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FindUse: a nova aplicação para quem quer oferecer coisas anonimamente a quem precisa

Tudo começou com o confinamento e a necessidade de destralhar. Hoje, já contam com três mil artigos oferecidos e reutilizados.
A plataforma ganhou um novo nome.

Novo nome, novo formato, nova missão. A plataforma online portuguesa Dar e Reutilizar — que permitia oferecer artigos anonimamente a quem precisa — transformou-se na FindUse. Uma nova aplicação “simples e básica”, prometem à NiT Kristine Vuhta, a diretora-geral, e Laura Martins, responsável de marketing.

Quase dois anos após ter sido lançada a plataforma online portuguesa Dar e Reutilizar foi alvo de um rebranding e “está agora mais próxima do que nunca”, através de uma aplicação. A missão também se alterou. Espera revolucionar os mercados nacional e internacional de transações de bens no mundo digital, aliando, claro, a vertente solidária a um comportamento ambiental responsável.

“A mudança de naming e do formato do projeto permite que todo o processo seja mais intuitivo, simples e próximo do utilizador final. Ao mesmo tempo, vai permitir-nos dar mais um passo no processo de internacionalização da marca e chegar a um público mais jovem”, explica Kristine Vuhta.

Criada durante a pandemia, nasceu da vontade de criar uma plataforma onde se pudesse dar, sem receber nada em troca. A ideia surgiu a Kristine Vuhta, de 42 anos, durante o confinamento. “Arrumei a casa e deparei-me com vários sacos à minha volta cheios de coisas que já não utilizava”, começa por explicar, acrescentando que sempre gostou de dar tudo o que não precisa a alguém que o possa aproveitar. “Na altura estávamos todos fechados em casa e tentei entregar as coisas recorrendo a meios digitais. Reparei que não havia nada com o conceito que procurava e aí nasceu a ideia da plataforma”, recorda em entrevista à NiT.

Kristine Vuhta nasceu na Letónia e estudou Economia e Financial Management na Universidade de Business and Finance de Riga. A ela, juntaram-se ainda os portugueses Laura Martins, de 40 anos, e António Fontão, de 42. A FindUse baseia-se naquilo que descreve como um mindset “mais nórdico”, em que a reutilização já é um hábito adquirido e faz parte do dia a dia. O objetivo passa também por uma vontade de mudar mentalidades e promover a solidariedade. “As pessoas estão hoje mais sensibilizadas para a importância de deixarmos de ser tão consumistas e pensarmos mais no meio ambiente, na reutilização e na sustentabilidade e, consequentemente, numa vida mais saudável.”

Foram precisos vários meses para implementar a transformação da app, mas a 15 de agosto foi finalmente lançada. Apesar dos receios, foi bem recebida e hoje conta já com mais de 4.500 artigos, dos quais, 3.000 já foram reutilizados. E como funciona? Simples. Basta fazer o download gratuito na App Store ou na Google Play. Uma vez descarregada, é necessária uma inscrição. Tanto os utilizadores que pretendem doar, como os que procuram algo precisam de se registar na aplicação.

Para fazer uma doação, basta tirar fotografias dos artigos e submeter um anúncio gratuito, com uma pequena descrição. Se quiser comprar terá de pagar uma mensal através do site — por 1,49€ por mês é possível adquirir uma quantidade ilimitada de artigos. O sistema cruza, automaticamente, a oferta com a procura, e quem está a oferecer os artigos será contactado diretamente pelos interessados para combinarem a forma e local para a respetiva entrega.

No caso de artigos de maior volume, caberá ao utilizador que os pretende adquirir arranjar forma de os transportar. Ainda assim, esta é uma modalidade que deverá sofrer algumas alterações, já que a equipa fundadora ambiciona encontrar parcerias de transporte. No futuro, tanto Kristine como Laura, esperam contribuir para divulgar a sustentabilidade e espoletar uma mudança de filosofia. “Claro que se a pessoa quiser ganhar dinheiro, este não será o método ideal. Em vez disso, a aplicação é feita para as pessoas que preferem dar as coisas que já não usam.” Além de ajudar famílias que possam estar a precisar, contribuem para destralhar.

“Fomos recebendo feedback de alguns utilizadores e começámos a sentir que se está a criar uma verdadeira comunidade de entreajuda para as mais variadas necessidades”, revela Kristine. Entre as histórias que já coleciona, está uma sobre os tecidos oferecidos a um casal e que vão servir de decoração no casamento, mas também as de muitos utilizadores que estão a mobilar a casa.

“Estamos muito satisfeitos porque temos artigos na plataforma que foram dados por algumas empresas, como uma fábrica de confeção — tecidos, roupas novas — ou um grupo hoteleiro que ofereceu móveis, peças de decoração e várias louças sanitárias e até portas oferecidas por uma empresa de construção civil. Há inúmeras empresas que guardam nos seus armazéns o que há muitos anos já não usam nem vendem. Excedentes de produção, coleções anteriores ou peças com pequenos defeitos que o mercado não escoa. E basta aproveitarem a plataforma para darem uma segunda vida a estes artigos”, acrescenta.

A aplicação distingue-se dos restantes suportes digitais do género por não envolver trocas de dinheiro, por permitir que os utilizadores mantenham o anonimato — quer o doador, quer o potencial interessado — e todos os bens e produtos inseridos serem sujeitos a um controlo de qualidade pelos administradores. “A grande vantagem é que quem dá consegue encontrar dentro da plataforma a pessoa certa, que realmente está a necessitar do objeto e lhe vai dar uso, sem nenhuma das partes necessitar de se identificar. Tudo é tratado através do chat interno e privado. Não menos importante é o facto de quem doa poder decidir a quem vai entregar”, revela a mentora do projeto.

A FindUse já se encontra disponível para download gratuito e o objetivo é que “pelo menos um por cento dos portugueses a usem”. De Portugal, passará para Espanha e, mais adiante, para a Europa central. Segundo Kristine, este mindset tão natural nos países nórdicos começa, aos poucos, a ganhar o seu espaço no nosso País.

“Estamos muito satisfeitos porque a cada dia inscrevem-se mais utilizadores na plataforma, que aproveitam para deixar as coisas que já não usam de uma forma muito confortável. E do mesmo modo há pessoas que aproveitam para levar o que realmente precisam. O mundo está a mudar. Acreditamos que estes tempos são muito bons para relembrarmos que é necessário cuidarmos mais uns dos outros e do nosso meio ambiente”, conclui.

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