Aos 23 anos, Rui Teixeira foi desafiado por um amigo videógrafo, para o substituir num casamento, após ter adoecido. Embora não fosse profissional, sabia manusear a câmara, que já usava para filmar o filho mais velho, aceitou a missão e deu o primeiro passo de uma carreira com quase quatro décadas.
Neste período, tornou-se uma referência no registo documental de casamentos e acumulou vários prémios, como a distinção de Master Qualified European Photographer. Uma carreira que foi mantendo, em paralelo, com a paixão por colecionar câmaras analógicas, iniciada há cerca de 12 anos.
Este hobby ganhou uma nova dimensão quando o portuense, agora com 60 anos, decidiu colocar estes tesouros à vista de todos. Começou por abrir uma loja-museu na Rua de Santa Catarina, no Porto, no verão passado, mas o interesse foi tanto que decidiu alargar o conceito.
A Vintage Cameras começou por se expandir para Coimbra, no final de 2025, e chegou também à capital. O novo espaço em Lisboa fica localizado no segundo andar do número 73 da Rua de São Nicolau, com vista para a Rua Augusta, uma das movimentadas da capital.
“Desta vez, não seguimos o conceito de loja-museu. Aqui dedicamo-nos sobretudo à venda das máquinas analógicas que os jovens estão a comprar”, explica o proprietário à NiT, acrescentando que foi uma forma de tornar o negócio ainda mais sustentável e próximo do público.
Para o espaço do Porto, catalogou quase 900 câmaras em oito idiomas, em apenas oito dias. Entra-se na sala e têm cerca de 600 câmaras expostas e outras 300 em stock. Estão divididas em 12 coleções organizadas cronologicamente, cada uma acompanhada por legendas e complementada pelo audiotour disponível em nove idiomas.
É uma viagem que percorre mais de 170 anos de história, desde os pequenos modelos coloridos usados pela burguesia até máquinas lendárias como a Hasselblad 500C, que fotografou a primeira imagem da superfície da Lua. Rui destaca, por exemplo, “uma câmara pintada à mão por um artista ucraniano” e “uma outra vendida há mais de 100 anos na Photo Bazar, no Porto”.
Em Lisboa, porém, a oferta é outra. Já são mais de 100 câmaras analógicas, sendo que os clientes procuram sobretudo as point & shoot, mais compactas, automáticas e fáceis de levar para todo o lado. Da década 80 aos anos 2000, há opções da Canon, Nikon, Pentax ou Olympus.
Há também, acrescenta Rui, artigos da Kodak, com meias e camisolas expostas da mesma forma que as câmaras, espalhadas pelos dois móveis que adornam o espaço. Num dos cantos, há ainda um pequeno espaço onde os visitantes podem beber um café e conviver um pouco.
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Um conceito que também se diferencia do espaço em Coimbra, que “nem sequer tem colaboradores”, afirma. Conta apenas com uma Photomatic onde as pessoas podem entrar, tirar fotografias e sair, pagando com multibanco. Ali, é possível tirar duas tiras, com três fotografias a preto e branco cada, por 5€.
Já está viral nas redes sociais
A experiência em Lisboa começa, tal como no Porto, com uma photobooth inteiramente inspirada nos anos 20, com fotografias a preto a branco e sem qualquer efeito ou molduras modernas. Assim que a instalaram, foi um sucesso imediato, sobretudo entre os mais jovens que começaram a partilhar vídeos nas redes sociais.
“O conceito mantém-se, é um photobooth de inspiração vintage, acessível e imediato”, explica. As fotografias são impressas na hora e tal como acontecia nas primeiras cabines fotográficas, lançadas nos anos 20 em Nova Iorque, a estrutura é feita em madeira.
A ideia partiu de uma das filhas e de um amigo de Rui, admite o fundador da Vintage Cameras. “É super interessante ver a felicidade das jovens com os resultados”, explica, recordando-se de um pedido de casamento ou de duas mulheres, grávidas, que a têm usado para documentar todo o processo.

Outra da novidades que trouxe para a capital e que tem gerado muito entusiasmo é um dark room, outra das zonas mais instagrammáveis onde toda a gente pode entrar e fotografar, de forma gratuita.
Trata-se de um espaço em constante mudança, continua Rui. No momento em que falou com a NiT, encontrava-se na nova loja a mudar a forma como a sala está apresentada para ter um espaço onde jovens artistas podem apresentar-se e expor o seu trabalho, também gratuitamente.
No Porto ou em Lisboa, já estão planeadas exposições temporárias, workshops e novas experiências do Vintage Cameras. “É prematuro tirar ilações, mas o feedback tem sido muito bom, acima do que esperávamos”, conclui.
Carregue na galeria para ver mais imagens do espaço em Lisboa.

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