Sofia Batos e Maria Martins conhecem-se há mais de dez anos e partilham a paixão pela moda, um interesse comum que ganhou forma numa marca própria lançada em maio deste ano. A Bela Bera tem propostas femininas que cruzam referências vintage com uma atitude contemporânea, entre a elegância da “Bela” e o lado mais irreverente da “Bera”.
As duas chegaram à moda por caminhos diferentes. Sofia trabalha na área da comunicação e imagem, enquanto Maria tem experiência em fotografia, produção de moda e eventos, tendo também trabalhado em produção de moda em Espanha. A ideia de criar uma marca própria já existia há alguns anos, mas foi amadurecendo enquanto as duas acumulavam experiência profissional.
“Já tinha pensado nisso há muito tempo e falado com a Maria há uns anos”, conta Sofia. Faltava, no entanto, o momento certo. “Também sabíamos que ainda tínhamos muito para aprender” e, durante algum tempo, a vontade de avançar coexistiu com algumas dúvidas em relação a investimentos e experiência necessária.
Em outubro de 2025, decidiram que era altura de avançar. As duas sentiram que tinham adquirido o conhecimento necessário para transformar a ideia numa marca. “Achámos que agora já temos o know-how necessário e pronto, atirámo-nos de cabeça em outubro do ano passado.”
O resultado foi a Bela Bera, que procura ocupar um espaço que as fundadoras identificaram no mercado nacional. A identidade da marca parte de uma ideia simples: não obrigar a escolher entre duas formas de vestir, para quem gosta tanto de um estilo vintage como de peças modernas.
Sofia, de 30, e Maria, de 32, são apaixonadas pela estética vintage, mas não querem reproduzi-la literalmente. “Tentamos criar silhuetas e cortes inspirados no antigamente, mas que para nós são intemporais, e dar aqui um twist mais contemporâneo”, acrescentar-lhes uma leitura atual, explica Sofia.
É também essa dualidade que está no nome. “Bela é sinónimo de delicadeza e elegância”, enquanto “Bera” é uma expressão popular portuguesa que elas assumem como algo “mais edgy, irreverente e descontraído”. É assim esta a combinação que melhor traduz a mulher para quem a marca é pensada: alguém que pode gostar de peças clássicas e vintage e, ao mesmo tempo, procurar roupa com uma abordagem diferente.
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Essa intenção está presente nas primeiras peças, pensadas para serem femininas e elegantes sem perder personalidade. Os tops assumem o decote cai-cai e as T-shirts estampas com o nome da marca. As saias seguem o corte évase tanto nos modelos longos como curtos. Um dos destaque é a linha khaki que reúne uma saia que contrasta o verde com linhas azuis, tendo um estampado floral discreto. Este mesmo estampado é aplicado no vestido com fecho ao centro e barra na cintura.
Assim, para as fundadoras, a questão da longevidade é particularmente importante. “O mais importante de tudo é que, tanto os cortes como a qualidade, sejam duradouros.” Esta convicção surge da relação que as próprias têm com peças da mãe e avó, que permanecem no guarda-roupa entre gerações.
As cores seguem uma lógica semelhante. A fundadoras têm gostos diferentes, pois Sofia é mais próxima de cores fortes, enquanto Maria prefere tons neutros e essa diferença acaba por entrar no processo criativo. As peças procuram encontrar um equilíbrio entre as duas, refletindo os tons pastel do amarelo, azul e rosa e depois cores mais fortes como o verde, castanho e preto.
A construção da Bela Bera é, desde o início, uma parceria. Apesar das experiências profissionais diferentes, Sofia e Maria não dividiram rigidamente a componente criativa da marca. “A nível de direção criativa e ideias tanto para a coleção como para as campanhas, é 100 por cento as duas”. Ambas reconhecem, aliás, que têm uma visão muito semelhante, algo que facilita o processo criativo, embora também possa representar um desafio quando entram em áreas como estratégia e investimento.
A primeira coleção chegou depois de alguns meses de preparação e com uma dimensão reduzida. “Foi uma coleção cápsula bastante pequena, como uma experiência”, conta Sofia. O objetivo era começar, testar a resposta do público e perceber como a marca poderia crescer. O feedback foi positivo e a Bela Bera já marca presença em pop-ups, como a Noēma Concept Store, nos Anjos, e outros espaços parceiros.
A produção acompanha esta dimensão mais pequena. Atualmente, a marca trabalha com uma estrutura que combina a recolha de tecidos deadstock no norte e uma equipa de costura a sul, desenvolvendo maior parte no atelier em Lisboa, o que permite produzir quantidades reduzidas. Também os tecidos são, nesta fase, provenientes de fornecedores portugueses e correspondem a stocks existentes.
“Sabemos perfeitamente que nunca vai pode ser 100 por cento sustentável”, refle Sofia. Mas por agora a prioridade é trabalhar com fornecedores portugueses e escolher tecidos confortáveis, com qualidade e durabilidade, procurando simultaneamente evitar uma produção excessiva.
Os preços situam-se entre os 49€ e os 130€ tanto nas lojas físicas e online, num posicionamento que acompanha a dimensão e a fase atual da marca. Mais do que crescer rapidamente, as fundadoras estão a construir a Bela Bera de forma progressiva, testando diferentes espaços e públicos enquanto desenvolvem a estrutura de produção.
O próximo passo é a coleção de inverno, prevista para outubro de 2026. A identidade, garante Sofia, deverá manter-se: “Vamos manter sempre esta identidade”, embora a marca vá naturalmente evoluindo à medida que cresce.
Carregue na galeria para descobrir as peças desta nova marca portuguesa.








