Lojas e marcas

Ish: a nova marca que transforma “um casaco da avó num crop top irreverente”

A etiqueta de streetwear atua no território ibérico e distingue-se pelas cores, silhuetas arrojadas e mistura de tecidos.
A irreverência é um dos pilares do projeto.

Consumir menos e criar mais. Esta filosofia é um dos vários motes que aceleram o ritmo da máquina de costura onde são criadas as peças da Ish, uma nova marca focada no streetwear, e que atua não só em Portugal, mas também em Espanha. O objetivo do projeto, lançado em outubro, passa por “uma revolução feita de remendos” nos dois países, onde começaram agora a reforçar a presença.

Além do negócio em conjunto, Patrícia Alonso, de 38 anos, e Ricardo Lopes, 37, partilham uma vida em comum, enquanto casal, e têm dois filhos. A cofundadora da Ish é espanhola, oriunda de Madrid, e conheceu o atual companheiro quando recebeu uma proposta para vir trabalhar para Lisboa, há 10 anos. Ambos cumpriam funções na área da logística e dos transportes e a mudança, que inicialmente era temporária, manteve-se até aos dias de hoje.

“Enquanto casal, a nossa forma de viver e de estar no mundo foi mudando. Começámos a fazer escolhas diferentes no ritmo e consumo e na forma como tratávamos de nós. “Dentro destas opções, percebemos que era importante mudar a forma de comprar roupa”, conta à NiT Patrícia.

Nesta fase, começaram a aparecer obstáculos. Os fundadores queriam manter o estilo muito próprio que os caracteriza, no entanto, não conseguiam, porque “a oferta no mercado era muito básica” para se enquadrar no estilo streetwear mais arrojado que usavam diariamente.

“Começámos a pesquisar e descobrimos o upcycling que, nos Estados Unidos, está implementado em muitas marcas”, refere o português, sobre a técnica de criar roupa a partir de peças velhas. Ricardo menciona ainda estrelas como Dua Lipa, Rosalía e Billie Eilish como “representantes” da prática, cada uma com um estilo muito diferente.

Os primeiros passos

Com uma máquina de costura antiga, que encontrou em casa da avó, o cofundador transformou as suas primeiras peças para as filhas. De T-shirts antigas, nasciam camisolas e saias que as miúdas podiam vestir. Como não faziam parte do meio, procuraram formação em modelagem e costura até que o negócio começou a ficar mais sério.

Quando já tinham uma ideia clara do que seria o projeto, arriscaram e deixaram os trabalhos. Começaram a fazer contactos com profissionais do setor para desenvolver o site e, neste momento, dedicam-se a tempo inteiro à Ish.

“Neste momento, temos um estúdio em casa, onde fazemos a parte mais de criação, os protótipos, a recolha das inspirações, os desenhos”, explica a espanhola. “Temos um laboratório de roupa onde fazemos os experimentos e, a partir daí, trabalhos com profissionais locais em Lisboa, que desenvolvem as ideias”.

Até as propostas mais formais têm detalhes ousados.

No setor da roupa sustentável, as marcas focam-se num público alvo entre os 30 e os 50 anos. As peças da marca, contudo, são desenhadas a pensar num público acima dos 20 anos, um grupo “que entende, aceita e valoriza a importância de transformar um casaco da nossa avó num crop top irreverente”.

Neste momento, estão focados no segmento feminino, com silhuetas que variam entre as modelagens mais largas e as mais justas. No futuro, a médio prazo, querem fazer roupa para clientes masculinos, mantendo a aposta nas cores e “no risco da mistura” de todo o tipo de tecidos. Numa só proposta, a bombazine pode ser complementada por bolsos com partes de um blazer ou acrescentos de ganga.

Outro objetivo projetado pelo casal é a abertura de uma loja onde tenham pessoas a costurar diretamente. Os clientes podem entrar, entregar uma peça e ser alterada no momento. Enquanto a ideia não se concretizam, mantêm-se online e estão em contacto com plataformas especializadas em roupa sustentável para terem novos pontos de venda.

Todas as peças estão disponíveis no site da Ish e os preços variam entre os 40€ e os 120€. Carregue na galeria para descobrir algumas.

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