Lojas e marcas

Ikigai: nova marca nacional de malhas só tem peças sem género e de tamanho único

A criadora cresceu a usar peças costuradas pela mãe e pela avó. Decidiu desenhar roupas que podem ser usadas todo o ano.
Primavera, verão, outono ou inverno.

A memória de usar camisolões feitos à mão, pela mãe e pela avó, é uma das razões pelas quais Mariana Soares é apaixonada pelo tricô. Durante a infância, era difícil encontrar roupa igual à das bonecas com as quais brincava, por isso, a matriarca — que trabalhava como modista — tentava recriar os modelos para a jovem vestir.

“Ao crescer, fui ganhando uma paixão pelo design de figurinos e personagens, porque cresci com videojogos, cinema e séries”, conta à NiT a designer de 26 anos. “Achei interessante como a roupa podia dar vida a uma personagem e ajudar a construir a sua personalidade.”

Estas influências fizeram com que começasse a costurar antes de entrar na faculdade. Mariana formou-se em design de moda na faculdade de arquitetura, e decidiu pensar numa forma de criar “uma coleção sem desperdício” para o projeto final. Em conversa com a orientadora, a ideia surgiu: iria trabalhar malhas.

Em tricô ou croché, esta forma de produção artesanal não implica qualquer descarte do material. “Todo o tecido usado está na peça e, quando sobra, podemos aproveitar para fazer outra coisa”, acrescenta. “É sempre possível dar uma nova utilidade à matéria-prima.”

Quando terminou a formação, a designer criou uma marca de vestuário, com estas técnicas como protagonistas. A Ikigai, lançada em agosto, é marcada pela sobreposição das peças, pelo estilo oversize e pelo contraste entre cores e fios. E tudo é feito com tecidos de deadstock de fábricas e ateliers.

Para que as propostas possam fazer parte do nosso armário durante mais tempo, Mariana cria peças que dão para usar todo ano, embora admita que o uso da lã torna a missão mais complicada. “Não me prendo pelos timings tradicionais do mundo da moda que implicam lançar coleções a cada seis meses.”

Para esta durabilidade, contribui também o facto dos desenhos não serem divididos por género e por não existirem tamanhos. No caso dos números, “tento trabalhar partes de baixo o usets completos mais ajustáveis a qualquer corpo. Tenho, por exemplo, calças com cobras ou formas de abotoamento que o tornam possível”, sublinha.

Normalmente, também existe muita curiosidade em torno do nome do negócio, de origem japonesa. A fundadora andava a pesquisar referências para o moodboard da primeira coleção, quando se cruzou com o termo. Quando pesquisou o significado — “razão de ser”, em tradução livre — percebeu que englobava aquilo que queria transmitir.

A produção acontece no atelier, que Mariana construiu em casa, onde desenha, tricota, costura e faz todos os moldes. Um cardigan, por exemplo, pode demorar 48 horas a ser terminado. Tudo passa pelas suas mãos com a ajuda de alguns amigos. “É difícil encontrar fábricas dispostas a trabalhar com os mínimos pedidos por pequenos designers”, explica.

Quando lançou o projeto, a Ikigai esteve logo exposta numa pop up store da ModaLisboa, onde foi um sucesso. É por serem propostas tão “delicadas e sensoriais” e “à base de texturas” que a criativa percebeu que é crucial ter um espaço físico. Por isso é que a aposta ainda não passa tanto pelo digital.

Os clientes da marca podem conhecer a marca no Showroom Brandfire, junto à Avenida da Liberdade, assim como na plataforma MYKUBO. A agência que recebe a etiqueta também está em vias de lançar uma plataforma digital, embora não haja uma data prevista para a estreia do site.

Aproveite e carregue na galeria para conhecer algumas das peças da Ikigai. Os preços variam entre os 30€, no caso dos acessórios, e os casacos a 700€

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