, diferente de outras lojas que encontramos”, explicou assim à NiT o processo de recolha da coleção exposta..
Essa filosofia mantém-se na nova loja de Santos. A oferta apresenta peças masculinas inspiradas no vestuário americano das décadas de 40 a 80, como camisas de flanela, calças cargo ou camisas de bowling e uma seleção feminina mais focada nas tendências dos anos 90 e 2000.
Ao contrário de muitas lojas do género, a Moss Vintage não faz das etiquetas o principal argumento de venda. Apenas uma pequena parte do stock pertence a marcas de luxo. O objetivo é privilegiar o design, a qualidade e a história de cada peça. “Não gostamos de nos basear demasiado em rótulos”, sublinha Roger.
Quando inauguraram o primeiro espaço, os dois fundadores admitiam que gostariam de continuar a crescer em Lisboa, embora não soubessem quando seria possível dar esse passo. “É difícil prever como tudo irá correr”, confessava Robert. Ainda assim, dizia imaginar o futuro da Moss “num espaço maior ou com a abertura de uma segunda loja”.
Com a chegada a Santos, a Moss Vintage reforça a presença na cidade e leva a mais um dos bairros lisboetas uma seleção cuidada de peças vintage, mantendo a aposta num conceito que privilegia a descoberta, a autenticidade e a curadoria em vez da quantidade.
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