Lojas e marcas

Esta marca portuguesa vende roupa com frases divertidas em vez dos logos

A Bon Vivant. quer desconstruir o valor de mercado associado aos logótipos na indústria da moda.
Foto: Cristiano Luis.

João e Francisca estavam a beber uns copos no Bairro Alto, em Lisboa, quando se lembraram de criar uma linha de roupa humorística que trocasse os símbolos “betinhos” por frases engraçadas. Em vez do logótipo do crocodilo nos polos da Lacoste, por exemplo, a ideia era que as peças tivessem um bordado com frases que desconstruíssem este conceito de marca.

A conversa, que começou depois de virar umas cervejas no bar Loucos e Sonhadores, ganhou raízes e a dupla rapidamente começou a procurar fornecedores para conseguirem lançar o projeto Bon Vivant. (assim mesmo, com um ponto final), que nasceu oficialmente em agosto deste ano. Com esta marca cem por cento portuguesa, querem “recuperar o conceito de roupa humorística”, explica à NiT João Sanchez, de 22 anos.

Nas T-shirts, camisolas e meias, há frases como “paga finos”, “Deus no comando”, e “estou meia bêbeda” — “É aquela roupa para usar numa noite louca” conta o cofundador, acrescentando que “numa era à base de memes e nonsense, achámos que fazia sentido”.

João fundou a Bon Vivant. com Francisca Niny de Castro, de 21 anos, para ser uma “afronta às marcas que sobem o valor de mercado com o seu estatuto”, pegando nessa ideia dos símbolos para a substituir por algo sem sentido.

Os dois amigos estudaram na Escola Artística António Arroio e licenciaram-se em Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema. Em 2016, já se tinham lançado juntos no projeto Pagárrenda, que servia para mostrarem o seu trabalho audiovisual “da mesma forma que as bandas mostram a música que fazem nos concertos”.

João Sanchez.

Este coletivo acabou por se tornar quase num movimento e deu origem a 35 festas numa antiga garagem ao ar livre num edifício velho do Príncipe Real, onde os temas estavam sempre a mudar: “Era de tudo”, conta João, “mostras de cinema, DJ sets, exposições de arte, espetáculos de magia, eventos de tatuagens”.

Quando ficaram sem o espaço, em novembro de 2018, despediram-se com uma última festa a que chamaram “funeral”, mas o projeto Pagárrenda continua a funcionar como uma produtora de cinema.

Agora, a Bon Vivant. pretende dar continuidade à dinâmica que sempre os uniu, desta vez área da moda. Para manterem vivo o “impulso criativo”, decidiram que não vão fazer reedições das peças de roupa — “quando acaba o stock, não repetimos a mesma frase”.

Para já, as três propostas disponíveis custam entre 8€ e 25€ e podem ser compradas através da sua página de Instagram, de onde enviam por correio ou combinam com os clientes para fazer uma entrega em mão. O site talvez venha mais tarde, depois de uma fase inicial de testes: “Por muito que seja na brincadeira, levamos as coisas a sério e queremos fazer tudo com método e cuidado”, revela o criador.

No próximo ano, a Bon Vivant. — que carimbaram com o slogan “roupa para más decisões” — vai ter também panamás e fanny packs.

De seguida, carregue na galeria para conhecer melhor algumas propostas da marca Bon Vivant. e os seus fundadores.

 

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