Lojas e marcas

Cosmology: nova marca portuguesa tem vestidos e casacos de estilo boho com tecidos indianos

O universo de Francisca ganhou forma em peças com estampas diferentes e cortes confortáveis.

No final do ano passado, Francisca Froes fez uma viagem que viria a mudar o seu rumo profissional. O encanto da índia fez com que trouxesse tecidos que hoje dão forma às peças da sua marca própria. A Cosmology, lançada em julho, nasceu do desejo de criar um universo próprio, um espaço onde diferentes referências se encontram para criar modelos originais e de estilo boémico, produzidos em Portugal.

A viagem aconteceu em novembro de 2025, já com a intenção de encontrar inspirações e matérias-primas, levando o namorado Tomás nesta aventura. Francisca, atualmente com 26 anos, teve oportunidade de conhecer processos artesanais, explorar mercados e descobrir os tecidos que mais tarde traria para Portugal. “Foi aí que me inspirei”, conta à NiT.

A Índia não ficou apenas na origem dos materiais. Está presente na própria linguagem visual da coleção. Os padrões são inspirados em diferentes elementos da cultura do país, desde as flores, detalhes geométricos, aplicação de bordados e pequenos espelhos, que surgem reinterpretados nas peças.  Resulta, assim, nos brilhos, cores terra e os tecidos ajudam a construir uma estética mais expressiva, que se afasta das propostas minimalistas que dominam grande parte do mercado.

Os primeiros lançamentos aconteceram a 23 de julho, mas o projeto começou muito antes. Durante anos, Francisca imaginou a possibilidade de criar algo inteiramente seu. “Sempre imaginei ter o meu ‘universozinho’, o meu mundinho, em que queria criar a roupa, imaginar a estrutura gráfica, criar uma história por trás dela”, explica.

E assim criou a Cosmology, com um nome também ligado a esta ideia, de construir um universo próprio, onde cada peça faz parte da mesma narrativa e identidade. “A minha marca traz muito o que eu sou. A minha maneira de estar”, resume.

A jovem descreve a Cosmology como uma marca diferente, confortável e focada na qualidade. Essa preocupação torna-se evidente nas primeiras propostas, que incluem vestidos, conjuntos e casacos com padrões marcantes e silhuetas mais fluidas. Apesar da componente visual forte, o conforto é um dos aspetos que a fundadora mais valoriza durante o processo de criação. “A roupa deve ser super confortável. Valorizo muito isso”, diz. 

Embora tenha estudado Design de Produto, é na criação de peças que encontrou forma de se expressar. Francisca idealiza e desenha os modelos, e depois trabalha com uma modelista para desenvolver os protótipos, que sofrem alterações, ajustes nos cortes e detalhes até chegarem à versão final. O processo é feito de forma próxima e acompanhada, numa lógica diferente daquela da produção rápida e em massa.

E, apesar de os tecidos virem da Índia, as peças são produzidas em Portugal, num atelier onde os acabamentos são feitos manualmente. É neste encontro entre os materiais e referências recolhidos durante a viagem e o trabalho desenvolvido em território nacional que se constrói grande parte da identidade da Cosmology.

Os casacos e vestidos, onde os preços começam nos 99€, são criados através da técnica handloom, que utiliza uma máquina artesanal para tecer os fios, onde todo o trabalho é manual, não utilizando energia elétrica e dependendo inteiramente do artesão. 

Nas saias e tops, que custam entre 120€ e 300€, a técnica utilizada é blockprint, um processo que consiste em esculpir uma imagem ou padrão numa placa de madeira ou borracha, aplicar tinta nessa superfície e pressioná-la contra um tecido ou papel, transferindo o desenho, que neste caso é autoral.

Os padrões de flores em azul e verde, como ainda às ricas foram desenhados por uma designer inglesa. Entre todas as propostas, os casacos, que custam 320€, são um modelo onde a inspiração indiana é mais evidente. A fundadora percebeu que faltava casacos com personalidade no mercado, e despois da viagem, onde observou vários bordadas e tecidos trabalhados, decidiu fazer parte da diferença.  “Quando fui à Índia, via todos aqueles casacos bordados e coisas um pouco diferentes e pensei: é isto que tenho de criar.”

A intenção era transportar essa sensação para uma peça que pudesse integrar o seu próprio universo. O resultado são modelos que se destacam pelos tecidos, pelos padrões e pelos detalhes, afastando-se dos casacos mais básicos. Um dos modelos compridos, com uma árvore nas costas, tornou-se mesmo num dos mais procurados da coleção.

A aposta no conceito de slow fashion

A Cosmology apresenta-se também como uma marca próxima do conceito de slow fashion. A produção assenta em pequenas quantidades, já que Francisca quer trabalhar com números mais reduzidos e criar peças que mantenham uma certa exclusividade. “Eu não quero que as pessoas andem todas iguais”, explica.

A produção limitada, a atenção dada aos tecidos, o desenvolvimento cuidado dos modelos e o trabalho com ateliers portugueses são alguns dos aspetos que sustentam essa abordagem. A intenção não passa por lançar milhares de unidades de cada peça, mas por criar propostas com uma identidade própria e uma produção mais controlada.

Antes de avançar com a Cosmology, Francisca passou por diferentes experiências ligadas à moda e à comunicação. Depois de terminar a formação em Design de Produto, em 2021, em Milão, trabalhou numa agência criativa onde participou em shootings, produções e stylings. Mais tarde, integrou uma marca de roupa,  a última experiência profissional antes de decidir avançar com o projeto próprio.

Desde o lançamento, que a marca está presente em diferentes espaços. Além da venda online, a Cosmology está na loja Caju, na Comporta, e em Lisboa, na House of Curated e n50 store. A fundadora prepara também a entrada noutros mercados, nomeadamente em Barcelona e Madrid, em Espanha.

Para a Francisca, o crescimento da Cosmology continua a estar ligado à mesma ideia que esteve na origem do projeto: criar algo que reconheça como verdadeiramente seu. Um universo boho que começou com uma vontade antiga, ganhou novas referências numa viagem à Índia e acabou por tomar forma em tecidos, padrões e peças produzidas em Portugal. “Quando estou na rua e consigo reconhecer a minha marca, isso é giro e um objetivo”, conclui Francisca.

Carregue na galeria e descubra algumas das peças da coleção, que pode encontrar no site ou nas lojas físicas. 

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