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Farfetch enfrenta ação coletiva nos EUA por “enganar” investidores

Na queixa, alega-se a omissão de informação sobre a queda na bolsa. Um milionário comprou 5 por cento da startup nacional.
Atingiu o máximo na bolsa em 2021.

Vivem-se dias complicados na Farfetch. A plataforma de vendas de luxo, a primeira startup com ADN português a transformar-se num unicórnio — ou seja, uma empresa avaliada em mais de mil milhões de euros — está a ser alvo de uma ação coletiva judicial no tribunal de Maryland, nos EUA, devido a “afirmações enganadoras” que penalizaram os investidores.

Na entrada no tribunal, intitulada “Ragan v. Farfetch Limited”, argumenta-se que a entidade não informou devidamente os visados sobre a trajetória descendente na bolsa. Com base nesta teoria, os advogados têm vindo a reunir vários empresários que se sentem lesados pelos resultados para avançar com esta ação coletiva.

O objetivo da ação é “recuperar perdas em nome dos investidores da Farfetch que foram afetados negativamente por suposta fraude de valores mobiliários entre 9 de março de 2023 e 17 de agosto de 2023”, avança a CNN Portugal. Os visados têm até 19 de dezembro para se juntar à ação promovida pelo escritório Levi & Korsinsky.

A startup nacional continua a apresentar prejuízos em Wall Street. Aliás, tem vindo a adiar sucessivamente a apresentação dos resultados. A denúncia aponta para declarações falsas sobre estar a a passar por uma desaceleração significativa no crescimento nos EUA e na China”. Porém, tudo aponta para que os resultados reais da empresa sejam bastante negativos em 2023.

A par disto, a Farfetch tem sido acusada de ocultar que os fatores estavam a “ter um impacto negativo significativo nas receitas e no crescimento do valor bruto das mercadorias”, pelo que “era improvável que cumprisse as expectativas do mercado relativamente aos seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2023 ou à orientação de receitas” deste ano.

Ainda há esperança

Nos últimos meses, o fundador da Farfetch, José Neves, tem estado a avaliar a possibilidade de retirar o negócio da bolsa, com o apoio do JP Morgan e da Evercore. Neste momento, a empresa já está avaliada em menos de 400 milhões de dólares, sendo considerada um ex-unicórnio. No primeiro semestre, teve mesmo 455 milhões de dólares em prejuízo.

Quando se estreou na bolsa de Nova Iorque, em setembro de 2018, a Farfetch estava a valer 20 dólares por ação — isto depois de ter atingido um máximo de 73 dólares, em fevereiro de 2021. Uma realidade distante, visto que atualmente as ações estão a cotar apenas 1,18 dólares.

Apesar das acusações e do prejuízo em Wall Street, a marca conseguiu ganhar um novo investidor. O milionário Steven Cohen, proprietário da equipa de basebol New York Mets, juntou-se à empresa Point72 Asset Management para adquirir uma participação de 5,1 pro cento na Farfetch.

Ainda não se sabe se a empresa realmente vai sair da bolsa norte-americana, onde entrou em setembro de 2018, como noticiou o “Telegraph”. A par disto, falta saber quando é que vão ser reveladas as contas trimestrais que levaram o negócio ao tribunal. A divulgação dos resultados chegou a estar marcada para 29 de novembro.

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