Lojas e marcas

Estas loiças portuguesas já são vendidas por todo o mundo

As peças da Casa Cubista inspiram-se nas formas e cores dos edifícios algarvios. Todas são feitas à mão por artesãos locais.
Mudam o ambiente de cada divisão.

Durante dois anos, Arren Williams e David Pimentel percorreram o interior de Portugal num Golf Vintage 92. Quando se mudaram para Olhão, em 2014, foram atrás de todos artesãos e tecelões locais que conseguiam encontrar. A paixão pelo artesanato nacional crescia a cada conversa.

Numa das paragens, conheceram dois irmãos que haviam assumido o negócio da família de produção de azulejos. Foram convidados para visitar o atelier e convidados para fazer peças à mão, com métodos que remontam ao século XVII. Nunca mais olharam para trás.

Junto há cerca de 25 anos, o casal conheceu-se em Toronto, no Canadá, e ambos partilhavam o gosto pelo trabalho manual. David, de 46 anos, cresceu numa família açoriana de tecelões, crocheteiros e carpinteiros. Já Arren, 58, é um antigo jornalista de design que passou vários verões em colónias de arte, no interior de Inglaterra.

O que era suposto ser um ano sabático deu origem a um “feliz incidente”. Em 2016 nasceu a Casa Cubista com pratos, canecas, chávenas, vasos e atravessas inspiradas na paisagem algarvia. As casas cubistas em Olhão, com edifícios caiados de branco e ladrilhados nas ruelas, deram nome ao que era suposto ser uma brincadeira.

“Queríamos mostrar aos nossos amigos tudo o que estávamos a desenhar e a descobrir por cá”, recorda Arren à NiT. “Começámos a partilhar de forma muito lenta e orgânica até que havia cada vez mais gente a gostar das nossas peças.”

Arren e David são casados há 25 anos.

A primeira loja a agarrar uma das coleções era de Guimarães. Seguiu-se Le Bon Marché, a grande loja de departamentos em Paris, que levou as cerâmicas do casal até à capital francesa. “Foi o início”, confessa, antes de chegarem a mais de 100 lojas espalhadas por todo o mundo.

“Adoramos que algo pareça que foi feito à mão e que sintam as marcas das mãos do artista. Queremos criar artesanato tradicional, mas com um sentimento mais contemporâneo”, explica sobre as peças repletas de geometrias e cores. “Podem ser misturadas e combinadas.”

No arranque lançaram penas apenas em preto e azul — era a abordagem mais clássica. Desde então quiseram divertir-se e o leque foi aumentando de forma natural, com uma paleta cada vez mais variada e animada, em colaboração com a equipa que ajuda a materializar as cerâmicas.

A empresa está sediada em Olhão, onde são desenhadas as peças, mas o armazém fica no coração do Alentejo. Trabalham com quatro olarias diferentes, mas também vários tecelões, fabricantes de azulejos, entalhadores ou cesteiros, por exemplo. Todos os trabalhadores são naturais do sul do País.

A família de um dos oleiros, por exemplo, trabalha neste ramo há mais de 200 anos. Rui [Santos] começou a manter viva a tradição quando tinha apenas 8 anos, e pinta todos os moldes com a ajuda da tia, Regina, e outros pintores locais.

Os pratos mais vendidos da marca.

E não é apenas cerâmica que se vende na marca. Das cadeiras de cana aos tapetes, muitas das peças modernas de croché que atraem os clientes são feitas por David, uma herança que lhe foi deixada pelas avós.

A coleção é feita em Portugal, mas é vendida em todo o mundo. Dos Estados Unidos à Coreia do Sul, “é sempre emocionante levá-la para um novo público”, diz. O maior mercado continua a ser o francês e, mesmo “sem um plano concreto de expansão”, a procura surgiu de forma orgânica com o apoio das redes sociais.

Arren e David lançam entre duas a quatro coleções por ano, porém, os primeiros designs lançados em 2016 continuam a ser os bestsellers. Os pratos Ray, com riscas que “fazem com que pareça um sol”, estão disponíveis em várias cores e refletem o ADN da Casa Cubista.

No final, os fundadores ficam sempre felizes quando recebem fotografias a mostrar como é que as suas peças são incorporadas nas divisões. É o que esperam que aconteça com a nova coleção, que vai ser feita com o apoio de jovens ceramistas e cujo lançamento está previsto até ao final do verão.

“A cerâmica será sempre a base [da marca], mas estamos interessados em trabalhar com mais pessoas. Vamos representar uma marca, chamada DeCampo, e é algo que nos deixa entusiasmados. Adoramos experimentar coisas noivas”, conclui.

A Casa Cubista não vende diretamente ao público, porém, pode conhecer a coleção da marca no site oficial. Os interessados encontram uma lista online com todos os pontos de venda onde encontra as propostas de Arren e David, com preços a partir dos 20€.

Carregue na galeria para conhecer algumas peças do novo lançamento.

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