Dois antes meses da sua viagem a solo pela Índia, Francisco Sereno lembrou-se de ligar a um amigo. O convite foi direto — simplesmente, “alinhas vir?” — e António Albino, consciente de que seria “uma experiência única na vida”, ignorou os exames que tinha marcados na faculdade para o acompanhar nesta aventura durante 25 dias, em janeiro deste ano.
“Sentia que vivíamos fechados numa bolha em Cascais. As atividades são sempre as mesmas. Desta vez, queríamos fazer algo diferente”, contam à NiT. Foi com a ajuda das redes sociais que ficou decidido que o país no sul da Ásia poderia ser uma boa opção.
O momento que definiu toda a viagem aconteceu em Pushkar, uma antiga cidade templária no distrito de Ajmer. Foi por lá conheceram Kamal, proprietário de uma fábrica de camisas, que os desafiou a conhecer a produção. Entusiasmados, os dois jovens de 20 anos, naturais de Cascais, aceitaram.
“Arrancámos a achar que era mesmo ali, na cidade. Metemo-nos na mota e andámos durante 20 minutos, no meio do nada, até chegarmos finalmente ao local onde tudo acontecia”, recorda Francisco. Como já iam encantados com os padrões únicos da Índia, chegaram a um acordo com aquele homem desconhecido e escolheram-no como fornecedor.
Quando regressaram a Portugal, começaram a trabalhar o lançamento de uma marca inspirada por todos estes estampados. Lançada no final de abril, a Indi conta com propostas “perfeitas para os dias de praia no verão”, como camisas de inspiração étnica ou beach bags.
“A ideia dos sacos surgiu numa outra cidade, em Jaipur, onde visitámos uns mercados que nos fizeram lembrar dos tradicionais souks de Marrocos”, continua António. “Chamaram-nos para as lojas deles e vimos estas bolsas que trouxemos para as nossas mães e namoradas. Andámos o tempo todo com aquilo atrás.”
À ideia das camisas de Kamal, criadas a pensar num público masculino, as mães e namoradas dos jovens empresários sugeriram alargar o catálogo a acessórios que incluíssem as mulheres. Entre beach bags e necessaires, lançaram edições limitadas com vários destes padrões “que não se viam por cá”.
Por enquanto, a Indi é um hobby, já que os dois sócios, que se conhecem desde os sete anos, continuam a estudar. António está a tirar uma licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial, no Instituto Superior Técnico, enquanto a formação de Francisco é em Economia, na Nova SBE.

“Os fornecedores enviam-nos os padrões, perguntam-nos o tamanho que queremos e decidimos os acabamentos”, acrescenta António Albino. No final, enviam o guia, as etiquetas e a produção acontece toda na Índia, atualmente em duas fábricas. “Já estamos a ver opções para alargar a produção para uma terceira”.
Quanto aos estilos, tentaram trazer um mix o mais abrangente possível, desde desenhos que dão nas vistas (como o Pink Tiger, que já se tornou um dos bestsellers) com motivos mais neutros, como o que recebeu o nome de Pushkar. Isto acontece tanto nos sacos de praia como nas camisas.
“Para este ano, temos apenas a coleção de verão. Talvez adicionemos necessaires porque alguns dos nossos modelos já esgotaram”, adianta Francisco, que pretende repetir estes lançamentos todos os anos, sempre por altura do verão.
Para já, o foco está noutra viagem, desta vez à Indonésia, onde os sócios irão à procura de fornecedores para outro projeto. No caso da Indi, o próximo passo será explorar o universo dos fatos de banho.
A primeira coleção desta marca portuguesa já está disponível online. Os preços das sugestões começam nos 9,99€.
Carregue na galeria para conhecer algumas das peças do catálogo da Indi.








