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Boudoir Vintage Boutique, a loja de roupa vintage onde a lingerie é estrela

Não precisa de se preocupar, apesar das peças de roupa interior terem mais de 20 anos, nunca foram usadas.

Catarina Querido, tem 29 anos, é de Lisboa, e apesar da sua grande paixão ser a criação e produção de eventos, sempre teve outro grande amor: a roupa vintage. No seu percurso profissional acabou por conjugar as duas áreas quando fundou um espaço cultural e um mercado vintage, ambos na capital — Anjos 70 e a Feira das Almas. No entanto, não ficou por aqui. A estes dois, que lhe deram bastante experiência no segmento, soma agora a Boudoir Vintage Boutique. A loja vende roupa em segunda mão e especializa-se em peças de lingerie vintage.

“Comecei a fazer a Feira das Almas quando tinha 19 anos” conta à NiT. “Criei e fundei a ideia, organizei tudo durante este anos todos, e atualmente continuo a fazê-lo. Daí ter uma extensa lista de contactos, e conhecer tão bem o mundo vintage, o tornou mais fácil dedicar-me agora a isso”.

A paixão de Catarina pelo vintage nasceu muito cedo. Partiu do gosto por peças com história e evoluiu à medida que a produção de peças de roupa em massa lhe começou a parecer muito pouco sustentável. “[O vintage] sempre foi um interesse meu, especialmente para combater a fast fashion e o facto de vivermos num mundo que está sempre a produzir mais coisas. Lembro-me de ir à Feira da Ladra e achar chocante ver aqueles montes de roupa a 1€, vestuário que seria vendido num centro comercial a preços bastante superiores.”

A loja está situada na Avenida Almirante Reis, em Lisboa.

A ideia de abrir a Boudoir Vintage Boutique surgiu durante a pandemia. Catarina trabalhava como organizadora de eventos e viu o seu meio de subsistência desaparecer por completo. “Todos os trabalhos agendados tinham sido cancelados, e aí pensei ‘tenho que fazer alguma coisa, algo que seja fácil para mim e que, eventualmente, possa manter quando regressar a trabalhar com eventos’.”

O projeto começou a ganhar forma na Internet. “Comecei a vender online, ainda durante o confinamento, inicialmente através do Instagram. Só mais tarde é que abri o site — quando já tinha a loja. Na altura, vi que toda a gente o estava a fazer [vender peças na rede social] e então decidi aderir, porque senti que seria algo fácil e natural para mim” conta a jovem empreendedora que, em pouco tempo, vou a adesão ao seu projeto aumentar exponencialmente. O segredo era a lingerie: “Começou a crescer bastante e a ganhar cada vez mais seguidores, porque não havia nada tão dedicado a este segmento específico.”

Aproveitando o sucesso da página, Catarina Querido decidiu abrir a loja física. “Pensei que seria um negócio que podia ganhar forma na cidade de Lisboa. Depois, como outras pessoas com que trabalhava nos Anjos 70 perderam os seus estúdios, sendo uma delas a minha colega Charlene, pensei: vamos juntar-nos e abrir um espaço que combine a área dela — das tatuagens — à minha — da roupa.” A Boudoir Vintage Boutique nasceu da combinação de ambas as vertentes.

O plano inicial definia que o grosso do stock seria constituído por lingerie e a roupa interior mas, atualmente, o catálogo da loja não se resume a essas peças. “Online continuamos a ter um grande foco nesses artigos. Já na loja acabamos por ter um pouco de tudo: metade é lingerie e a outra metade vestuário de todo o tipo. É semelhante a qualquer outra loja vintage, mas com uma oferta maior nesse segmento [da lingerie]. É aí que fazemos alguma diferença.”

A lingerie vintage que encontra à venda na loja nunca foi usada.

Para quem está um pouco fora deste universo, a ideia de ouvir falar em cuecas ou soutiens vintage, pode parecer um pouco estranha, especialmente porque os associamos a produtos em segunda mão, mas essa não é a realidade na Boudoir Vintage Boutique. Todas as peças de roupa íntima expostas, apesar de terem 20 ou 40 anos, nunca foram usadas.

“[São] peças que estiveram em lojas e armazéns e nunca foram vendidas nem usadas. O objetivo é salva-las e evitar que se transformem em lixo. Por exemplo: agora tenho um lote enorme de soutiens vintage da Triumph.” Isto não quer dizer, no entanto, que não exista espaço para algumas peças de lingerie com história como robes ou camisas de dormir: “Já me aconteceu adquirir peças que depois descobri que foram usadas na noite de núpcias de alguém, há 30 ou 40 anos, e que foram vestidas apenas uma vez ou duas. Gosto de trabalhar com estes artigos, porque são peças raras, feitas em bons materiais como a seda.”

Atualmente o vestuário vintage está muito associado a uma geração mais jovem, mas aqui os clientes não são apenas millennials nem da geração Z. “Cada vez mais as pessoas mais velhas vem cá fazer compras. Tem sido gradual, claro. Demoraram um pouco mais a alinhar nisto da segunda mão, têm um pouco mais de preconceito, mas a coisa está a melhorar.”

Atualmente a Boudoir Vintage — que também vende online — situa-se no número 238 A da Avenida Almirante Reis. Na cave do espaço funciona a Françoise Tattoo e existem ainda outros espaços cedidos a artistas independentes como a Kahumbi Studio (de costura), a Local Hair Fairy (hairstylist) e a Púca (de tatuagens).

Carregue na galeria para ficar a conhecer um pouco melhor este novo conceito vintage.

 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Avenida almirante Reis 238 A
    1000-056 Lisboa
  • HORÁRIO
  • De segunda a sábado das 14H às 19H

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