Lojas e marcas

Araucana: a nova loja do Porto só tem marcas de roupa sustentável

Alexandra Alves deixou o mundo da direção industrial para abrir este espaço de slow fashion na Rua dos Caldeireiros.
Look da Araucana.

Quando em agosto de 2019 Alexandra Alves fez as malas para umas férias pela Ásia nunca pensou que a viagem ia mudar por completo a sua vida. Estava numa rua em Bali quando viu uma loja que lhe chamou de imediato a atenção.

“Lá dentro havia muitas peças da marca francesa Thaikila que me interessaram. Naquele instante pensei o quanto andava cansada e me apetecia começar a dedicar a coisas bonitas”, conta à NiT.

Em Portugal, a mulher de 53 anos era diretora industrial de uma fábrica no Grande Porto (prefere não dizer qual) e responsável por uma equipa de cerca de 170 colaboradores. “A empresa trabalhava 24 horas por dia, sete dias por semana. Não parava e eu também não.”

Na bagagem para o nosso País, Alexandra trouxe uma saia de praia da tal marca, mas não só: também veio o desejo de mudar por completo a sua vida profissional. “Comecei a pensar a sério em ter uma loja de roupa. Entrei em contacto com a Thaikila e perguntei-lhes se queriam estar representados no Porto. Responderam-me logo que sim”, explica.

Sem grandes conhecimentos ainda na área, a portuense decidiu investigar a moda sustentável ao pormenor. “Quis conhecer esta realidade, li e pesquisei muito sobre ela.” Ao mesmo tempo, andou a passear pelas ruas do Porto à procura do espaço ideal.

Uma loja minimalista.

“Não foi fácil. Vim para a Baixa mas não havia quase nada disponível. Até que encontrei esta loja num prédio reabilitado, mesmo ao lado da Capela da Nossa Senhora da Silva.” O espaço, no número 108 da Rua dos Caldeireiros, precisava de algumas obras.

“Pedi ajuda a um grande amigo, o arquiteto Jorge Pereira da Silva, e fizemos uma loja minimalista, requintada, tranquila. Na qual as pessoas entram e sentem calma, que têm tempo para conhecer tudo”, conta.

Alexandra acabou por despedir-se da fábrica em outubro e deu início às obras do espaço em dezembro — terminaram já em fevereiro de 2020. A abertura da Araucana (o nome é inspirado num poema de Pablo Neruda) aconteceu a 3 de março.

Contudo, a loja de 100 metros quadrados acabou por fechar 10 dias depois. “Surgiu a pandemia de Covid-19 e tive de encerrar. Durante aqueles dias esteve sempre a chover e havia pouca gente na rua. Vendi algumas peças, cerca de 50 por cento a turistas e outra metade a portugueses”, recorda.

Fica num prédio centenário.

Embora tivesse ficado com algum receio, Alexandra nunca deixou de acreditar no projeto durante os últimos dois meses. “Enquanto a Araucana esteve fechada resolvi investir nas redes sociais. Tirei um curso online de Instagram e contratei uma pessoa para me ajudar a gerir. Quando finalmente pude reabrir fi-lo com redobrada paixão.”

Neste espaço, os clientes encontram o que é chamado de slow fashion e, por isso, todos os artigos são feitos com materiais sustentáveis. Há propostas de marcas portuguesas como a Pé de Chumbo, Wheat & Rose ou Sensify; mas também sugestões internacionais de empresas como a colombiana Carolina Ronderos, a indiana Payalkhandwala, a espanhola Shopyte, e, claro, a indonésia Thaikila. 

“Da Pé de Chumbo, por exemplo, temos três peças exclusivas [camisola, saia e casaco] feitas com restos de tecidos da coleção; e da Carolina Ronderos, uma designer que estagiou com Alexander McQueen, há peças mais despojadas em algodão ou seda.” Os preços, esses, variam muito, mas encontra saias de praia desde 100€ e vestidos a partir de 250€.

Além da venda de roupa, a Araucana tem um atelier de upcycling. “Contratei a Ana Andergassen, uma estilista brasileira que já estudou em Paris e tirou Mestrado em Belas Artes. Neste projeto, a ideia é que as pessoas tragam, por exemplo, um vestido que usaram uma ou duas vezes num casamento e que não querem vestir mais. A Ana olha para a peça e tenta perceber como é a pessoa que a vai vestir. A seguir, transforma-a numa proposta nova“, explica.

Por enquanto, a loja que tem 50 metros quadrados de venda ao público (o resto funciona como um mini armazém) está aberta de terça-feira a sábado, das 12 às 18 horas — às sextas e sábados fecha às 20 horas.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua dos Caldeireiros, 108, Porto
    4050-138 Porto

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