O carinho pela pureza da madeira é o ponto de partida para todas as criações de Zé Maria Teixeira Duarte e Bernardo Lopes. É através dos pequenos detalhes desta matéria-prima que a dupla cria móveis que dão resposta a um mercado onde a produção em série é, cada vez mais, a regra.
Após seis anos a levar estes designs para uma série de espaços, nomeadamente para a hotelaria de luxo, chegou o momento de darem um novo passo. A Junto Wood Design, conhecida pelo mobiliário em madeira maciça, acaba de abrir o primeiro showroom em Lisboa, integrado na oficina onde nascem todos os projetos.
“Era engraçado reunir com os clientes na nossa área de trabalho, sempre com tudo em construção, mas começou a ser impossível com as máquinas sempre a trabalhar”, explicam. “Lentamente, começámos a desenvolver um novo espaço que nos representasse e a colocar peças da nossa autoria.”
Com cerca de 70 metros quadrados, trata-se de uma sala com uma parede transparente, aberta para a oficina, que combina o melhor de dois mundos. “Conseguimos falar com os clientes sem perder esta capacidade de estar no meio da oficina, ainda que separados”, acrescenta Bernardo.
Este passo acabou por levar a outra das unidades para 2025, a criação de uma loja online para se aproximarem do consumidor final. A dupla começou a juntar alguns dos desenhos que criaram ao longo dos anos não só para os expor no showroom, mas também para os levar para o digital.
A diferença na faturação, revelam, continua a ser clara. Enquanto os projetos para outras empresas representam 60 por cento do orçamento, os clientes particulares já são 40 por cento da fatia. Um contraste bastante menor face aquele que tinham quando começaram.
Duas mudanças de vida
Os criativos descrevem-se como dois marceneiros que trocaram as suas carreiras “pela recompensa do trabalho manual”. Foi nesta transição que acabaram por se conhecer e, de forma quase imediata, sentiram que existia uma forte sinergia.
Formado em Direito, Zé Maria trabalhou durante alguns anos como advogado. “Quando percebi que não era o que queria, alterei o rumo da minha vida. Tirei um curso de marcenaria na Fundação Ricardo Espírito Santo e decidi que ia apostar.”
A partir daí, deu-se “uma luta” para arranjar um espaço. Como não conseguia suportar a despesa sozinho, arrendou um atelier enorme e alugou várias das bancadas a outras pessoas. Numa dessas mesas, estava Bernardo, que tinha começado a dedicar-se à mesma arte.

“Havia muitas pessoas, mas começámos a entender-nos muito bem e a trabalhar juntos em vários projetos”, continua Bernardo, que tinha tirado o curso de design de equipamento. Mas foi numa unidade curricular dedicada à marcenaria que se encantou pela forma como conseguia “meter as mãos na massa” e materializar os seus desenhos.
Como cada um tinha não só a sua própria marca, mas também valências diferentes — se Zé tinha mais técnica, Bernardo era mais criativo — perceberam que estava na altura de unirem os dois projetos e, em 2019, nasceu oficialmente a Junto Wood Design, com um nome que representa essa união.
O ADN começou a desenhar-se. Zé Maria, atualmente com 43 anos, era mais velho, enquanto Bernardo, 33, se recorda como “um jovem irreverente” com uma visão mais contemporânea. Se um trazia “o respeito pela pureza da madeira”, o outro tentava perceber onde podiam chegar.
Atualmente, a linguagem da Junto baseia-se numa linha intemporal, mas que procura inovar. “O que tentamos fazer em quase todas as nossas peças é ter sempre duas vistas completamente diferentes, independentemente do tamanho. Se olharmos da lateral ou do topo, serão diferentes.”
Intemporalidade com inovação
Esta visão está presente nas peças que, ao longo dos anos, desenharam para alguns dos nomes mais reconhecidos nomes da arquitetura. Nicoline Beerkens, Alicia Murphy, Juliana Cavalcanti, Lachlan Bailey, BLAANC, OpenBook ou Nini Andrade Silva são apenas alguns dos clientes que confiaram na dupla.
Além disso, já viram as suas criações em espaços tão distintos como Nuua Beach, Azores Wine Company, Fundação Champalimaud, Costa Terra, Adega do Fogo, Chef’s Agency ou The Front Bar.
“A Mesa da Fundação Champalimaud foi um desafio enorme e espetacular. Criámos uma mesa de 11 metros que abraça dois pilares metálicos em que tivemos de ir buscar o material a uma árvore específica. Tinha de vir tudo da mesma árvore”, afirma Bernardo. “Uma grande parte da mesa está em suspensão.”

Na Junto, todas as peças são produzidas à mão e recorrem a técnicas tradicionais como, por exemplo, os encaixes de marcenaria japonesa ou a carbonização artesanal Shou Sugi Ban. Usam ainda acabamentos de alto nível e trabalham, em exclusivo, com madeiras nobres e certificadas de carvalho, nogueira portuguesa e americana, kambala, pau rosa ou acácia, entre outros.
“No nosso trabalho, sentimos influência de todos os desenhos que vamos vendo, os pedidos que nos fazem e o que fomos criando ao longo dos anos”, continuam. “Alguns clientes dão mais liberdade, outros menos. Nunca houve um projeto em que nos fechassem totalmente as possibilidades.”
Com o mercado nacional bem explorado, Zé Maria e Bernardo querem agora focar-se no online e explorar novos mercados, sobretudo o norte-americano. “Temos alguns clientes e arquitetos estrangeiros com quem trabalhamos e gostávamos de exportar mais. Não é fácil abrir esse caminho.”
Neste momento, todas as peças da Junto Wood Design estão disponíveis online. Há preços a partir dos 350€.
Carregue na galeria para ver um pouco mais do trabalho feito pela marca.

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