Lojas e marcas

Kacau: a nova marca de lingerie criada a pensar nas mulheres de pele escura

Um segmento ainda muito pouco explorado que tenta responder aos problemas de mulheres em busca do nude perfeito.
Encontrar o nude perfeito tornou-se mais fácil.

Acaba de chegar ao mercado uma nova marca de roupa interior portuguesa pensada para mulheres negras. Chama-se Kacau e pretende colmatar uma lacuna no mercado. Embora exista lingerie de todas as cores quem tem pele mais escura tem enorme dificuldade em encontrar peças nude. A maioria das cuecas, soutiens e bodies “cor de pele” correspondem a variações do tom bege (mais ou menos claro ou rosado). Esta cor não é universal, e não condiz com a melanina de todas as pessoas, e por isso, de nude tem muito pouco.

Elisabete Moreira de Sá, de 36 anos, formada em relações públicas e comunicação empresarial, que trabalhou durante 12 anos como assistente de bordo, decidiu que estava na altura de mudar o rumo da sua vida. O seu objetivo, era simples, resolver este problema com que havia se deparado por diversas vezes: “A Kacau surge de uma necessidade minha e de outras mulheres — percebi que sempre que precisava de artigos cor de pele, fossem eles collants, tapa mamilos, ou roupa interior de tom nude, nunca encontrava. Só via preto, branco e bege. Quando pesquisei sobre o tema, encontrei algumas marcas que já o faziam, mas não em Portugal, e então surgiu a ideia de ser a primeira marca nacional a fazê-lo”.

Sem qualquer tipo de background na área, mas com uma vontade imensa de fazer a Kacau ganhar vida, Moreira de Sá, arriscou. Inscreveu-se no programa Acredita Portugal, destinado a start ups e novos empreendedores, e acabou por se tornar numa das 21 finalistas de entre 10 mil candidatos, no ano de 2019, o que serviu para: “validar a ideia e estruturar o nosso modelo de negócio, e também para termos algum apoio a nível empresarial” contou a NiT.

A fundadora da Kacau, Elisabete Moreira de Sá.

Ainda que o projeto tenha sido pensado e sonhado naquele ano, com a chegada da pandemia e do seu primeiro filho, o projeto acabou por ser obrigatoriamente adiado. Além disso, existiu uma outra agravante: as cores. Por não se tratarem de peças em tons standard, a fabricação torna-se muito mais complexa. “É um processo demorado porque estamos a falar de cores específicas, e quando isso acontece, tudo é mais dificultado.  Acredito que seja esse o motivo pelo qual outras marcas não apostam neste mercado. Tudo que é padronizado — perto, branco, vermelho — é muito mais fácil. Quando é para tingir cores próprias, o processo complica-se e fica mais caro. Daí termos precisado de mais tempo para completar esta etapa, e para afinar as cores. Também fizemos questão de apostar na qualidade e na extensão dos tamanhos — todas as peças foram testadas em mulheres reais e esse processo também levou algum tempo, porque fomos fazendo as correções necessárias.”

Produzir em Portugal era também uma vontade de Elisabete “Tivemos várias reuniões nacionais e internacionais. Fomos a fábricas, conhecemos fornecedores, de norte a sul do País e também no estrangeiro para escolher a matéria prima, e decidir onde seria a nossa produção. Seria muito importante que fosse nacional, o que acabou por acontecer.”

Mulheres com vários tipos de corpos com as peças da coleção Musa.

No final do mês de dezembro de 2021, o sonho tornou-se realidade. A Kacau nasceu e lançou as duas primeiras coleções: a Musa e a Diva. “A Musa foi pensada para um uso quotidiano, que trouxesse todo o conforto, e funcionasse como uma segunda pele, em que não se notasse as costuras. É uma lingerie mais discreta. Depois temos a linha Diva, onde apostamos na renda nacional e que puxa mais pela feminilidade e pela sensualidade.” Conta-nos num tom entusiasmado, referindo ainda a sua parceria com Blaya, que partilhou imagens das peças no Instagram.

Atualmente as peças podem ser encontradas no site da marca, e estão disponíveis para compra em quatro tons diferentes não só a nível nacional como também internacional. “A nossa grande vantagem é a nossa lusofonia. Queremos direcionar para os mercados de Portugal, Angola, Cabo Verde, Moçambique”. O preço das peças, com valores a rondar os 21€ e os 60€, também é um dos fatores pelo qual a marca também se torna tão apetecível, uma questão pensada pela própria fundadora: “tivemos noção que não podemos ser uma marca de custo elevado, mas sim que fosse acessível à classe média.”

Nesta fase inicial, a insígnia conta com quatro tons diferentes — o #25, o #35, o #65, e o #85 — , no entanto, quer alargar a oferta conforme a demanda. Começar a vender em lojas físicas é também um objetivo. A par disto existe ainda a vontade de, no futuro, ir mais além desenvolvendo outros artigos do universo feminino: “Se tudo correr bem, queremos ir mais longe”, finaliza Elisabete.

Carregue na galeria e conhecer melhor algumas das peças da Kacau.

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