Lojas e marcas

Julia criou um part time com o bebé ao colo. Agora fatura mais de 75 mil euros por mês

A ideia nasceu quando percebeu que o filho adormecia mais depressa com os olhos tapados. Investiu 13.700€ das próprias poupanças.

Uma fralda de pano, um bebé que não queria adormecer e intervalos de apenas 20 minutos entre amamentações. Foi a partir desta combinação improvável que Julia Holden criou um negócio que, menos de dois anos depois, chegou a faturar mais de 75 mil euros num único mês.

A norte-americana, de 34 anos, vivia em Lawrence Township, no estado norte-americano de Nova Jérsia, quando teve a ideia em fevereiro de 2024. Na altura, ela e o marido tentavam encontrar formas de ajudar o filho recém-nascido, Maxime, a adormecer. Foi então que repararam num detalhe: o bebé descansava mais depressa quando lhe tapavam suavemente os olhos com uma fralda de pano ou uma pequena toalha.

Holden começou imediatamente a procurar uma solução que pudesse comprar. Queria algo confortável, pensado especificamente para bebés e que permanecesse no lugar mesmo quando o filho se mexesse. Não encontrou nenhuma opção que a convencesse.

A solução foi criar um conceito original. Nasceu assim a Sleepy Hat, um gorro de algodão para bebés com uma cobertura integrada que pode ser colocada sobre os olhos para reduzir os estímulos visuais durante as sestas.

A marca faz envios para Portugal, pelo que os produtos podem ser encomendados através da loja online. O acessório foi pensado sobretudo para situações em movimento, como passeios ou viagens, e deve ser utilizado sob supervisão.

Transformar a ideia num produto, porém, demorou cerca de um ano. Holden continuava a trabalhar a tempo inteiro como gestora sénior numa empresa de publicidade e tinha um recém-nascido em casa. Por isso, aproveitava todos os pequenos intervalos que conseguia encontrar.

“Não tinha financiamento externo, não tinha equipa nem apoio para cuidar do bebé além da ajuda da família”, contou à “CNBC”. Grande parte do projeto foi desenvolvido em períodos de apenas 20 minutos entre as amamentações.

Ao longo do processo, investiu quase 13.700€ das próprias poupanças. Inicialmente, tinha previsto gastar cerca de 8.600€, mas os custos começaram a acumular-se entre o desenvolvimento do produto, moldes, protótipos, amostras, registo da marca, domínio e criação do site.

E nem tudo correu bem à primeira tentativa. Sem formação em design, Julia criou com a mãe um primeiro molde que acabou por ter as dimensões completamente erradas. Mais tarde, através de um amigo empreendedor, encontrou uma fábrica na China para produzir os protótipos.

As indicações enviadas ao fabricante também não eram suficientemente detalhadas e o erro acabou por resultar em cerca de 1.300€ de produtos defeituosos. Depois de várias tentativas, conseguiu finalmente chegar ao desenho pretendido e avançou com uma encomenda de 1.500 unidades.

 
 
 
 
 
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Antes do lançamento, decidiu ainda investir numa sessão fotográfica profissional para apresentar o produto no site. A loja online da Sleepy Hat abriu em setembro de 2024, mas os primeiros meses ficaram longe dos números que alcançaria mais tarde.

No final desse ano, a empresa ainda não tinha chegado aos 1.700€ em vendas. Mesmo assim, houve um momento que Holden nunca esqueceu. “A minha primeira venda a um desconhecido mudou tudo. Fiquei muito entusiasmada, mas também aterrorizada por ter realmente de enviar o produto”, recordou.

A viragem começou a acontecer nos meses seguintes. Em agosto de 2025, passou a vender os gorros através da Amazon e, sensivelmente na mesma altura, os vídeos publicados na conta da Sleepy Hat no TikTok começaram a ganhar centenas de milhares de visualizações.

Nos comentários, várias mães reconheciam o problema. Falavam de bebés que resistiam ao sono durante passeios, viagens de carro ou idas a restaurantes porque estavam constantemente atentos ao que acontecia à sua volta. O produto tinha encontrado precisamente o público que Julia procurava.

Desde junho de 2025, a Sleepy Hat passou a faturar mensalmente valores de cinco dígitos. Em dezembro do ano passado, as receitas ultrapassaram o equivalente a 77 mil euros num único mês e, em janeiro, ficaram acima dos 59 mil euros, segundo documentos analisados pela “CNBC”. A empresa já é lucrativa.

O crescimento levou Holden a tomar uma decisão que, poucos meses antes, poderia parecer arriscada. Em outubro, despediu-se do emprego na área da publicidade, onde recebia o equivalente a cerca de 81 mil euros anuais, para se dedicar exclusivamente à empresa.

Isso não significa, porém, que tenha começado imediatamente a retirar grandes quantias do negócio. Em 2025, pagou a si própria apenas cerca de 2.100€. A maior parte dos lucros foi reinvestida na Sleepy Hat, nomeadamente em publicidade online e na contratação de dois colaboradores a tempo parcial para ajudarem na gestão do inventário e dos anúncios.

Durante este período, Julia viveu sobretudo das poupanças que ainda tinha e do rendimento do marido, que trabalha na Universidade de Princeton. Atualmente, dedica entre 30 e 60 horas semanais à empresa, incluindo alguns fins de semana, ao mesmo tempo que cuida do filho, agora com dois anos.

“Continuo stressada, mas agora é por uma razão com mais significado. Parece mais importante. É muito mais gratificante”, explicou.

A experiência também a obrigou a enfrentar uma das áreas em que admite sentir mais dificuldades: as finanças. Tem trabalhado com um contabilista e um consultor para compreender melhor as contas da empresa e acompanhar cada entrada e saída de dinheiro.

“É preciso perceber cada euro que sai e cada euro que entra”, afirmou, admitindo que não tem uma inclinação natural para folhas de cálculo e que aprender a analisar o balanço da empresa continua a ser “um processo em evolução”.

Também houve quem tentasse convencê-la a esperar antes de avançar. Quando contou a ideia à irmã, que já tinha experiência com um negócio próprio, recebeu um conselho simples: talvez criar uma empresa pouco depois de ter sido mãe não fosse a melhor altura.

Julia ouviu, mas seguiu com a sua ideia na mesma. “Disse-lhe: ‘Está bem, percebo o que estás a dizer. Vou fazê-lo na mesma’”, recordou.

Agora, o objetivo é aumentar progressivamente o salário que retira da empresa e, no próximo ano, conseguir receber mais do que ganhava no antigo emprego.

Carregue na galeria para ver alguns produtos da Sleepy Hat.

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