Lojas e marcas

As irmãs gémeas que criaram a SIZ para provar que a moda sustentável pode ser cool

Raquel e Sofia Rodrigues sempre privilegiaram o consumo consciente. Dez anos depois de criarem a marca, vão ter uma pop-up, durante dois meses, em Lisboa.

Nos tempos livres, enquanto outros miúdos enchiam cadernos com desenhos, andavam de bicicleta ou brincavam na rua, Raquel e Sofia Rodrigues passavam horas a imaginar vestidos, saias e conjuntos. O gosto pela moda acompanhou-as durante toda a infância, cresceu com elas e acabou por transformar-se num projeto de vida. Sem saberem, aqueles desenhos seriam o primeiro esboço da SIZ, marca criada pelas irmãs gémeas, de 33 anos, para mostrar que é possível fazer moda de forma mais consciente, sem abdicar da criatividade.

Quando lançaram o projeto, em 2016, a sustentabilidade ainda estava longe de ocupar o lugar que tem atualmente na indústria. O conceito de slow fashion começava apenas a ganhar expressão e eram poucas as marcas nacionais que produziam em pequenas quantidades, recorriam a tecidos reaproveitados ou criavam peças pensadas para durar várias estações. As empreendedoras decidiram seguir esse caminho.

“Quando começámos não haviam tantos projetos de moda sustentável como hoje. Queríamos afastar-nos do fast fashion e criar uma marca alinhada com esses princípios”, contam à NiT.

Quase dez anos depois, a evolução da marca ganha um novo capítulo. A 1 de agosto, a SIZ vai abrir a primeira pop-up de longa duração, na Calçada do Marquês de Abrantes, em Santos, Lisboa, onde permanecerá até 30 de setembro. O espaço vai reunir as coleções da marca, algumas peças de arquivo com descontos e ainda outras marcas portuguesas convidadas.

“Até agora fazíamos pop-ups de apenas uma semana. Desta vez decidimos criar um espaço nosso durante dois meses e vai ser o nosso grande foco nos próximos meses”, revelam. A abertura surge numa altura em que também os consumidores portugueses estão mais atentos à origem das peças que compram e procuram marcas com práticas sustentáveis. 

Cada coleção reflete uma causa ambiental e social

A ideia de criar a SIZ surgiu logo após terminarem a licenciatura em Moda, na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, e os respetivos estágios. Com a experiência adquirida, sentiram que era altura de concretizar algo próprio que explorasse os cortes, criatividade e valores que acreditam.

“Sempre fomos apaixonadas por moda desde pequeninas. Passávamos as férias a desenhar roupa e, quando acabámos o curso, percebemos que queríamos criar algo que fosse realmente nosso e que refletisse a nossa visão da moda”, recordam.

Desde então, todas as coleções têm partido da ideia de acompanhar as tendências de forma particular, através dos lançamentos que contam histórias inspiradas nas causas ambientais ou sociais, transformando cada peça e padrão numa extensão da mensagem que pretendem transmitir.

A primeira coleção abordou as alterações climáticas. Depois seguiram-se temas como a poluição dos oceanos, o consumo excessivo ou a preservação da natureza. A coleção mais recente, com conjuntos, vestidos, calças e tops, inspira-se nos minerais e na sua durabilidade, uma metáfora para peças concebidas para resistirem ao tempo, em oposição ao consumo descartável.

“Cada coleção nasce de uma problemática que queremos expor. Depois usamos essa inspiração nas cores, nos tecidos e nas formas das peças. Aproveitamos também as redes sociais, as newsletters e o blog para explicar melhor cada tema. Não queremos que a inspiração fique apenas na roupa.” 

 

 
 
 
 
 
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Essa filosofia reflete-se também no próprio processo criativo. Em vez de desenvolverem várias coleções independentes ao longo do ano, as irmãs trabalham atualmente um único conceito anual, dividido em dois momentos: inverno e verão. Desta forma conseguem aprofundar melhor cada tema e otimizar o aproveitamento dos materiais entre ambos os lançamentos.

A sustentabilidade prolonga-se também até à produção. A SIZ trabalha com pequenos lotes, tendo duas costureiras na equipa, produzindo ao ritmo das vendas e modelos que esgotam, em vez de fabricar grandes quantidades. “Nunca produzimos em massa. Fazemos pequenos lotes e voltamos a produzir apenas quando é necessário. Assim conseguimos evitar desperdício e gerir melhor o stock”.

Grande parte das peças nasce a partir de tecidos deadstock, isto é, excedentes da indústria têxtil que ganham uma nova utilização, e quando estes não existem nas quantidades necessárias, a escolha recai sobre fibras naturais e orgânicas.

O corte descontraído e peças que continuam nos vários lançamentos

No entanto, Raquel e Sofia nunca quiseram que a sustentabilidade definisse a estética da marca. No início, perceberam que muitas propostas sustentáveis privilegiavam apenas cortes básicos e tons neutros, por isso a SIZ quis mostrar que é possível conciliar responsabilidade ambiental com uma identidade forte, colorida e descontraída.

“Quando começámos, a moda sustentável era muito simples. Nós queríamos trazer mais design, mais criatividade e mostrar que também podia ser divertida”, referem. 

Essa identidade construiu-se ao longo dos anos através de silhuetas que regressam coleção após coleção. As saias midi, os vestidos cintados, as calças fluidas e os conjuntos coordenados tornaram-se imagens de marca. A cintura marcada continua a ser um dos elementos mais característicos dos seus modelos, pensada para favorecer diferentes tipos de corpo sem comprometer o conforto.

Também a paleta cromática acompanha o conceito anual. Embora os tons naturais, como o cru, o bege e o branco, estejam frequentemente presentes, cada coleção introduz novas combinações inspiradas no tema escolhido, onde surgem azuis, verdes, castanhos ou cores mais vibrantes quando a narrativa assim o exige.

Entre todos os modelos lançados há um que nunca foi descontinuado. As irmãs contam à NIT que se trata de um vestido de alças finas que é reinterpretado todos os verões, mudando apenas de tecido, cor ou nome consoante a coleção. “Todos os verões lançamos uma nova versão desse vestido e continua a ser uma das peças mais procuradas. Já tivemos clientes que o escolheram até para casar pelo civil, precisamente porque é muito versátil.”

Outro dos grandes sucessos são os conjuntos às riscas, introduzidos no ano 2020 e reinventados sucessivamente em novas cores e materiais. Embora trabalhem frequentemente com tecidos deadstock, as riscas acabaram por se tornar uma assinatura visual da marca, ao lado dos cortes femininos e da produção em pequena escala.

O crescimento da SIZ aconteceu de forma gradual, muito impulsionado pela fidelização das clientes e pelas vendas internacionais. “Nunca tivemos um boom e, olhando para trás, até achamos que foi positivo. Crescemos de forma consistente e isso permitiu-nos acompanhar todas as fases da marca”. 

Hoje, as fundadoras sentem que Portugal está mais preparado para este tipo de consumo. “Sentimos que o público português está cada vez mais recetivo. Também começámos a investir mais no marketing digital e isso ajudou-nos a chegar a mais pessoas em Portugal.”

A pop-up, que abre portas a 1 de agosto, representa, por isso, mais do que uma nova loja temporária. É o reflexo de um percurso iniciado há quase dez anos por duas irmãs que transformaram um sonho de infância numa marca que continua a provar que a moda sustentável pode ser criativa, colorida e intemporal.

Carregue na galeria para conhecer as peças disponíveis no site da SIZ e que pode encontrar em breve no espaço físico. 

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