Inicialmente gravadas em peças de roupa como camisas ou T-shirts masculinas, as iniciais no vestuário tornaram-se uma espécie de símbolo do estatuto masculino. Entre os séculos XIX e XX, por exemplo, eram uma forma de distinguir os pertences entre os homens de famílias de elite.
Nos últimos anos, com a valorização do chamado luxo discreto, esta personalização ganhou uma nova dimensão: os consumidores passaram a procurar detalhes subtis e exclusivos que afirmasse identidade, sem que isso implicasse exibir marcas visíveis. Mas sem deixar de estar associado a um universo aspiracional.
É com o objetivo de aproximar as massas deste conceito que surgiu a Baron & Buck, lançada em janeiro com vontade de colocar monogramas no peito das pessoas. “Não é sobre personalização, é sobre dar identidade ao que vestimos e usamos. Aquilo que nos pertence”, justifica à NiT o fundador, Zé Pedro Abreu.
“As peças são o que menos me interessa. São um veículo para esta missão, que é pegar num código visual, associado a algo mais exclusivo, e torná-lo mais acessível”, acrescenta o criativo, de 41 anos.
Durante mais de 20 anos, Zé Pedro trabalhou como designer e diretor criativo em agências e marcas globais. “Envolvia trabalhar muito tempo no estrangeiro a um ritmo alucinante. Trabalhava entre os Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. Havia um lado pessoal que tinha ficado de lado.”
Quando decidiu regressar a Portugal, mais precisamente à Figueira da Foz, a cidade onde cresceu, veio com a “decisão consciente de abrandar”. Saiu cedo de Coimbra para estudar design, na Universidade de Aveiro, antes de rumar a Milão, mas foi lá que voltou a encontrar o seu espaço.

Foi nesta altura que começou a pensar na Baron & Buck, atualmente composta por T-shirts, sweatshirts e bonés. “São designs simples que permitem que essa identidade ganhe força”, justifica. “Todas são muito próximas do dia a dia das pessoas, ou seja, não é algo novo.”
O diferencial da marca está na tipografia, um gosto antigo do fundador, que trabalhou com esta composição em vários ateliers. “Os monogramas estão muito ligados à história, a um sentido de pertença e de legado. É uma coisa que as pessoas procuram. De repente, uma peça de roupa com inicial passa a ter um valor emocional.”
Zé Pedro destaca ainda o facto das letras serem desenhadas à mão, trazendo essa personalização com mais “discrição e subtileza”, antes de serem bordadas em peças com materiais 100 por cento sustentáveis. Cada um é inspirado no universo do Harbour, “o lugar de regresso, segurança e pertença”.
Para a primeira coleção, o criativo apostou na combinação entre o branco e o azul navy, uma escolha “altamente intencional”. “Quis começar de forma mais contida, mas a ideia é desenvolver outro tipo de tipografia e de suportes, mas sempre associadas a este código, contrariando a ideia de que a sofisticação tem de ser distante das pessoas.”

Estes dois polos inspiraram o nome da marca, que nasce de “um contrassenso”, explica. Há uma referência ao título mais baixo da aristocracia, em referência ao legado dos monogramas, ao buck (ou seja, o dólar), que é algo “fácil de ter e com pouco valor”. “O nome parece algo pomposo, mas quando desmontado, é um piada.”
Ainda assim, mostra a visão global de uma marca que, aos poucos, tem somado vários mercados. Zé Pedro tem mais vendas no estrangeiro do que em Portugal, com particular atenção dos EUA. A sua intenção, contudo, passa por apostar num mercado mais próximo, por se sentir “emocionalmente ligado” a este projeto.
À medida que ganha visibilidade, o fundador quer ainda apostar em diferentes tipos de peças com a mesma filosofia. “Gostaria de passar para dentro de casa das pessoas. Menos roupa e mais homewear”, conclui. “Ainda estou a tentar perceber como é que isso se pode desenvolver.”
Todas as peças da Baron & Buck estão disponíveis no site da marca. Os preços começam a partir dos 35€.
Carregue na galeria para conhecer alguns dos exemplos.

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