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As peças divertidas da Nazareth não têm idade — podem ser usadas por netas e avós

Após um hiato, a designer de 51 anos que dá nome à marca reativou o projeto. São propostas para quem não se leva demasiado a sério.
A marca tem uma nova identidade.

“Quando é que as riscas da Nazareth voltam?” A pergunta foi feita inúmeras vezes a Marcia Nazareth no último ano — tantas, que perdeu a conta. A designer de 51 anos continua a misturar padrões, a brincar com as silhuetas e a usar a roupa como um bilhete de identidade. Porém, as clientes da marca que recebe o seu apelido sentiam saudades do lançamento de novas propostas.

Após uma pausa de um ano, que começou em fevereiro do ano passado, a etiqueta criada em 2013 regressou no início de março com a coleção Play. Os novos vestidos, camisolas e T-shirts, blazers e calças — peças confortáveis e descomplicadas — combinam vários estilos de forma divertida. É o renascimento de um projeto que reflete o gosto da fundadora.

“Não somos sempre a mesma pessoa, temos várias versões. E a minha versão 5.1 não é igual às anteriores”, começa por explicar à NiT, sobre a necessidade de repensar o posicionamento da marca. Percebeu que precisava de arriscar mais e transformar a produção. Durante o hiato, esteve ainda a fazer coleções de fardas especificas para empresas.

Por um lado, a mensagem continua a mesma. A criativa insiste que as pessoas não se devem levar tão a sério e que as peças não têm idade: “Podem ser para as minhas filhas, miúdas de 16 e 18 anos, para eu usar ou posso emprestá-las à minha mãe. A segurança que uma mulher tem aos 50 anos permite-lhe vestir o que quiser.”

Por outro, implementou mudanças significativas na produção. Faltava proximidade ao processo — tinha de produzir quantidades mínimas e cumprir prazos —, e decidiu afastar-se “dessa máquina”. Agora tem um atelier de costura próprio em Matosinhos, com uma equipa de cinco artesãs, e trabalha com excedentes da fábrica Tintex, em Vila Nova de Cerveira.

As riscas fazem parte do ADN da marca.

“Arrisquei pegar matérias-primas que, antes, nunca teria trabalhado. Uso viscoses, malhas e algodão orgânico para criar vestidos com uma membrana, que se tornam mais robustos”, frisa. “Esta proximidade com a costureira foi fundamental. Só à terceira ou quarta peça é que chegámos ao protótipo certo.”

A peça é um dos destaques da coleção Play, cujo nome tem um significado duplo. Ao mesmo tempo, remete para o lado divertido da marca, mas também para o movimento de “voltar a carregar no botão para jogar”. As riscas, a mistura de estampados e a sobreposição de camadas que já fazem parte do ADN da marca, construído ao longo de uma década, mantêm-se.

A origem da Nazareth

Apesar da paixão pelo ofício, Marcia só começou a trabalhar na moda aos 41 anos. Formou-se em design gráfico na Faculdade de Belas Arte do Porto e colaborou com várias agências de comunicação. Em 2003, chegou a ter a sua própria empresa com o marido — também chamada Nazareth — à qual se dedicou durante uma década.

A mudança de profissão aconteceu durante a crise entre 2008 e 2013, que levou ao encerramento do projeto. Além disso, “estava a fazer 40 anos e tinha de ser naquela altura”, explica. “Pensei ‘ou tento [a moda] agora ou nunca vai acontecer. Depois, é tarde demais’.”

Para concretizar o projeto, inspirou-se nas avós, ambas com ateliers criativos. A avó materna foi uma das primeiras empresárias a ter uma fábrica de plissados e sacos de cama, em 1949; já a avó paterna era mestre de guarda-roupa e fazia figurinos para peças de teatro: “Cresci no meio de tecidos.”

Numa primeira etapa, as peças espelhavam a sua paixão pela fotografia. Começou por imprimir imagens que captava com recurso a drones, a 360 graus, em peças de roupa. “Só que esse modelo exigia mínimos de produção muito elevados”, pelo que em 2016 começou a procurar os excedentes de fábricas que estavam atoladas de tecidos para criar modelos verdadeiramente únicos.

As clientes da Nazareth sabem que o negócio produz quantidades limitadas, logo são edições mais exclusivas, feitas com tecidos distintivos. A exclusividade tem sido precisamente o fator mais elogiado no regresso da marca.

Quanto à visão para o futuro, o principal objetivo de Marcia passa pela expansão internacional. A criadora gostava ainda de organizar um desfile em Portugal, integrado num evento de moda ou a título individual, na zona do mercado de Matosinhos, onde trabalha.

A nova coleção da Nazareth está disponível no site da marca — as peças têm preços entre os 40€ e os 90€. Carregue na galeria para descobrir algumas.

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