Lojas e marcas

Centenas de pessoas fizeram fila no Norteshopping em dia de reabertura

Clientes esperaram pela abertura das lojas e dos restaurantes e mostraram confiança nas medidas de segurança do shopping.
Fotografias: Tânia Teixeira

Os relógios marcavam cinco minutos depois das nove da manhã desta segunda-feira, 19 de abril, e cerca de 30 pessoas já faziam fila à porta da Primark do Norteshopping, em Matosinhos. A maior parte das lojas do centro comercial reabriam às 10 horas neste dia que marcou a entrada do País numa nova fase de desconfinamento e os clientes não quiseram esperar mais.

Uma volta rápida ao centro permitiu à NiT para perceber que os corredores ainda estavam muito despidos. A maior azáfama passava-se dentro das lojas que, mesmo com os gradeamentos fechados, deixavam perceber luzes acesas e funcionários a andar de um lado para o outro a tratar dos últimos detalhes antes da tão a guardada reabertura.

Entre recolocar alguns produtos no lugar, passar o ferro de vapor e fazer uma última reunião de pessoal, foram dados os últimos retoques nas lojas e verificado que tudo estava em perfeita ordem para receber de novo os clientes que aproveitam a reabertura das lojas nesta terceira fase de desconfinamento.

À medida que os ponteiros do relógio se aproximavam as 10 horas, também o número de clientes foi aumentando, com pequenas filas a formarem-se à porta de outras lojas como a Lefties, a Zara, a Bershka, a Stradivarius ou a SportZone. Tudo com o devido distanciamento, como mandam as regras de segurança. Enquanto isto, gerava-se um burburinho na fila da Primark, onde se juntavam já várias dezenas de clientes à espera e adensava-se a fila destinada aos prioritários.

Não foi preciso olhar para os relógios para perceber que as lojas já tinham aberto as portas. Na renovada e aumentada Rituals, os funcionários receberam os clientes à entrada com palmas, enquanto mesmo em frente, na Primark, reclamavam os primeiros da fila por terem de esperar que mais de 30 prioritários — entre grávidas, carrinhos de bebés e respetivos acompanhantes — fossem os primeiros a entrar.

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Na entrada principal, o movimento ainda era pouco ao início da manhã

Com mais dois ou três aplausos em pontos distintos do centro comercial, as filas começaram a fluir. Ainda não tinham passado 25 minutos da abertura das lojas e já circulavam várias pessoas carregadas com sacos da Primark — onde a fila tinha quase terminado e começava a formar-se novamente — e de outras lojas.

Tudo parecia estar a funcionar bem e a sinalização colocada, bem como o reforço na disponibilização de dispensadores de álcool em gel ou do controlo da entrada e das filas contribuíam para a sensação de segurança. Estes foram, de facto, alguns dos ajustes que foram feitos pelo centro comercial em relação ao primeiro desconfinamento, em junho de 2020.

Um dos pontos interessantes aqui é que o Norteshopping tem um limite de 4.200 pessoas em simultâneo, sendo que há um alerta automático que é dado à segurança quando é atingido o número de 3.800 pessoas em circulação. A partir daqui começa a haver um maior controlo por parte dos vigilantes e, caso seja necessário, poderá ser limitado o acesso ao espaço, entrando mais clientes apenas conforme outros forem saindo.

Este é um limite que no passado foi atingido — tanto em junho como na altura do Natal, por exemplo — e que na manhã desta segunda-feira ainda estava longe disso. Ainda assim, há sempre vários avisos aos clientes, tanto através da sinalização como até de avisos sonoros, para que seja mantido o distanciamento.

Apesar do confinamento e consequente encerramento temporário da maioria das lojas, este tempo foi aproveitado da melhor forma pelo centro comercial. Algumas lojas foram remodeladas, algumas mudaram de sítio e outras abriram mesmo de novo.

Nesta reabertura, há três novas lojas e um quiosque, sendo que nas próximas semanas as aberturas vão ser ao todo 12. Pelo lado inverso, quatro lojas encerraram de vez, sendo que três delas fecharam também a nível nacional porque as marcas abandonaram o País, como explica à NiT o diretor do Norteshopping, Paulo Valentim.

