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Baioque: a nova barbearia clássica em Lisboa onde se bebe café de especialidade

O spot é um espaço de convívio para clientes, amigos e família. A bebida é servida com uma dose de nostalgia.
Um espaço cheio de nostalgia. Fotografia: João Miranda

O café quente e o bolo de milho estavam em todos os filmes brasileiros que marcaram a infância de Catarina Craveiro. Apaixonada pela cultura do país, visitou-o pela primeira vez em 2005 — e regressou todos os verões até que se mudou para o outro lado do Atlântico. Quando surgiu uma proposta profissional, os quatro meses previstos transformaram-se em sete anos.

Foi num fim de semana prolongado que a antiga jornalista conheceu Fábio Oliveira, com quem partilhava o gosto pela bebida. Juntos, chegaram a visitar várias fazendas do café em Minas Gerais onde descobriram como é que um pequeno grão se transformava até ser servido numa chávena.

Aos poucos, o casal começou a pensar em abrir um negócio ligado à cafetaria. A ideia ficou em stand-by quando começou a pandemia e vieram para Portugal, mas continuaram a maturar o plano. Pelo caminho, começaram a surgir outros conceitos bastante enraizados em solo brasileiro.

“Em São Paulo, víamos muitos cafés e barbearias associadas, onde o homem pode cuidar de si, beber algo e entreter-se”, explica Catarina, de 43 anos, à NiT. Nenhum dos dois tinha formação na área, mas Fábio, de 42, chegou a fazer cursos em espaços como a Coffe Lab, a maior escola de baristas do Brasil.

Durante dois anos, a dupla trabalhou num conceito que “ainda não havia em Portugal”. A 6 de maio, abriram as portas da Baioque, um novo espaço em Lisboa que alia a nostalgia das barbearias clássicas aos aromas (e sabores) do café de especialidade. E os clientes podem levar a família ou conviver com os amigos.

O nome surgiu através de uma canção de Chico Buarque, com o mesmo nome, onde o cantor faz referência à mistura entre o rock e o baião, estilos que à priori são antagónicos. Num dia em que o tema surgiu na playlist, Catarina e Fábio perceberam que o contraste se aplicava ao conceito que queriam.

Catarina e Fábio idealizaram o espaço. Fotografia: João Miranda

“Estão a surgir muitas barbearias modernas e queremos marcar a diferença. Há espaço para resgatar este serviço clássico onde há uma experiência distinta”, sublinha Catarina. Segue-se a arte de barbear antiga: o pincel molhado no creme, a barba feita à navalha, o uso de toalhas frias e quentes e uma massagem no final, enquanto o cliente relaxa.

O mesmo cuidado com o visual reflete-se na extração do café que ali é servido. A dupla trabalha com um parceiro, Olisipo Coffee, e o menu (ainda pequeno) vai passar a incluir petiscos e bolos caseiros, resgatados de receitas antigas da mãe da fundadora.

A nostalgia está também presente na decoração, marcada por peças dos anos 50 e 60 inspiradas no estilo dinamarquês ou alemão. Destacam-se candeeiros e mesas retro, os sofás em pele, as madeiras maciças e os tecidos que remetem os visitantes para as descobertas nos baús das avós.

“Criámos um espaço de tertúlia em tons de amarelo e verde”, acrescenta, destacando as ilustrações com palmeiras e sereias nas paredes. Outro dos diferenciais são as personagens — todas elas animais, como um macaco ou um cão — que seguem um estilo dandy e representam a Baioque.

Apesar da aposta no nostálgico, o objetivo não é alcançar apenas saudosista e que “vive da memória”. É um spot que, apesar das características, foi pensado para que qualquer jovem se sinta bem, entre cortes claras e fortes, música atual (intercalada com sonoridades clássicas brasileiras) e cervejas ou kombucha à mistura.

Com um espaço amplo, Catarina e Fábio querem ainda aproveitar para receber iniciativas como DJ sets ou eventos temáticos, tal como o dia do vinil. “Vamos conseguir por uma esplanada com cadeiras de praia e um estilo muito tropical. É um espaço descontraído que convida as pessoas a entrar”, conclui.

Carregue na galeria para ver mais fotos do espaço e conhecer melhor o conceito. As fotografias são de João Miranda.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Avenida João XXI, 20
    1000-300 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda a sexta-feira das 10h às 19h
  • Sábado das 10h às 17h

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