Lojas e marcas

Esta marca portuguesa inventou os chinelos mais originais do mercado

Ana Rita Malheiro tem 26 anos e é uma das finalistas do concurso New Talent. Conheça a sua história.
A ideia surgiu na quarentena.

A história de Ana Rita Malheiro começa como quase todas as histórias, na infância. São as memórias do colo da avó, com quem viveu até ser adulta, e o nome pelo qual ouvia os vizinhos chamarem-na que a levou à sua marca. Criada durante a quarentena, com vontade de lutar contra o desemprego para o qual a pandemia a empurrou, atingiu o sucesso, como acontece a tantas narrativas que enaltecem o amor.

A palavra avó é a mais repetida ao longo da entrevista telefónica que liga Lisboa à cidade de Rita, Braga. “A minha avó e as irmãs dela faziam chinelos à mão em casa para os ranchos, e depois vendiam. Ela era conhecida em Vila Verde como Chineleira”, conta-nos a criadora que quando era miúda arranjava as unhas à avó, que nunca saía de casa sem uns brincos, um colar ou um lenço.

Ana Rita Malheiro tem 26 anos e é uma das dez finalistas da edição deste ano do concurso New Talent, organizado pela NiT, Media Capital Digital e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, uma iniciativa que procura dar a conhecer jovens talentos ligados ao lifestyle. O vencedor irá receber um prémio de 10 mil euros para desenvolver um projeto profissional.

Começou a sua formação no curso de Comércio Internacional, mas decidiu trocá-lo por Administração Pública. No entanto, a paixão pelo mundo da moda levou-a a trabalhar em diversas lojas, após ter vivido três anos em França, onde a mãe está emigrada. Em março, antes da pandemia do novo coronavírus chegar a Portugal, Rita trabalhava na loja Bimba y Lola do centro comercial Braga Parque.

Em regime de part-time, foi dispensada assim que a quarentena começou. Aborrecida em casa e sem trabalho, decidiu retomar a arte que a avó deixou aos 20 anos, e ajudar também outras pessoas na mesma situação de desemprego.

“Quando eu era miúda a minha avó já não fazia chinelos, mas contava-me dezenas de histórias desse tempo.” O nome não poderia ser mais fácil de encontrar, Chineleiras. Tudo é uma homenagem à avó, diagnosticada com a doença de Alzheimer e que faleceu em setembro, dois meses após o lançamento da marca.

Rita e a avó.

Após um verão de verdadeiro sucesso, Ana Rita Malheiro ponderou fazer uma pausa no projeto, durante o luto. “Pode ser meio estranho, mas acho mesmo que o New Talent foi um sinal. A minha avó morreu no dia 15 de setembro e, a 15 de outubro, soube que era finalista do concurso. Acredito mesmo que foi um sinal para arregaçar as mangas e dedicar-me a fundo na marca.”

E como é o calçado da Chineleiras? Feito à mão, claro, e com bases de ráfia e cola quente, por um artesão local, especialista na manufatura de cestas. “O resto sou eu e a Liliana que fazemos. Criamos os pompons de lã e os apliques em macramé.” Liliana Ribeiro, tem 28 anos, e era colega de Rita na Bimba y Lola. Trabalharam juntas durante um ano e são agora novamente colegas na Chineleiras.

Os artigos que vendem são, naturalmente, sazonais. Mas há um novo objetivo para a marca, para o qual o prémio do concurso New Talent seria essencial. “Estamos a pensar num novo modelo, um sapato para o outono e inverno. Se ganhar, os 10 mil euros serão para investir em marketing, aumentar a equipa, e assim podermos dar emprego a mais desempregados, preparar os próximos modelos, e também gostava muito de doar dez por cento a lares para pessoas com Alzheimer.”

Se quiser conhecer a Chineleiras pode visitar a página de Instagram — brevemente também estará disponível um site. Os chinelos, para a primavera e verão, ainda se encontram à venda. Os preços começam nos 20€ e vão até aos 35€.

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