Lojas e marcas

Dior em tribunal por contratar empresas que maltratam trabalhadores

A marca pagava 53 euros por cada carteira vendida, que custava 2600. Os funcionários dormiam na fábrica para haver sempre mão de obra.
A loja de Nova Iorque.

A Manufactures Dior SRL, detida na totalidade pela marca Christian Dior, foi colocada sob administração judicial, pelo tribunal de Milão, em Itália, durante um ano. Em causa, está uma investigação que revelou que a filial do gigante de luxo LVMH tinha subcontratado empresas chinesas acusadas de maltratar os funcionários para a produção de carteiras.

“Não se trata de algo esporádico que diz respeito a lotes únicos de produção, mas sim a um método de fabrico generalizado e consolidado”, referiram os procuradores no acórdão de 34 páginas.

Segundo a investigação, a empresa obrigava os trabalhadores a dormir na fábrica para que existisse mão-de-obra disponível. As contas de eletricidade revelam estes ciclos de produção ininterruptos, incluindo durante o período de férias.

O foco recaiu sobre quatro pequenos fornecedores, que empregavam 32 funcionários nos arredores de Milão. Dois deles eram imigrantes ilegais e os outros trabalhavam sem a documentação exigida, “em condições de higiene e saúde abaixo do mínimo exigido por uma abordagem ética”.

As várias práticas, como a remoção de dispositivos de segurança das máquinas para que trabalhassem mais rápido, permitiam que a fábrica controlasse os custos. Os trabalhadores recebiam 53 euros pelo fornecimento de uma carteira de mão que, mais tarde, é vendida nas lojas a um preço médio de 2600 euros.

Após a averiguação, o tribunal concluiu que a marca de luxo francesa não adotou as medidas necessárias para verificar as condições reais de trabalho. Ao longo dos anos, não efetuou auditorias aos fornecedores da empresa, cujos proprietário também estão a ser investigados pelo Ministério Público de Milão.

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