Entre as medidas implementadas em 2020 e aquelas que se verificam agora não há grandes diferenças. Foram feitos apenas “alguns ajustes”, de forma a aumentar a segurança e para que tudo funcione da melhor forma. No caso da equipa de segurança e vigilantes, foi feito um reforço com sete novos elementos.

“No fundo, o que queremos é que os nossos clientes se sintam seguros aqui”, afirma o responsável pelo centro.

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A fila na Primark foi aumentando até chegar ao estacionamento

Parte dessa segurança passa também pela limpeza. Neste campo houve um claro reforço. Os corrimãos das escadas rolantes têm uma tecnologia de raios UV que faz a desinfeção automática. Isso não impede de ser reforçada essa higienização pela equipa especial de limpeza que foi criada ainda no primeiro desconfinamento e que tem como função limpar frequentemente zonas de maior contacto como puxadores de portas, caixas de multibanco, cadeiras, sofás e varandins.

A equipa de limpeza foi mesmo reforçada com dez pessoas no primeiro desconfinamento e com outras 15 agora. Dividida por turnos, é na área da restauração que há uma maior atenção desta equipa, que está sempre atenta às mesas que ficam livres — e onde os clientes são convidados a assinalar num pequeno dispositivo que já se pode desinfetar a mesa — ou aos clientes que distraídamente saem das mesas sem a máscara colocada.

Além destas medidas, foi também necessário reforçar desde o início da pandemia a proteção aos funcionários, com aventais descartáveis, máscara, luvas e tudo o que possa ajudar à sua proteção e à dos clientes. Ao mesmo tempo, nem tudo foi mau. A equipa não parou, esteve sempre a trabalhar mesmo quando o centro praticamente fechou.

“Durante o confinamento aproveitámos para fazer limpezas profundas, que normalmente só podemos fazer à noite, como limpar em altura, com a grua, os parques de estacionamento e os parques infantis é muito importante”, explica a supervisora da equipa de limpeza, Cátia Maia.

O movimento voltou a aumentar por volta das 11h30 e foi sempre em crescendo até à hora de almoço. Os clientes circulavam com facilidade pelos corredores, desviando-se uns dos outros e cumprindo as normas de circulação, mesmo que se notasse claramente a afluência de pessoas. Algumas filas foram aumentando e, claro, a Primark não foi exceção, com boa parte da fila a formar-se ainda no parque de estacionamento por ordem dos vigilantes do centro, para facilitar a circulação dos restantes clientes do centro. Eram mesmo centenas de pessoas à espera. O motivo poderá ser simples: o facto de a loja não permitir compras online.

“O meu aniversário é na próxima semana, então vim comprar uma roupa para estrear”, conta à NiT a estudante Stefanie Suarez, ainda no fim da fila superior, acrescentando que escolheu aquela loja por ser “mais em conta” e garantindo que “se desse para comprar online não tinha vindo para a fila”.

Paulo Valentim, diretor do Norteshopping, realça a segurança

Em sentido contrário, a jovem Daniela Silva saía da loja com alguns sacos após uma espera de cerca de 45 minutos para entrar. “Estava a precisar de algumas roupas e como estou de férias vim com a minha mãe, que vai ser operada e precisava de comprar alguns pijamas, porque aqui é mais barato.”

Entre as lojas que abriram de novo, a Dakar é um exemplo. O seu responsável, Michel Vilela, é também dono de outras três lojas do centro comercial, mais antigas. Neste caso, consegue comparar uma e outra fase de desconfinamento e acredita que em 2020 havia uma maior ansiedade por parte dos clientes e alguma resistência às regras de segurança.

Hoje já está tudo mais interiorizado, é mais natural e o fluxo de pessoas corre com maior normalidade. Talvez por isso acredite que não chegará a vender as 100 peças que impôs como objetivo para o primeiro dia da loja. Mas não desiste.

