Lojas e marcas

Hëma: a marca nacional criada por duas viajantes com peças feitas por artesãos indianos

Maria Soeiro e Eleonora Riago são apaixonadas pelos tecidos produzidos no deserto do Rajastão, estado no noroeste da Índia.
A marca destaca-se pelas cores e padrões.

Índia e Portugal são os dois territórios que se destacam na carta geográfica da Hëma. Com peças feitas à mão por artesãos indianos, a marca nacional é fruto da paixão de duas amigas por viagens. Numa delas ficaram encantadas pelos tecidos e padrões característicos do país asiático. Após ter sido lançada este verão, com propostas de roupa únicas, a etiqueta acaba de expandir o negócio ao segmento da joalharia.

No primeiro encontro, em 2019, a portuguesa Maria Pulido Soeiro, 30 anos, e a italiana Eleonora Rigo, 31, não passaram mais de 20 minutos juntas. Estavam em Israel e, apesar da brevidade da conversa, não tardaram a descobrir paixões comuns. Descobrir novas culturas era a principal.

“[A Eleonora] tinha comentado que ia para a Índia e, nessa altura, ainda não tinha grandes planos. Um mês depois, decidi ir para lá estudar ioga”, conta à NiT Maria, que é professora desta prática meditativa. Curiosamente, no vasto território indiano, os caminhos de ambas voltaram a cruzar-se. “Inscrevi-me num curso e, por coincidência, íamos estar nas mesmas datas na mesma aldeia [em Varkala, na região de Kerala]”.

Antes da Hëma existir, a portuguesa começou por criar uma pequena coleção na Índia, onde teve a ideia de lançar a sua própria marca. Não tinha qualquer formação relacionada com indústria têxtil, mas fazia a sua própria roupa nos tempos livres. No entanto, com o início da pandemia, a criação de peças acabou por ser relegada para segundo plano.

A paixão só voltou a despertar quando Eleanora, que cresceu com rodeada por moda, se juntou à portuguesa. Maria regressou a Portugal em 2021, mas manteve o contacto com a amiga italiana. “Quando me veio visitar, os cinco dias de estadia previstos transformaram-se em dois anos. Ela aceitou logo fazer parte do projeto”, recorda.

A origem da Hëma

O termo que dá nome ao projeto faz referência a uma língua ancestral da Índia e do Nepal, “que significa dourado” e “a sua mitologia refere-se a uma deusa que usa muitas cores”. Esta definição acabou por se tornar aquilo que melhor caracteriza cada coleção.

“A roupa não foi pensada previamente”, mas as cores usadas pelos indianos e a forma como se vestem tornaram-se na principal inspiração. A portuguesa “conhecia muita gente que tinha ido para a Índia fazer negócios” e Eleanora, que tinha passado os oito anos anteriores a viajar, visitava o território anualmente. Dois fatores que tornaram possível a manter contactos próximos com cada um dos artesãos que ajudaram a construir a marca.

As peças, feitas com materiais como a seda e o algodão orgânico, são produzidas por pequenas famílias no deserto do Rajastão, no norte da Índia. Na primeira coleção, inspiraram-se nos cenários envolventes, assim como nas tribos ciganas que habitam a região, aproveitando pedaços de tecidos produzidos por essas comunidades, com detalhes manuais minuciosos.

Os artesãos locais também fazem parte da marca.

“O objetivo foi sempre, independentemente da origem, trabalhar com os mesmos valores. Queríamos uma marca com consciência”, diz. “Um casaco pode ser bonito, mas a história por trás também é importante, porque alguém o fez com dedicação. Queremos mudar o ato de comprar e combater o consumo exacerbado.”

Alguns dos tecidos usados na produção das peças têm mais de 50 anos e, muitos foram feitos recorrendo a bordados de estilo Kantha, “que é quase uma obra de arte para os indianos” pela sua ancestralidade e estilo intricado.

Neste momento, a criativa italiana está na Índia, de visita aos trabalhadores, nas “casas pequenas, onde oferecem chá o dia inteiro e ficam à conversa”. Maria, por sua vez, está a trabalhar à distância, uma vez que está grávida e já se encontra na fase final da gravidez. “Gostamos de estar lá, porque as coisas são feitas de uma forma bastante diferente. Eles olham para a ideia e nem sequer precisam de tirar medidas”, explica.

Joias com história

Além dos conjuntos, vestidos, casacos, quimonos, lenços, calças e até túnicas que a Hëma já vendia, o catálogo conta ainda com propostas de joalharia, como brincos e pulseiras com pedras preciosas, que seguem a mesma filosofia. Os acessórios surgiram para complementar as peças de roupa, algo que sentiam que faltava.

“Ambas estivemos a trabalhar com prata, porque a nossa ideia inicial era fazermos as próprias peças. Tornou-se um bocado difícil, porque demorava muito tempo, então passámos só a fazer os desenhos e depois mandamos fazer.”

As joias vão fazer parte das próximas linhas da marca. Apesar de não serem o foco da Hëma, que continuarão a ser os têxteis, os acessórios vão fazer parte do futuro da etiqueta. A coleção de 2023, com lançamento previsto para a primavera do próximo ano, já está a ser pensada e viagem para a Índia está marcada. No caso do vestuário, os protagonistas serão o algodão e a técnica do blockprint. Este processo consiste no uso de “peças de madeira e 100 metros de tecido de algodão, molhados em tinturas com as quais são desenhados os padrões”.

Todas as peças da Hëma estão disponíveis no site da marca. Os preços variam entre os 30€ e os 175€, consoante o tempo que cada artesão levou a produzir cada uma. Carregue na galeria para descobrir algumas das propostas da marca.

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