Lojas e marcas

Leica instala-se em Lisboa com uma loja e galeria “para quem vive a fotografia”

Depois do Porto, a marca alemã fixou-se na Avenida da Liberdade. A produção das máquinas está centrada em Portugal.

No livro biográfico “Apenas Miúdos”, de 2010, a artista Patti Smith escreveu que “havia dias, dias cinzentos e chuvosos, quando as ruas de Brooklyn eram dignas de uma fotografia, cada janela a lente de uma Leica”. Foram estes retratos imortalizados pelas máquinas da marca alemã que lhe valeram o estatuto de objeto de culto.

Atualmente, é um dos nomes mais acarinhados por quem gosta de Fotografia — profissional ou não —, em grande parte pela vertente nostálgica e emocional que lhe é característica. Uma história que começou a ser escrita há mais de 100 anos, em 1914, na cidade de Wetzlar, na Alemanha.

Acrescenta-se agora um novo capítulo com a abertura de um espaço em Portugal, localizado em plena Avenida da Liberdade, em Lisboa. Inaugurado a 28 de maio, é o segundo no nosso País, após a estreia no Porto, com um conceito que mistura ponto de venda e galeria.

“[Esta loja] é um projeto que tem dois anos. Estávamos a planear abri-la no ano passado, mas o objetivo foi adiado por algumas questões internas”, esclarece à NiT o store manager, Diogo Camilo, acrescentando que a motivação se deve “ao crescimento do negócio” entre os mais exigentes apaixonados pela arte fotográfica.

De facto, a estratégia tem vindo a mudar. “Vendíamos os nosso produtos sobretudo através de parceiros. O que estamos a fazer é criar lojas próprias para ter todo o controlo sobre o produto e o atendimento, sem estarmos dependentes de ninguém”, acrescenta. “Criamos uma linguagem universal.”

Com cerca de 170 metros quadrados, aos quais acresce um pátio interior, atrás da loja, esta morada começa pelos espaços de venda dos produtos, logo à entrada. Segue-se uma zona abaixo com relógios, propostas em segunda mão e outros artigos de lifestyle, bem como uma pequena sala de cinema privada para projeções.

A exposição das máquinas.

“Estamos num segmento em que não temos competição. Somos uma marca de nicho, mas num patamar em que temos um produto feito à mão”, explica Diogo. As propostas são criadas de forma inteiramente manual, desde a pintura das peças aos pequenos números que encontramos na objetiva. 

Para a equipa, hoje em dia, a prioridade não está apenas no profissional da fotografia, mas estão atentos a todos os que sempre sonharam em ter uma Leica. Foi por isso que encontraram, em plena Avenida da Liberdade, o melhor dos dois mundos, entre a comunidade de fotografia da capital e um novo público.

Arte e fotografia misturam-se

Atualmente, o formato de lojas da Leica inclui sempre uma galeria, através de Karin Rehn-Kaufmann, diretora artística e representante-chefe das Galerias Leica Internacional. Neste caso, está situada na parte de cima do espaço, um género de mezanino que descobrimos aos poucos. 

 Neste momento, está presente “A Century of Photography”, uma seleção de 21 imagens que assinala os 100 anos da Leica, reunindo algumas das capturas “mais icónicas do mundo da fotografia”, com vários autores internacionais.

A zona de exposição.

Há ainda o serviço da Leica Akademie, que “normalmente seria no espaço da loja”, segundo o responsável. No entanto, esta dinâmica leva o público até ao número 19 da Rua Alexandre Herculano, a poucos minutos a pé da nova morada, com vários tipos de workshops para profissionais ou amadores.

Estas iniciativas podem ser conduzidas por nomes conhecidos, como o britânico Phil Penman. Os workshops vão desde temáticas como fotografia de cena ao analógico, tal como aconteceu após a inauguração com o fotógrafo Afonso Castella, também conhecido pelo trabalho em casamentos. A agenda está sempre disponível online.

“Não é uma simples câmara. É um investimento”

À NiT, o porta-voz garante ainda que a Leica tem um lado “que mais nenhuma marca tem”. “É que as nossas câmaras valorizam”, continua, dando o exemplo de uma edição limitada de uma de um modelo em metal gray, tendo recebido apenas duas unidades. 

Por isso é que incluem a secção de second hand, que permite aos clientes comprar ou vender artigos originais com certificação e garantia. Muitos deles são colecionáveis e podem atingir valores bastante superiores aos que tinham inicialmente, quando chegaram ao mercado.

Outras edições podem ser encontradas, por exemplo em leilões. É o caso da primeira máquina fotográfica de 35 mm, usada por Oskar Barnack que foi vendida por 14,4 milhões de euros, há cerca de dois anos. modelo exclusivo Leica M-A, oferecido pela marca ao Papa Francisco, em 2025, atingiu um valor de 6,5 milhões, após entrar em licitação.

No meio deste sucesso, o papel de Portugal não pode ser ignorado. A relação remonta a 1973, ano em que a Leica começa a trabalhar numas pequenas instalações fabris em Vila Nova de Famalicão, no norte do País, onde conta hoje com uma fábrica que emprega cerca de 800 funcionários. Atualmente, conta com um volume de negócios na ordem dos 82 milhões de euros por ano. 

Esta unidade, que começou com meia dúzia de trabalhadores, veio mesmo a dar nome à rua onde fica situada. Da Rua da Leica, chegam aparelhos óticos de vanguarda que passam também por binóculos e miras telescópicas, destinados à ótica desportiva, entretanto finalizados na Alemanha.

Esta presença no norte do País, onde acontece atualmente 90 por cento da pré-produção de todo o grupo, justificou a escolha de terem começado por abrir um ponto no Porto, na Rua de Sá da Bandeira, a funcionar desde 2016 com o mesmo formato híbrido entre loja e galeria.

Com esta chegada a Lisboa, a uma das artérias comerciais mais luxuosas da capital, a Leica continua assim um plano de expansão na Península Ibérica. Com mais de 120 lojas e 30 galerias da marca espalhadas por todo o mundo (duas delas em Portugal e uma terceira em Madrid), contam abrir, ainda este ano, mais uma superfície em Espanha.

Carregue na galeria para ver mais imagens da nova loja.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. da Liberdade 258
    1250-149 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira a sábado das 10h às 19h

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