“É complicado [abrir uma nova loja numa altura como esta], mas acreditamos no projeto e tinha de começar por algum lado. O momento não é o certo mas foi quando surgiu a oportunidade e quando há oportunidades temos de as aproveitar, principalmente no Norteshopping.”

Quem tem uma visão um pouco mais alargada é a responsável pela Farmácia Ferreira da Silva, Susana Matos. Este espaço, que está aqui há 20 anos, manteve-se sempre em funcionamento apesar de tudo e por isso deu para perceber que pelo facto de as outras lojas estarem quase todas fechadas também as pessoas deixaram de frequentar a farmácia. Ou então faziam-no mais brevemente. Houve até quem se dissesse “deprimido” por ver o centro tão vazio.

“No último mês começámos a notar bastantes diferenças no movimento. Estamos a notar desta vez, relativamente a junho do ano passado, que as pessoas vêm diferentes, com uma vacina muitas delas, e isso faz toda a diferença na confiança com que a pessoa vem.”

A par do desconfinamento surgiu outro fenómeno aqui na farmácia: a procura por suplementos que reforcem a imunidade, melhorem a energia ou ajudem com as questões do sono. Outros dos produtos mais procurados têm sido os cremes antirrugas, em especial para a zona dos olhos. Isto em sentido contrário à maquilhagem, que com o uso das máscaras também diminuiu a procura.

“O centro comercial tinha condições para ter aberto antes das esplanadas”, defende ainda a farmacêutica.

À medida que a hora avançava, era cada vez mais notório o movimento na zona da restauração. Pessoas de todas as idades ocupavam as mesas de dois lugares e formavam pequenas filas neste ou naquele restaurante. Ao mesmo tempo, viam-se também pequenos grupos de jovens, que esta segunda-feira regressaram às escolas secundárias e universidades.

Foi o caso de Andreia Semedo, que fazia fila para comprar o almoço junto a uma amiga. Decidiu ir ao shopping por ser “o último dia para aproveitar antes de recomeçarem as aulas” e pela hora aproveitou também para almoçar.

No mesmo piso e apesar de ter aberto em outubro de 2020, a Arcádia funcionou durante um tempo muito limitado antes de ter de encerrar. Desta vez, reabre já com um prémio de arquitetura ganho há poucos dias a nível internacional. De facto, os dois andares de uma loja que combina o moderno com a história desta empresa com tantas décadas atraem os olhares.

“Foram tempos complicados com as lojas fechadas ou só com venda ao postigo. Foi um investimento grande que aqui fizemos”, aponta a responsável da empresa, Margarida Bastos.

Também em clima de reabertura estavam hoje os Cinemas NOS. O funcionamento começava às 13 horas e por isso ultimavam-se alguns detalhes, com esperança de que em breve seja possível receber mais pessoas nas salas, aumentar o número de sessões e alargar os horários.

“Estamos com muita vontade de receber o nosso público”, começa por dizer o diretor dos Cinemas NOS, Nuno Aguiar, acrescentando um bom motivo para que os amantes do cinema regressem: “Temos um cartaz forte como já não tínhamos talvez há um ano, um cartaz variado e bastante forte para este relançamento”.

Aqui, as nove salas viram reduzir a cerca de 40 por cento a sua lotação, mas tudo é feito para o conforto e segurança dos clientes, que embora não possam para já comer as famosas pipocas nem beber nada dentro das salas, têm o ar renovado seis vezes por hora e a garantia de não haver cruzamento de pessoas entre sessões — que até perderam os intervalos.

De regresso aos corredores, com cada vez mais pessoas, é notória também a vontade de voltar ao centro comercial. Quer seja para comprar algo necessário, para fazer trocas e devoluções ou simplesmente para espreitar as promoções anunciadas e as sugestões para a próxima estação ou para o Dia da Mãe, eram muitos os passos que se cruzavam embrulhados em sacos de todas as cores e tamanhos e os olhares cúmplices que trocava quem por ali passava.

Para saber qual a melhor altura para visitar o centro comercial, pode sempre verificar a sua lotação ao momento através do site. Carregue na galeria para ver melhor como foi a manhã neste centro comercial.

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