Lojas e marcas

Arte para usar: os brincos da Oje Luza são inspirados nos azulejos portugueses

Guilherme Afonso Nunes cria os acessórios à mão no próprio quarto. São peças coloridas, singulares e ideais para o dia a dia.
A primeira coleção é inspirada em Lisboa.

Trabalhar com azulejos, uma tradição tão presente no imaginário português, é sempre um desafio. Capazes de espelhar a história e a cultura nacional através da criação artística, é uma herança respeitada tanto por quem cresceu com eles como por quem vem de fora. Estas peças de cerâmica únicas estão na base de projetos igualmente singulares, como a marca Oje Luza, lançada a 5 de maio.

Dos murais e das fachadas para os acessórios. É esta a intenção do projeto, que transporta a beleza emanada por esta arte tradicional para pares de brincos. A ideia partiu de Guilherme Afonso Nunes, de 27 anos, estudante no sexto ano de medicina.

O nome da marca nasce da palavra “azulejo” ao contrário, porém, não há nada de contraditório na Oje Luza. Tudo faz sentido: “Quem me conhece, sabe que sempre fui ligado às artes. Sempre pintei quadros, sempre gostei de fotografia e faço videoclipes para bandas de amigos meus”, conta Guilherme à NiT. A meio de uma pandemia teimosa e de um curso duro, decidiu parar, fazer um gap year e acabou por decidir criar brincos.

O big bang da marca

A ideia partiu de uma história “entre o bizarro e o romântico” que remonta a 2016. Foi nesse ano que Guilherme, nascido em Setúbal, veio morar para Lisboa com dois amigos. No verão passado, cansado de estar em casa, decidiu regressar à rua onde morou, no Bairro do Arco do Cego, e sentiu-se hipnotizado pelos azulejos que enriquecem a zona.

Nesse momento, a ideia começou a fermentar. “Olhei para os azulejos, tirei uma fotografia e andei várias semanas a pensar no que podia fazer para eternizar esta memória”, conta. De “uma mistura de sinapses e pensamentos”, entre as quais pensou em pintar um um quadro ou uma T-shirt, surgiu a ideia de fazer brincos. Algo que nunca tinha explorado no seu percurso.

A primeira coleção da marca, que introduz o conceito ao público, é inspirada na capital portuguesa. Um dos modelos, nomeado em homenagem ao Arco do Cego, “é o big bang desta marca”. Afinal, foi a partir dessa fachada com azulejos que surgiu a ideia. Uma vez que morou na zona seis anos antes de arrancar com o negócio, decidiu que cada lançamento teria seis modelos.

Lisboa é o cenário da campanha fotográfica.

Ao mesmo tempo, escolher Lisboa era o que mais fazia sentido a nível logístico. O criativo escolheu a deambulação como método para se inspirar e recolher o melhor desta arte decorativa. Passou dois meses a andar pelas ruas da capital a fotografar: “Uma vez contei e tinha 140 azulejos fotografados em Lisboa, dos quais escolhi seis, por áreas”.

Inspirados desde a zona de Santos ao bairro de Campo de Ourique, todos os modelos se revelam distintos. Também há um par inspirado no Castelo de São Jorge, que Guilherme nunca tinha visitado antes do projeto começar. Belém e o Intendente são outras zonas representadas nas peças.

Como são feitos os brincos

“Sou one-man brand. Faço tudo sozinho”, adianta. É no conforto do quarto que Guilherme cria os acessórios manualmente, reproduzindo a forma como os próprios azulejos são desenvolvidos. Fá-los em argila, mas evita a etapa de levar o produto ao forno a 2 mil graus “porque dava um peso maior ao brinco”.

Repleta de easter eggs, a coleção conta com detalhes que podem estar até aos mais atentos. “Tiro duas fotografias por cada fachada com azulejos, ou seja, os brincos de um par representam duas partes diferentes da mesma fachada”, revela. Depois de captar a imagem, imprime-a e coloca-a por cima do preparado de argila, envernizando-o por cima.

Apesar de recente, a marca “tem dado tido mais resultados do que estava à espera. Já houve algum investimento”. A ideia é continuar a criar coleções alusivas a várias cidades, dentro e fora de Portugal. Para isso, o objetivo é juntar dinheiro suficiente para poder viajar durante o próximo ano e alimentar a Oje Luza: “Vou conhecer outras cidades, fotografar azulejos e fazer brincos”.

Todos as peças da Oje Luza estão disponíveis no site da marca, sendo que também pode visitar a página de Instagram. Cada modelo da coleção “Lisboa” custa 10€. Carregue na galeria para conhecer todos os pares.

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