Lojas e marcas

Gina: a revista virou uma sex shop que celebra todas as vulvas

“Queríamos uma marca que falasse de sexo como quem fala de cereais”, explica. O bem-estar feminino é o centro do negócio.
A aceitação corporal é um dos focos.

A revista Gina, lançada entre 1974 e 2005, foi a primeira e a mais conhecida revista pornográfica em Portugal. Uma das mais recentes sex shops online, lançada em maio de 2022, partilha o mesmo nome que a publicação, mas apresenta-se no mundo digital e com uma identidade mais moderna.

“A pornografia acaba por nos dar ideais irrealistas”, explica, curiosamente, Ivo Gomes, 27 anos, um dos responsáveis pela marca. Desde o início que ambicionaram que este espaço de e-commerce fosse não só dedicado ao prazer da mulher, mas à normalização da genitália feminina.

No entanto, não foi algo linear. No seio de uma agência de marketing, que começou por desenvolver a Gina, vários membros repararam que os contornos eram uma antítese daquilo que achavam correto. Por isso, uma equipa de dez pessoas — em que sete são mulheres — falou com os fundadores e avançou com o plano de acordo com os seus valores.

“A ideia era termos uma sex shop diferenciada das outras, que tem uma vertente de sexo enquanto saúde e necessidade, mas só de luxúria”, acrescenta. “Queríamos uma marca que falasse de sexo como quem fala de cereais, mas que ao mesmo tempo tivesse um nível de rigor no que diz.”

“Existem milhões de conas”

Começaram, de imediato, a encontrar problemas adjacentes ao facto de o segmento ser feito por homens e, sobretudo, para homens. Não se torna um espaço seguro ou onde as mulheres gostem de ser vistas. Por isso, há ainda muita vergonha e complexos que se vão desenvolvendo.

“Temos começado por este trabalho de comunidade”, explica. “Na Gina, obtemos este grupo de mulheres, perguntámos se achavam que a vulva delas era normal e a maior parte disse que não.”

De acordo com os dados reunidos pela marca, 48 por cento das mulheres não gostam do aspeto da sua vulva, uma estatística que tem tendência a aumentar. Ao mesmo tempo, concluíram que 56 por cento das mulheres não se sentem confortáveis a conversar com o seu parceiro sobre orgasmos, 20 por cento das mulheres que têm uma lesão vaginal durante o parto procuram ajuda demasiado tarde e 21 por cento não procura ajuda de todo.

Um dos aspetos diferenciadores da Gina no mercado é o facto de usarem obrigatoriamente a palavra “cona” sempre que possível, já que muitas vezes tem uma conotação negativa. Vão apresentando conteúdos didáticos que exploram temas como a intimidade, a vergonha corporal e o autoconhecimento. Reforçam a multiplicidade de formas de afirmar o prazer.

“Existem milhões de conas como eu, fortes, talentosas, revolucionárias, brilhantes, sexys, expressivas, de todas as formas e orientações sexuais”, consta no manifesto da loja. “Todas nós temos uma cona e não importa se são biológicas, cirúrgicas ou metafóricas. Uma cona é uma cona.”

Mais orgasmos, mais saúde

A loja vende brinquedos sexuais que passam por vibradores, plugs, anéis vibratórios, para uso em casal ou a solo e até merch original, também ela focada nesta normalização da genitália feminina. Apesar da filosofia lúdica, o orgasmo não é colocado em segundo plano. É uma das prioridades.

A merch original da marca.

“Conhece o teu G-spot” é um dos lemas que acompanha todo o catálogo da marca: “O objetivo é que [as mulheres] tenham mais orgasmos. Vamos primeiro falar sobre os orgasmos e uma vida sexual mais completa para, a partir daí, ver que outros problemas é que identificamos”.

“Nós começamos pelos brinquedos sexuais, mas o futuro da Gina passa sobretudo pelo bem-estar”, conclui Ivo. Este foco tem estado presente não só nos produtos, mas através da partilha de várias publicações arrojadas na página de Instagram da marca.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos brinquedos sexuais disponíveis no site da Gina. Os preços vão dos 9€ aos 150€.

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