Em poucas semanas, o Sarcont tornou-se mais um dos vários fenómenos criados pelas redes sociais. Graças a um vídeo partilhado pela criadora de conteúdos Geisa Varjão no TikTok, este armazém de velharias e antiguidades em Porto de Mós, a 20 minutos do centro de Leiria, tornou-se alvo de desejo.
Quem visita este achado, encontra cerca de três mil metros quadrados com “tudo o que possa imaginar”, segundo o vídeo, que já conta com milhares de visualizações. “O dono faz questão de explicar de onde veio cada coisa e qual é a origem de cada madeira”, explica.
Espalhados pela loja, há móveis, pequenos objetos de decoração, louça pintada à mão e até peças de vestuário. Engane-se, contudo, quem acha que há apenas artigos usados. Existe uma seleção de propostas novas.
O projeto começou nos anos 80, com Francisco Conteiro, atualmente com 82 anos. “Começámos com uma empresa que vendia rações para animais, mas com problemas inerentes à agricultura, as pessoas deixaram de comprar. Como deixou de ter procura, o negócio foi por água abaixo”, explica à NiT o filho, Rogério, de 49 anos.
O nome, Sarcont, vem precisamente do registo da Sociedade Abastecedora de Rações Conteiro. O conceito foi mudando, mas a identidade manteve-se.
“Começámos a enveredar pela oportunidade de comprar material usado. Na altura, avançámos com uma palete de eletrodomésticos”, acrescenta. A partir daí, foi evoluindo ao longo de 25 anos. “A certa altura, comprámos muito material nos Países Baixos”.
@casaderelicario 📍Morada: R. Moitalina Cordalera 182, Porto de mós #velharias #leiria #decoração
♬ Almost forgot that this was the whole point – Take my Hand Instrumental – afterlives
Apesar do tamanho e da quantidade de material que acumularam, ao longo das décadas, Rogério afirma que é “um monte minimamente organizado”. “Não há grande tempo de fazer uma organização muito cuidada quando estamos sempre a descarregar paletes novas”, continua.
A Sarcont não lida de forma direta com muitos fornecedores, marcando presença em leilões ou aproveitando casos de insolvência para comprar em grandes quantidades.
Porém, recorda-se do episódio em que a Vista Alegre pediu para que ajudassem a desmontar uma das suas lojas num centro comercial, por volta da meia-noite. No dia seguinte, de manhã, estavam de volta ao espaço, com inúmeros objetos para acrescentar à exposição.
A procura divide-se entre empresas, que querem sobretudo material de hotelaria, com inox em destaque, e particulares. Neste caso, são as mesas, os sofás, as camas ou os roupeiros que ocupam o topo da lista de bestsellers. “Recebemos muita gente que se prepara para mudar de casa”.
Só há uns dias é que os proprietários do armazém perceberam que havia um vídeo do espaço a rodar nas redes sociais. “Não sabíamos de nada, mas há uns dias tive um colega a visitar-nos e a explicar o que estava a a acontecer”, nota, acrescentando que “o volume de visitas aumentou consideravelmente.”
“Vamos continuar a ser o que fomos até porque, apesar de termos este movimento todo, isso nem sempre é sinal de vendas”, conclui Rogério, que não pretende “comprar mais material neste momento”. E, quem vê os vídeos ou visita o espaço, percebe que stock é o que não falta.
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