Lojas e marcas

Béhen: a marca portuguesa que faz sucesso lá fora mudou de São Bento para o Intendente

Tal como o ADN da etiqueta, a nova localização é agora um "espaço com espaço" repleto de referências nacionais.
Só mudou o sítio.

Em janeiro demos a notícia da abertura da primeira loja de Joana Duarte em Lisboa. Hoje, anunciamos a sua deslocação. Não, o espaço repleto de peças feitas à mão por artesãos ribatejanos, que criavam uma perfeita simbiose entre aquilo que é a Béhen e o que ela representa não fechou definitivamente. Em vez disso, passou de São Bento para o Intendente.

A pequena loja, ainda que “minúscula” — tinha apenas 15 metros quadrados — “foi um primeiro passo super importante” para a construção da marca, garante-nos a fundadora Joana Duarte. Numa zona onde passam muitas pessoas, e de porta aberta para a rua, o espaço permitiu à designer de modareceber feedback dos clientes mais facilmente.

Os motivos que levaram Joana a investir nesta primeira loja situada na Baixa da capital foram múltiplos. “Apesar de ter um espaço maior em Santarém, um armazém onde faço a confusão toda, faltava-me outro em Lisboa, que fosse muito típico  — dos pouco que ainda existem — dos bairros de cidade. Daí a escolha da rua Poiais de São Bento“, explicou à NiT em janeiro.

E acrescentou: “Depois, muitas dos nossos modelos são feitos à medida e precisam de vários feetings para garantir que a peça assenta perfeitamente. Por isso, precisávamos de algo que fosse de fácil acesso aos nossos clientes. E claro, o facto de ser algo deste tipo também ajuda a criar uma relação muito mais próxima com quem compra as nossas criações, em comparação com outras marcas ou designers”.

Fazia sentido que as pessoas conhecessem toda a história por trás de cada peça. E “contá-la através das redes sociais ou de um desfile acaba por ser mais complicado do que aqui, onde, em contacto direto, consigo passar melhor essa mensagem — tanto das técnicas que uso, como da própria história das peças”, contou a fundadora da Béhen.

A loja física, porém, era “realmente muito pequena” e com a Moda Lisboa, percebeu mesmo que tinham de se mudar. Numa altura na qual são precisos mais materiais e com várias pessoas a trabalharem ao mesmo tempo, “tornou-se insuportável manter tudo naquele espaço”. Acabaram por ter de fazer turnos para conseguirem lá estar. “Erámos sete e a porta nem abria”, revela-nos agora Joana Duarte.

Assim que o evento terminou, mudaram-se para o espaço de Santarém. Encontrar uma nova localização em Lisboa “foi um desafio que demorou bastante tempo”. Encontraram a nova morada no Intendente, no Quartel de Santa Bárbara. São agora um dos projetos do Largo Residências e Joana diz “fazer todo o sentido pelo trabalho que fazem junto com a comunidade”.

Tal como em São Bento, “há um feeling de coletividade, onde os vizinhos já nos conhecem”. O espaço é bastante grande e acolhe tanto os artigos que tinham na loja física, como no estúdio em Santarém. Não é de estranhar, portanto, que a decoração seja a combinação dos dois — “ainda que colchas e tapetes não permitam alterar muito a sua disposição”. Quem aqui entra não tem dúvidas: trata-se de um Estúdio Béhen.

Dentro de um “pólo de cultura”, Joana diz ter encontrado um “espaço com espaço”. A ausência de uma porta direta para a rua, contribui para que se foque mais. Agora, a visita faz-se através de marcação, mas “os amigos chegam a qualquer hora”. Alii não faltam serões de convívio onde se fala sobre as coleções e projetos futuros. Não há de ser, no entanto, a casa definitiva da Béhen. “É um espaço de passagem, tal como os que temos encontrado em Lisboa”.

Leia também o artigo sobre o percurso da jovem de 27 anos — que é já presença assídua na semana de moda nacional e que até apareceu em várias publicações internacionais como a “Vogue” ou a “Vanity Fair” — e o processo de criação da marca.

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